| COTIDIANO | |
Aleac realiza sessão especial em homenagem às mulheres Representantes de todas as camadas sociais lotaram a plenária para receber homenagens de deputados e vereadores |
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A plenária da Assembléia Legislativa do Acre (Aleac) ficou pequena ontem para abrigar as dezenas de representantes dos vários segmentos da sociedade acreana convidadas para receber, com antecipação, as homenagens alusivas ao Dia Internacional da Mulher. A data de hoje é considerada pela maioria um momento de reflexão sobre o papel da classe feminina na mudança dos valores culturais e nos novos caminhos que a humanidade toma rumo ao futuro. A sessão foi proposta de forma coletiva pelas deputadas estaduais Idalina Onofre (PPS), Maria Antônia (PP), Perpétua de Sá (PT), Naluh Gouveia (PT) Antônia Sales (PMDB) e pelas vereadoras de Rio Branco Ariane Cadaxo (PC do B), Maria Antônia (PT) e Beth Pinheiro (PPS), além da deputada federal Perpétua Almeida (PC do B). A sessão especial envolveu todos os parlamentares do Estado e do município. Na abertura do evento, um casal de atores recitou uma poesia da escritora Cora Coralina e o grupo musical Som da Madeira tocou a canção Aquarela do Brasil e o Hino Acreano no ritmo de “choro”. Em seguida, a deputada Idalina usou a tribuna para ressaltar a valorização da mulher e emocionou todos os presentes quando não conteve as lágrimas ao lembrar do filho adolescente que se suicidou há poucos dias, em Cruzeiro do Sul. No entanto, a parlamentar afirmou que o 8 de Março não é apenas uma data comemorativa, mas de um momento que exige uma ampla reflexão sobre o papel da mulher na sociedade. “A violência doméstica reinante na sua forma silenciosa ainda causa muitas vítimas. Mas as mulheres vêm demonstrando que são persistentes e corajosas, mostrando êxito nas suas ações para o presente e o futuro”, completou. O presidente da mesa diretora da (Aleac), Edvaldo Magalhães (PC do B), afirmou que a homenagem prestada às mulheres é uma forma de inserir na pauta da casa as questões que ainda estão pendentes no que se refere aos debates de gênero. “Precisamos aproveitar esses momentos não apenas para fazer homenagens, mas para tomar algumas iniciativas, e a assembléia vai anunciar, inclusive hoje, a realização, a partir da Semana da Mulher, de uma bateria de seminários visando discutir questões que na nossa opinião urge. É preciso encontrar caminhos para solucionar questões como a gravidez na adolescência e o planejamento familiar”, explicou. Magalhães assegurou que a data significa o início de um debate importante sobre a situação da mulher no Estado do Acre. Para ele, o número de mulheres no parlamento significa que a sociedade está amadurecendo e se conscientizando da necessidade de se ter equilíbrio em todos os setores, inclusive na representação parlamentar. “Queremos que elas próprias escolham o slogan para o cartaz da nossa campanha.” Muito já foi conquistado, mas a luta continua Tanto as parlamentares estaduais quanto as municipais afirmam que a classe feminina avançou na defesa, conquista dos seus direitos e na ocupação de espaços que antes eram ocupados exclusivamente pelos homens. No entanto, elas ressaltam que já houve muitas mudanças nos valores culturais e que atualmente, apesar de ainda ser responsável direta pela educação dos filhos, a mulher está disputando com igualdade o mercado de trabalho e aumentando a renda familiar. “Mesmo depois de onze anos de luta, eu ainda tremo por ver que as mulheres já avançaram muito na defesa de seus direitos”, observou a vereadora Maria Antônia (PT), reconhecida por sua luta à frente do Sindicato dos Bancários e outros movimentos sociais. “Hoje temos cinco deputadas estaduais, três vereadoras, uma deputada federal e uma ministra. Essa é uma luta bonita. Já houve muito avanço, mas se reunirmos todas as mulheres que se destacam veremos que ainda falta muito, ainda há muita mulher precisando da nossa luta, do nosso empenho”, declarou. A vereadora Beth Pinheiro (PPS) disse estar feliz de ver o quanto já foi conquistado, sendo que ainda há muito a se lutar para melhorar. “A batalha continua. Eu tenho certeza da nossa competência para assumir qualquer posto. Hoje a mulher tem se destacado por ser polivalente, isto é, cuida dos filhos, da casa e ainda ajuda na renda familiar. A mulher é capaz e ama verdadeiramente.” A deputada Maria Antônia (PP) disse que a homenagem é o mínimo que os parlamentos podem fazer pelas mulheres do Acre. “Para nós é uma alegria compartilhar esse momento com as diversas representantes dos segmentos sociais”, confirmou. Mulheres símbolo de luta A vereadora Ariane Cadaxo (PC do B), autora de propostas como a ampliação da licença maternidade para as servidoras do município e a criação de quotas específicas nos projetos habitacionais para mulheres mantenedoras de lares, também esteve presente à festa de homenagens na Aleac. Para ela, o cenário da classe feminina nos últimos anos é positivo, porque apesar da discriminação em relação à ocupação do espaço de trabalho e as perdas salariais em relação ao homem somam-se muitos avanços. “Temos exemplo de mulheres que atuam com toda competência em setores que vão desde os escritórios, ao poder legislativo, judiciário e executivo, entre tantos outros, além da responsabilidade do lar”, lembrou. Ela fez questão de frisar os nomes da deputada Perpétua Almeida e da ministra de Meio Ambiente Marina Silva, cuja luta começaram no Acre e hoje são modelos de atuação no Congresso Nacional. “A gente faz o que sabe de melhor, isto é, colocar o sentimento em tudo o que constrói, lutar e insistir em tudo aquilo em que acredita”, completou a parlamentar. Ela, que é uma das árduas defensoras da aplicação da “Lei Maria da Penha”, acredita, que apesar da complexidade de tal legislação, seu corpo trás em si uma questão principal, que é tratar a violência doméstica como um crime grave. “O homem agora sabe que se agredir a mulher vai preso e não tem mais que pagar apenas algumas cestas básicas para se ‘safar’ da cadeia”, asseverou. Para Ariane, hoje é um dia de se comemorar. Não se trata de uma data em que se usa a tribuna do legislativo para falar de discriminação, mas de festeja os tímidos avanços e conquistas. “Afinal é o Dia Internacional da Mulher, por tudo que somos: mães, filhas, guerreiras e educadoras de uma geração que caminha para um futuro melhor e mais bem esclarecido.” Um olhar masculino sobre o universo da mulher O líder do governo na Aleac, Francisco Cartaxo (PT), lembrou que a mulher já demonstrou sua capacidade no mercado de trabalho e especial contribuição na reformulação dos valores culturais da família e da sociedade em geral. Para ele, a prova dos avanços está nos cargos que elas hoje ocupam, quando julgam (magistradas), defendem (advogadas), legislam (vereadoras, deputadas, senadoras), administram Estados (governadoras) e não descuidam da educação dos filhos. O vereador Pascal Kalil (PC do B) também reconhece a força transformadora da mulher e lamenta que ela ainda seja vítima de violência pelo fato de ser mulher. “É uma data comemorativa, mas também um momento para despertar a atenção da sociedade para o preconceito que ainda existe em relação às mulheres e a necessidade de valorização, permitindo que ela ocupe o espaço que lhe é devido”, destacou. |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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