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VIAGEM A URUCU

Comitiva liderada pelo senador Tião Viana visita província petrolífera que rende R$ 1 bilhão por ano ao Estado do Amazonas


Grandes canteiros de mudas
florestais de Urucu


Texto: Romerito Aquino
Fotos: Romerito Aquino e PetrobrAs

Passavam das 8 horas da manhã da última segunda-feira quando, atentos, os passageiros do vôo da Total Linhas Aéreas começaram a avistar do alto o pequeno rasgo na imensa floresta do Amazonas que, desde o início da década atual, começara a mudar a história do maior Estado florestal brasileiro.

Os passageiros estavam sobrevoando, finalmente, a Província Petrolífera de Urucu, situada no município de Coari, onde a Petrobras, uma das maiores companhias petrolíferas do mundo, produz há alguns anos muito gás e petróleo, combustíveis que são responsáveis hoje pelo repasse anual de mais de R$ 1 bilhão para os cofres públicos amazonenses em pagamento de royalties e de impostos. Trata-se de uma cifra significativa, correspondente a 17,5% da arrecadação anual do Estado que detêm hoje, com a Zona Franca de Manaus, um dos maiores parques industriais do país.

Lá embaixo, estava a primeira e grande província petrolífera da Amazônia. E, em cima, ansiosos e muito atentos, os membros da comitiva acreana, que foi a Urucu ver de perto o que é extrair gás e petróleo no meio da floresta. Os acreanos eram liderados pelo senador Tião Viana, que queria conhecer e mostrar aos seus conterrâneos a atividade econômica que poderá ser implementada no Acre a partir do próximo ano, caso os estudos de prospecção petrolífera, encomendados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) a pedido do senador, apresentem resultados positivos para a produção de gás e petróleo no Estado.

A ansiedade naquele sobrevôo em Urucu era muita. E contaminava a todos desde o dia anterior, quando o senador Tião Viana, o vice-governador César Messias e o presidente da Assembléia Legislativa, Edvaldo Magalhães, acompanhados de deputados federais, deputados estaduais, vereadores e representantes do governo acreano, da indústria, dos trabalhadores rurais, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Centro de Trabalhadores da Amazônia (CTA), e da ong SOS Amazônia, além de jornalistas, haviam embarcados, em Rio Branco, num vôo da Rico Linhas Aéreas rumo a Manaus.

Acompanhada de representantes da Petrobras, a comitiva acreana logo desembarcou no pequeno e moderno aeroporto construído pela Petrobras em Urucu para garantir o suporte aéreo dos mais de dois mil trabalhadores que a cada 14 dias se revezam para produzir diariamente, numa área desmatada de menos de 100 hectares, o total de 10 milhões de metros cúbicos de gás natural e de 60 mil barris de petróleo. São números que, resultantes de um investimento de US$ 7,6 bilhões feitos pela Petrobras até agora na região, já fazem hoje do Amazonas o segundo maior produtor nacional em barris de óleo equivalentes.

Do aeroporto, todos embarcaram num ônibus rumo à base de apoio da província, onde funcionam, a 2,5 quilômetros de distância, os dormitórios, o restaurante, a sede administrativa, o auditório e outras dependências da Petrobras. Ali, após um rápido lanche, a comitiva seguiu para o auditório da base, onde os técnicos da Petrobras exibiram um vídeo mostrando as atividades da província petrolífera, seguido de uma apresentação, no formato power-point, sobre o que a produção dos 60 postos explorados atualmente no meio da selva representa no contexto regional e nacional de geração de energia a partir dos derivados do petróleo.

Na base, os técnicos da Petrobras também mostraram o que a empresa faz para retirar petróleo e gás da selva amazônica com o mínimo de impacto ao meio ambiente florestal e com extremados cuidados ambientais, que são compartilhados e acompanhados no local por representantes de instituições sérias e respeitadas como o INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), o Museu Paraense Emílio Goeldi, além das universidades federais do Amazonas e do Pará. Os técnicos deixaram claro, ainda, para a comitiva que a Petrobras nunca “praticou, ousou e sequer pensou” em explorar derivados do petróleo em terras indígenas e em unidades de conservação, pois a legislação ambiental brasileira não permite que tal atividade ocorra nessas áreas protegidas por força da Constituição do país.


Comitiva visita canteiro de mudas, que já reflorestou dois terços da área
desmatada pela Petrobras para instalar o complexo petrolífero

Cuidados ambientais extremados da companhia

Os cuidados ambientais dedicados pela Petrobras com a selva são tão extremos que a companhia chega a perder apenas 40 litros de óleo por ano numa produção de 60 mil barris diários, o que representa uma perda irrisória em relação a uma produção anual de 3,4 bilhões de litros por ano. Isso significa que a empresa perde por ano menos óleo do que a quantidade desperdiçada em um mês, por exemplo, por um posto de lavagem de veículos. Além disso, todo o complexo de produção de gás e petróleo de Urucu é monitorado 24 horas por computadores e pode ser desligado automaticamente em caso de qualquer tipo de vazamento.

Dadas as explicações, os acreanos seguiram, então, para visitar três postos de produção de gás e petróleo, onde todos puderam sentir nas próprias mãos a extrema frieza do líquido do gás natural, que se evapora em contato com a pele. Também puderam ver, em pequenos tubos, o óleo fino de grande qualidade que é extraído em Urucu. Só aqueles três poços resultam numa receita diária para a Petrobras de mais de US$ 2,5 milhões.

Dos poços exploratórios, a comitiva seguiu para o complexo de produção denominado Arara, uma espécie de pequena floresta de canos, tubos, torres e grandes tanques de armazenamento de gás e petróleo, que ocupam uma área de pouco mais de cinco hectares, onde o petróleo extraído nos poços tem seus componentes separados em gás de cozinha e óleo bruto. O gás e o óleo separados no complexo Arara vão por dutos de 250 km, que passam por debaixo da floresta, até o porto de Coari, na beira do rio Solimões. Todas as atividades realizadas em Urucu são movidas a energia elétrica gerada pelo gás natural produzido na região.

O gás natural, depois de retirado o gás de cozinha (GLP), é reinjetado no subsolo para ser extraído posteriormente para ser transportado pelo gasoduto de mais de 600 km que vem sendo construído entre Urucu e Manaus. O gás natural também será transportado para Porto Velho (AM) através de um gasoduto de 550 km, projetado pela Petrobras para ser construído nos próximos três anos. Depois que passar a ser comercializado pelos gasodutos, o gás natural vai resultar em mais receitas para o governo estadual e os municípios amazonenses.

Do complexo Arara, a comitiva acreana se dirigiu então para a grande central de produção de mudas de árvores nativas que a Petrobras, com apoio de técnicos e cientistas do Inpa, do Museu Goeldi e das universidades da região, cultiva para reflorestar as áreas que desmatou no passado ao implantar a província do Urucu. Do viveiro, já saíram nos últimos anos mais de dois milhões de mudas de várias espécies de árvores amazônicas para reflorestar dois terços da área (cerca de 200 hectares), que foi desmatada no início da montagem do complexo petrolífero. Próximo ao grande viveiro, a comitiva pode caminhar por uma trilha na mata fechada para sentir de perto a boa energia transmitida pelos bons fluídos da floresta amazônica. (R.A.)

SOS Amazônia destaca preocupação da Petrobras com a sustentabilidade

A comitiva seguiu, depois, para conhecer outra grande central, desta vez a de tratamento de lixo orgânico e inorgânico produzido em Urucu, que é todo tratado na região, O lixo orgânico, como restos de comida e papel, viram adubo para o plantio das mudas. E o inorgânico, como latas, é prensado, embalado e levado em barcaças para a venda em Manaus. O dinheiro da venda de todo o lixo inorgânico reaproveitável da província a Petrobras doa para instituições de auxílio social na capital amazonense.

Os acreanos se dirigiram em seguida para conhecer a Escola Esperança, que a Petrobras montou em Urucu para alfabetizar e dar educação de ensino fundamental e de médio para todos os seus trabalhadores. A maioria dos mais de dois mil trabalhadores já foi alfabetizada e está cursando o primeiro ou segundo grau do ensino fundamental.

Todos os membros da comitiva acreana deixaram o complexo de Urucu impressionados com os cuidados e a sustentabilidade social e ambiental que a Petrobras dedica à produção de gás e petróleo em plena floresta amazônica, com impacto que se restringe hoje praticamente aos 100 hectares de floresta desmatados para instalar o complexo petrolífero. Trata-se de uma área bem menor do que a que costuma desmatar por ano, por exemplo, a esmagadora maioria das fazendas de gado na Amazônia.

O representante da SOS Amazônia, Miguel Scarcello, por exemplo, disse em entrevista, ao final da viagem, que o que lhe “impressionou muito” foi a eficiência e a forma de trabalhar da Petrobras. “Isso me deixou surpreendido porque não é um padrão que a gente encontra em outros locais, em outras empresas. Isso demonstra que, apesar do que diz o pessoal da Petrobras de haver risco de contaminação do meio ambiente durante 24 horas, esse padrão de controle ambiental deixa a gente até um pouco mais tranqüilo no caso de haver (no Acre) essa possibilidade de exploração petrolífera”.

Segundo Scarcello, “nesse aspecto (ambiental) a gente pode considerar que é um ponto positivo e muito favorável”. “Eu pessoalmente sou muito resistente à matriz energética (do petróleo), pois acho que deveríamos apostar em outra (matriz). Mas acho que, como o senador (Tião) falou, como não tem outra, é tentar explorar essa de uma maneira mais segura possível e a que traga mais benefícios”. (R.A.)

 

 

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Rio Branco-AC, 5 de abril de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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