VARIEDADES

A história do teatro acreano em 27 anos

Fundada no final da década de 70, Federação de Teatro do Acre mostra sua importante trajetória em exposição no Sesc

 


Andréa Zílio

Conhecer a história da fundação da Federação de Teatro no Acre (Fetac) é ir ao encontro de pessoas, de ideologias desde o período em que tentavam vencer as opressões do regime militar, e apaixonados pela arte, acreditavam que a manifestação de idéia era possível e tinha grande efeito, até os dias de hoje, em que se busca uma política concreta para a cultura.

Esse arsenal da origem e história da Fetac, que nos primeiros anos de vida foi responsável não só pelo teatro, mas também por todas as demais expressões artísticas que se produzia no Acre, está disponível desde ontem, no Serviço Social do Comércio (Sesc), no Centro, em uma Mostra que será realizada até o dia 14.

Com sua fundação, em 1978, a Fetac assumiu a responsabilidade não só de organizar a classe de atores, mas era também a autora de atividades com artistas plásticos, músicos e outros. Como uma entidade que representava todos os artistas acreanos, suas bandeiras de luta deram espaço de arte à Rio Branco, como o Cine Teatro Recreio e o Teatro Arena.

O atual presidente da Fetac, Lenine Alencar, explica que na história da entidade há um vácuo, um período de estagnação, que foi de 1989 a 1996, quando ficou desativada, e houve algumas tentativas de reativá-la, mas o próprio momento político não possibilitava.

A Mostra será uma comemoração com exposição cronológica da existência da Fetac, que no final de 1996 foi retomada a permanente funcionamento até o momento.

História da Fetac

A Fetac foi fundada a partir da iniciativa de grupos de teatro que eram de comunidades eclesiástica de base, e pararam de fazer espetáculos religiosos expondo na arte os conflitos sociais, dessa forma foram sofrendo duras críticas dos conservadores.

Mas não foi somente a necessidade dos atores que deu origem a Federação, como entidade para que fossem amparados. Outras entidades, partidos de esquerda, pessoas ligadas a universidade do Estado e o jornal O Varadouro abraçaram a causa.

A Fetac passou a ser a concretização de uma resposta, da necessidade da sociedade que vivia as represálias do regime militar. “A arte sempre foi um instrumento libertador”, diz Lenine.

Nessa primeira grande fase muitos nomes ganharam destaque pelo apoio que deram a Fetac, entre elas estão José Cláudio, que hoje é advogado, José Dourado, professor de História da Universidade, Arnóbio Marques atual vice-governador do Estado e Julia Feitosa, que dirige a Central dos Trabalhadores da Amazônia.

Continuando a história

Em um segundo momento, foi construído através da Fetac, o Teatro Horta, que hoje funcionava como Centro da Juventude da Estação. Na época, a diretoria integrada por um grupo de teatro, deixou e foi assumir o novo espaço de arte, assegurando que ele havia sido construído para eles, segundo Lenine.

Nessa época eram apenas oito grupos filiados, onde dois deles faziam parte da diretoria da Fetac. Com o abandono da diretoria da instituição, os outros seis resolveram se organizar e fazer uma nova eleição, mas antes criaram uma diretoria provisória, comandado por Francis Mary, a Bruxinha.

Depois de um ano, Bruxinha continuou como presidente e aconteceu o I Congresso de Teatro do Acre, quando Silene Farias foi eleita presidente.

José Marques, conhecido como Matias, foi um grande idealizador e incentivador da cultura no Acre, e é um dos homenageados na Mostra.

Depois da conturbada e agitada década de 80, momento em que os atores abraçaram as causas de luta local e nacional, como, por exemplo, as “Direta Já” a Fetac foi assumindo novas funções.

Se renovando com atuação de veteranos e novatos, ela possui hoje 16 ativos grupos de teatro de Rio Branco, e 10 de outras cidades do Estado. Lenine fala que agora a federação está mais voltada para causas que não sejam eventuais, a prova disso, são projetos aprovados pelo Governo Federal, como o “Inter-arte-ação”, que trabalhará a formação cênica de pessoas interessadas em ser ator, ou aperfeiçoar sua profissão.

Com muita história para mostrar aos visitantes, Lenine diz que a Mostra é uma boa oportunidade para professores, alunos e comunidade em geral irem ao encontro da história do teatro acreano e suas várias manifestações artísticas.

 

 
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Rio Branco-AC, 8 de maio de 2005
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
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Com Roberta Lima
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Com Leonildo Rosas
   ANCELMO GÓIS
Com Ancelmo Góis
 
 
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