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A primeira mulher taxista de Tarauacá

Edilene Monteiro aprendeu a dirigir aos nove anos. Sua carteira de motorista é categoria D e seu sonho é comandar uma carreta

 


ANDRÉA ZÍLIO

Enquanto algumas mulheres lutam para adquirir profissões de grande status antes ocupadas pelo homem, como senadora, ministra e até presidente, Edilene Monteiro, 32, sonha em dirigir uma carreta. Sua carteira de motorista é categoria D, ou seja, apta a comandar transportes pesados. Ela é a primeira e única mulher taxista na quarta maior cidade acreana, Tarauacá.

Edilene também foi a primeira mulher a trabalhar como mototaxista naquele lugar, e hoje algumas colegas integram o grupo de profissionais. Ela sempre trabalhou no volante, aprendeu a dirigir aos nove anos de idade e diz que essa é sua grande paixão, não consegue se imaginar em outra profissão, e até tentaram tirá-la da área lhe oferecendo outro emprego, mas ela não aceitou.

Nascida em Tarauacá, em 2006 ela também experimentou dirigir ônibus, mas prefere trabalhar em seu carro próprio, um bem que demorou a conquistar. Dirige trator e diz que o grande sonho é dirigir uma carreta. “Foram anos de trabalho para poder comprar meu próprio carro e ter todo o lucro do meu suor só para mim. Há seis anos que trabalho com transporte próprio, agora meu sonho é dirigir uma carreta”, comenta.

Hoje, grávida de sete meses, Edilene diz que só vai parar de trabalhar quando não agüentar mais, e comenta que seu médico brinca dizendo que a criança ainda vai nascer no táxi. O marido, também motorista é incentivador de seu grande orgulho, que é ser motorista.

Nas ruas de Tarauacá a taxista é conhecida por todos. Sempre com um sorriso estampado, é falante e agitada. Mas quando recorda do início comenta que nem sempre foi assim, pois enfrentou preconceito dos homens e das próprias mulheres pelo seu trabalho. “As mulheres criticavam porque eu transportava passageiros em uma moto. Teve até passageiro que se recusou a viajar comigo e só embarcou quando eu mostrei minha carteira de motorista, que é categoria D”, comenta.

As piadinhas não paravam, mas ela superou a tudo e ganhou o respeito de todos os colegas de profissão e da população da cidade. Alguns clientes são fiéis a motorista, e é ela que eles chamam sempre que precisam. A rotina de trabalho começa às 8 e termina às 18h. A partir disso, só com solicitação ao celular. Sua renda chega até a R$ 1,5 mil por mês.

Para toda hora - Com Edilene não tem tempo ruim. Ela aproveita o verão, com a BR-364 aberta, e enfrenta horas de viagem de Tarauacá até Cruzeiro do Sul, ou até mesmo, à Rio Branco. Diz que leva o cliente aonde ele quer ir. Sobre as piadas de mulher ser ruim no trânsito ela não deixa de falar seus argumentos. “Todo mundo fala que mulher dirige mal, mas a maioria dos acidentes é causado pelos homens, inclusive, por dirigirem bêbados. A mulher também causa acidente sim, mas é mais cuidadosa no volante”, comenta.

O bom do trabalho que tem, ela diz que é conhecer várias pessoas, ter amizades com muita gente, e é considerada pela população uma das melhores motoristas, mulher, da cidade. Construindo sua história Edilene também escreveu um novo capítulo na história de Tarauacá, quebrando barreiras e preconceitos.

 
 
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Rio Branco-AC, 2 de setembro de 2007
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