COTIDIANO

Floresta ameaçada

Produtor invade reserva florestal no município do Bujari e prejudica nascentes de água

 


Juracy Xangai

Famílias recém-assentadas no quintal florestal do Bujari estão preocupadas com a derrubada de um dos quatro hectares de sua reserva florestal deixada para proteger as nascentes de água, comprometendo o equilíbrio ambiental da área. O problema se agrava porque outras pessoas também estão ameaçando invadir a reserva, já que, apesar de o fato ter sido denunciado ao Imac, nenhuma providência foi tomada.

Parte da mata foi derrubada e outro tanto de reserva foi brocado pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Bujari, Nonato Mendes, que é também servidor público trabalhando há muitos anos na antiga Sanacre, atual Departamento de Água e Saneamento (Deas), e mesmo assim foi agraciado com um lote de terra pela reforma agrária.

As denúncias de invasão da Reserva Florestal foram confirmadas pelo presidente da Associação do Pólo Hortigranjeiro do Bujari, Leno Rodrigues de Lima, 54 anos, pai de seis filhos, cujo lote também se extrema com a reserva. Ele esclareceu: “O Nonato sempre foi funcionário da Sanacre que cavou ali perto da reserva um poço que bombeava ága lá para o Bujari. Enquanto ele ficava ali cuidando da bomba ele aproveitou para plantar uns pés de daime no terreno que durante o sorteio acabou sendo dado para outra pessoa. Então fizeram acordo pra que ele pudesse tirar as mudas dali e levar lá pro terreno dele”.

O quintal florestal foi criado a partir de uma parceria entre o Incra com o governo do Estado através da Secretaria da Produção Familiar (Seprof) e a prefeitura do bujari. Por isso, numa das reuniões dos sorteados com as autoridades, Nonato pediu e recebeu do prefeito Michel Marques e dos demais produtores, autorização para que pudesse plantar suas mudas de daime debaixo da mata da reserva florestal.

“O acordo era para que ele plantasse o daime debaixo da mata e não para que brocasse a área da reserva e derrubasse as árvores. Afinal de contas o daime é da mata mesmo, sobre nas árvores por isso não precisava derrubar nada, mas o pior é que a gente não vê daime nenhum plantado aqui neste terreno”, lamenta Leno enquanto mostra o estrago feito na mata que é um bem comum a todas as dez famílias do quintal florestal e que não deveria ser explorada por ninguém em particular.

Além de servir aos moradores da comunidade, o poço da anta, como é conhecida a nascente onde se diz que antigamente as antas iam lamber o sal, é essa fonte uma das reservas estratégicas para o abastecimento de água à população do Bujari. O poço está sendo preparado para que suas águas sejam bombeadas a fim de irrigar as hortas das famílias recém assentadas.

Embora as famílias só tenham começado a morar nos quintais em dezembro do ano passado, o sorteio dos lotes havia sido feito no final de 2005, o que permitiu que, durante todo o ano passado eles preparassem os terrenos e roçados. Por isso, a invasão da reserva florestal aconteceu em meados do ano passado e, apesar das denúncias o único órgão que enviou alguém para verificar a situação, segundo os produtores, foi a Seprof, cujos técnicos chegaram a fotografar os prejuízos causados à mata e o desrespeito com a faixa de nascentes e do igarapé que corre na área.

Nossa equipe buscou contato para ouvir Nonato Mendes, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Bujari, mas este não foi encontrado.

 

 
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