| OPINIÃO | ||
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Amarina Prado * |
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Existirá a percepção de que a arte está em tudo? Acredito que sim. Se voltarmos os olhos ao redor podemos constatar que a arte vem acompanhando o ser humano desde os primórdios da civilização e se manifesta em todos os segmentos que contribuem para uma melhor vida do homem. O médico, o cirurgião com seu bisturi, o dentista; ciência e arte no melhoramento das espécies animais, fauna e flora, buscando sistematicamente o aperfeiçoamento. O educador moldando gente e transformando-as em seres úteis à si e a ao meio em que vive; arquitetura, paisagismo, a arte da organização, da administração de transformar o feio no bonito, do aparentemente inviável no viável, do aproveitamento de materiais, para citar apenas esses exemplos. A arte da comunicação! Podemos entender, pois, a arte, como forma de comunicação universal e ao mesmo tempo contribuição para embelezamento do meio, somando para uma sociedade pacífica e humana. Mas o que mais surpreende é a influência de, primeiramente a música, quando o nenê se acalma ouvindo sons suaves e tranqüilos, e mais adiante, o desenho, quando a mesma criança através de sua ótica, devidamente motivada, começa a se interessar pela visualização de reproduções, principalmente de seres vivos, e após, objetos e coisas. A comunicação com o adulto, além dos vínculos afetivos pessoais, vem, portanto, antes de tudo, através da arte. E aí surge a pergunta: por que a mesma arte que oportunizou ao novo ser, o início do entendimento do mundo em que veio parar, é tão relegada a segundo plano e por que não dizer, mesmo, desvalorizada? Por que muito cantor (da aldeia) é solicitado a se apresentar sem receber cachê? Por que o pintor não tem suas obras valorizadas, se até nas casas mais humildes, é comum se encontrar uma reprodução de grandes mestres em alguma parede? A prova disso é a larga disseminação de “Monas Lisas”! E sobre o teatro... por que a escassez de incentivos e apoio? Se o teatro é uma das formas de repensar e reavaliar a vida de cada um? Podemos até compará-lo a uma sessão de psicoterapia de grupo. Ainda mais quando o público é convidado a interagir. Em tudo e por tudo as cidades necessitam e convivem ao longo do tempo com a arte. É o que transcende as épocas e sobrevive ao seu criador. A prova disso é o legado das civilizações/povos/culturas como a história atesta, como os gregos, romanos, fenícios, egípcios, chineses, incas, maias, franceses, italianos, etc... e tantas outros. E vamos entrar no nosso Brasil: quando alguém fala sobre o Rio de Janeiro, surge a imagem do Cristo Redentor (arte); quando falam nas 365 (eram – não sei se agora não serão mais) igrejas de Salvador (arte sacra); de São Paulo, afloram as imagens do Museu e do Monumento do Ipiranga, de P. Alegre a estátua “O Laçador”, o plano urbanístico/artístico de Brasília, de Gramado e Joinville a arquitetura enxaimel e assim por diante... A arte ocupa, significativamente, lugar de destaque, e, pela convivência/visualização dela é representada a identidade do povo. Pensemos, pois, em cada recanto do Brasil! Cada um com suas características. Inserindo mais arte em nosso contexto, construímos o perfil que melhor nos identifique. Como por exemplo, a manutenção de eventos que realmente importem em interesse/retorno coletivo, com a valorização dos dons individuais, canto, música, teatro, etc... caldeando formas de crescimento humanístico e saudável. A educação interagindo no trinômio família/criança, família/criança/escola e família/criança/escola/comunidade formam a pirâmide estrutural que deve, obrigatoriamente, lastrear o melhor desempenho e aperfeiçoamento da sociedade. Com arte, é claro! * Pedagoga e Produtora Cultural - RS |
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