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Na reta final para conclusão de rodovia

Audiência sobre a BR-364 supera expectativa e gera grande debate sobre a obra que completa a integração do Acre

Sérgio Valle
Diretor do Deracre, Marcos Alexandre, falou sobre os prazos de conclusão da obra durante a audiência pública em Sena Madureira


Pelo menos 300 pessoas dos vales do Acre, Iaco e Purus compareceram nesta terça-feira à escola Dom Júlio Matiolli, em Sena Madureira, para participar da audiência pública sobre o asfaltamento do subtrecho Sena-Feijó da BR-364. Última etapa de um longo processo, a audiência é um instrumento de caráter consultivo. O evento foi organizado pelo governo do Estado, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem (Deracre) e da Secretaria de Relações Institucionais, para ampliar o debate sobre os impactos positivos e negativos da obra em todos os aspectos. Os participantes puderam tomar conhecimento do projeto e tirar dúvidas sobre a rodovia.

“O debate superou nossas expectativas e foi muito proveitoso porque pudemos apresentar o projeto, tirar dúvidas e anotar sugestões”, explicou Marcos Alexandre, diretor-presidente do Deracre.

Naquele trecho serão realizados serviços de terraplanagem, pavimentação, obras de arte correntes, especiais e complementares. O empreendimento está inserido no Programa de Desenvolvimento Sustentável do Acre e atende três áreas estratégicas: desenvolvimento humano e inclusão social; desenvolvimento econômico e sustentável; e infra-estrutura de integração.

São fontes de financiamento da obra o governo do Estado e Departamento Nacional de Infra-Estrutura dos Transportes (Dnit). A obra está incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado no começo do ano pelo governo federal. O PAC reúne um conjunto de ações prioritárias ao desenvolvimento econômico e social do país. A audiência pública é uma exigência da lei que trata das licitações públicas para que seja dada transparência em todo o processo. A partir da audiência, os editais de concorrência pública já podem ser lançados para contratação das empresas.

Estiveram presentes os prefeitos Nilson Areal e Manoel Almeida, de Sena e Manoel Urbano respectivamente, vereadores dos dois municípios, os deputados Edvaldo Magalhães, Delorgem Campos, Walter Prado, Gilberto Diniz e Mazinho, o frei Heitor Turini e representantes das comunidades evangélicas, vários secretários de Estado, assessores do governador, empresários, estudantes e lideranças comunitárias.

A meta do governo do Estado é que a pavimentação desse trecho seja modelo de obra de infra-estrutura para a Amazônia, com a promoção do desenvolvimento econômico e social da região, sem provocar danos ao meio ambiente e às populações tradicionais.

O processo de licenciamento ambiental da rodovia entre Sena Madureira e Feijó começou em 2002 e culminou com a realização de duas audiências públicas específicas da parte ambiental em setembro de 2005, com o objetivo de mostrar o relatório e estudo ambiental: uma audiência em Sena Madureira, com a participação de mais de 150 pessoas da região; e outra em Manuel Urbano, com a presença de quase 200 pessoas. No total, a obra consumirá mais de R$ 500 milhões, já assegurados no PAC.

Obra é muito complexa, mas governo prevê conclusão até 2010

O engenheiro Fernando Moutinho apresentou um histórico de antes e depois das rodovias federais no Acre, detendo-se mais no trecho que era objeto da audiência - mas explicou com clareza a situação da rodovia entre Tarauacá e Cruzeiro do Sul, trecho que pode ser inaugurado ainda este ano. Com o avanço do tratamento superficial simples, leva-se cada vez menos tempo para percorrer as duas maiores cidades do Juruá. Mas o projeto não tem execução fácil: são consumidos nada menos que 4.080 sacos de cimento por quilômetro. Para facilitar o trabalho e reduzir custos de logística, ao menos uma empreiteira mantém no trecho uma máquina conhecida como recicladora, que trabalha a terra de modo que ela fique com até 20 centímetros de altura mantendo-a com a taxa de umidade estabelecida pelo operador. A máquina mistura cimento ao solo para deixá-lo mais consistente.

Em vários aspectos, a BR reinventa técnicas da construção civil devido à complexidade e à peculiaridade das obras. A parte mais dífícil, que são as pontes e os bueiros, deve ser feita primeiro - assim como ocorre no Vale do Juruá.

Famílias de baixa renda são beneficiadas com melhorias sanitárias

Maracimoni Oliveira

Um projeto simples, de baixo custo e ambientalmente correto está levando às famílias carentes que moram em bairros afastados a solução de um velho problema: a falta de esgoto sanitário domiciliar. A parceria da prefeitura de Rio Branco com o Ministério da Saúde e a Fundação Nacional de Saúde está financiando a construção de 45 unidades de banheiros em residências que não têm melhoria sanitária.

São 33 famílias beneficiadas no bairro Dom Moacyr, quilômetros 14 da BR-364, e 12 no bairro Santa Cecília, no quilômetro 12. Vinte duas unidades já foram entregues no Dom Moacir e as outras 11, a Secretaria de Obras prevê que fiquem prontas em 15 dias. Em seguida o trabalho se inicia no bairro Santa Cecília.

“A obra é feita com muito critério e estudos rigorosos para não agredir o meio ambiente”, enfatiza o engenheiro Wilson Andrade Filho, que fiscaliza rotineiramente as obras para assegurar o cumprimento dos padrões da Associação Brasileira de Normas Técnicas e garantir a proteção ao solo e lençol freático.

A fossa séptica, de 1,5 metro de fundo, é feita para funcionar em perfeita sintonia com o sumidouro (poço que recebe o despejo da fossa para ser absorvido pelo solo). O sumidouro represa a água dos dejetos aos poucos e assim não prejudica o lençol freático.

“E um projeto eficiente que funciona perfeitamente sem agredir a natureza e é uma boa alternativa para os bairros distantes”, ratifica.

A dona-de-casa Rosimeire da Silva Queiroz, 35 anos, moradora do bairro Dom Moacyr, não vê a hora de seu banheiro ficar pronto. Feliz, ela diz que não fosse o projeto demoraria muito para ter um banheiro “de verdade”.

“A gente não tem condições de fazer e esse benefício é muito bom. Aqui para nós vai melhorar tudo. Agora não temos mais que suportar o mau cheiro quando vamos ao banheiro”, comemora. O banheiro servirá também para o filho mais velho, que mora no mesmo terreno dos pais com a esposa.

O banheiro e sanitário utilizados por mais de quatro anos pela família de Rosimeire têm condições precárias. A família improvisou um espaço para o banho na cozinha e o sanitário no fundo do quintal - apenas um poço cercado de madeira.

“É um momento histórico”, diz Gilberto Siqueira

O grande objetivo do governo Binho Marques é integrar os municípios acreanos até 2010. Ou seja: a partir de Sena, todas as cidades ao longo da rodovia terão acesso por terra assegurado o ano inteiro. A BR foi reaberta ao tráfego em 2005 pelo oitavo ano consecutivo. Com a conclusão da licitação do trecho Sena-Feijó, haverá frentes de trabalho ao longo de toda a BR a partir de Rio Branco - e não haverá mais necessidade de reabertura porque o tráfego terá suporte o ano todo. Até o fim de junho, o governo do Acre conclui o processo de licitação dos sete últimos trechos que farão o asfaltamento a partir de Sena.

INFLUÊNCIA DA BR-364

Dez municípios estão sob a influência direta da rodovia - Acrelândia, Rio Branco, Bujari, Sena Madureira, Manuel Urbano, Feijó, Tarauacá, Rodrigues Alves, Mâncio Lima e Cruzeiro do Sul.

- Trânsito da população.
- Abastecimento das cidades facilitado e barateado (menor custo na aquisição de produtos, bens e serviços).
- Fortalecimento das economias locais.

 
 
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Rio Branco-AC, 4 de abril de 2007
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