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“NAVIOS DA ESPERANÇA” DA MARINHA PARTEM PARA O ACRE E PARA O ALTO PURUS

Marinha inicia mais um ciclo de operações de assistência médica, odontológica e de orientação sanitária às populações ribeirinhas


Comunidade acorre ao atendimento
no navio Dr. Montenegro, da Marinha

O comandante do 9º Distrito Naval, Almirante Gerson Ravanelli, deu início ontem ao Programa de Operações de Assistência Médica, Odontológica e de Orientação Sanitária para as Populações Ribeirinhas da Amazônia para 2007. O programa prevê a realização de 16 operações desse tipo ao longo de todo o ano.

A primeira será realizada no Alto Juruá e no Alto Purus, abrangendo o Estado do Acre e parte do Estado do Amazonas.

Dois navios deveriam zarpar de Manaus ontem em direção ao Alto Juruá e ao Alto Purus, para missão de mais de 3 meses contínuos.

Ontem, às 10 horas, zarparam da Base Naval do Rio Negro, em Manaus, 2 navios da frota do 9º Distrito Naval, os navios “Dr. Montenegro” (U-16) e o “Oswaldo Cruz” (U-18).

O navio “Dr Montenegro”(U-16), foi designado pelo Almirante Ravanelli para atender aos ribeirinhos de toda a calha fluvial do Alto Juruá, abrangendo as comunidades que se situam nas áreas de 27 diferentes municípios.

De Manaus, o navio irá diretamente para a cidade de Cruzeiro do Sul, no Acre, onde só chegará no dia 26 de janeiro. Nesse percurso, entre Manaus e Cruzeiro do Sul, o navio irá percorrer cerca de 1.804 milhas náuticas (3.600 km). Serão 20 dias consecutivos de viagem, atravessando trechos de navegação extremamente difícil, onde curvas traiçoeiras, troncos submersos e a forte correnteza provocada pelas cheias exigirão toda a perícia do Comandante do navio, capitão-de-corveta Leonardo da Silva Melo e de sua tripulação composta de 18 oficiais, dos quais quatro médicos, seis dentistas e dois farmacêuticos e mais 67 praças, incluindo cinco enfermeiros.

A partir de Cruzeiro do Sul, o navio passará a atender às comunidades situadas nas áreas de 27 municípios diferentes ao longo da calha do Rio Juruá.

Para cumprir esta missão no Alto Juruá, o navio “Dr. Montenegro” (U-16) permanecerá em operação 106 (cento e seis) dias contínuos, só regressando à base da Marinha em Manaus no dia 24 de abril, ou seja, três meses e meio depois de sua partida.

Já o navio “Oswaldo Cruz” (U-18) que também zarpa no dia 8 de janeiro, no mesmo horário, foi designado para atender às comunidades do Alto Purus, inicialmente, e em seguida o Médio Purus, com previsão de proporcionar serviços de assistência a 84 comunidades.

Sob o Comando do Capitão-de-Corveta Rodolfo Góis de Almeida, a tripulação do navio “Oswaldo Cruz” (U-18) é constituída de 17 oficiais, sendo 4 médicos, 4 dentistas e 1 farmacêutico e 56 praças, dos quais 4 são enfermeiros. A sua missão será concluída no final de março, quando regressará à base em Manaus, totalizando 82 dias contínuos em operação de assistência médica, odontológica e sanitária aos ribeirinhos.

Helicópteros da marinha e lanchas também serão empregados na operação

Para levar os médicos, dentistas e enfermeiros da Marinha às comunidades onde a profundidade dos rios é insuficiente para a passagem dos navios, serão empregadas lanchas de apoio e aeronaves do Esquadrão de Helicópteros da Marinha em Manaus, que podem decolar e pousar a bordo dos navios do 9º Distrito Naval. Nesses helicópteros e lanchas também são levados equipamentos médicos e odontológicos portáteis para atendimento em terra, os mesmos que são normalmente usados em situação de combate.

Uma outra vantagem do uso dos helicópteros e lanchas rápidas é a possibilidade de realizarem o que se chama, tecnicamente, de “evacuação aeromédica”, isto é, a remoção de pacientes para os navios, quando a gravidade do estado em que se encontram exige o tratamento a bordo, onde há facilidades, inclusive, de centro cirúrgico.

Navios estão prontos para realizar, nesta primeira operação, 110.000 atendimentos

O Comandante do 9º Distrito Naval estima que nesta primeira operação de assistência às populações do interior sejam realizados 110.000 procedimentos médicos, odontológicos, e exames laboratoriais, abrangendo 115 localidades diferentes, englobando o Alto Juruá e o Alto e Médio Purus.

Prontos para zarpar, já completamente abastecidos com combustível, alimentos e todos os tipos de necessidades logísticas para a longa missão, os navios também recompletaram os seus estoques de material a ser utilizado nos atendimentos ou a serem distribuídos aos ribeirinhos, sempre gratuitamente. São medicamentos, vacinas, material odontológico, instrumental, e uma série de outros itens, como, por exemplo, de higiene bucal, e aqueles necessários para realizar exames laboratoriais que, igualmente, são feitos de forma gratuita.

Os navios passaram por um rigoroso período de manutenção não só de seus sistemas operacionais, mas, também, dos equipamentos do setor de saúde, de modo a alcançar as metas esperadas sem qualquer problema.

Serão realizadas mais 15 operações de assistência aos ribierinhos neste ano. A meta é chegar a 200 mil atendimentos em 2007

Obedecendo a um rigoroso planejamento operacional e logístico, de modo a beneficiar toda a área da Amazônia Ocidental e parte da Amazônia Oriental, divididas pelo Comando do 9º Distrito Naval em “Pólos de Atendimento”, as operações de Assistência Médica, Odontológica e de Orientação Sanitária são realizadas pela Marinha há mais de 30 anos.

O Almirante Ravanelli programou para este ano, além desta, outras 15 operações de assistência aos ribeirinhos que ocorrerão no período de janeiro a dezembro, esperando atingir cerca de 520 comunidades da Amazônia, nas margens do Solimões, Purus, Juruá, rios Javari, Içá, Madeira, Negro, Japurá, além do Alto Amazonas, Jarí, Tapajós, Xingu, Branco, Marajó e Paraná do Ramos e o Auti-Paraná.

Segundo o Almirante Ravanelli, “continuaremos a avançar na qualidade e quantidade de atendimentos e a nossa meta, para este ano é superar os resultados do ano passado, quando as nossas operações de assistência aos ribeirinhos resultaram em 199.173 (cento e noventa e nove mil, cento e setenta e três) atendimentos, o que por sua vez foi superior em cerca de 35.000 em relação a 2005”. “Se não ocorrerem contingenciamentos orçamentários, em 2007 deveremos passar de 200.000”, conclui.

Além dos atendimentos médico, odontológico, preventivo e corretivo, de vacinação e da realização de exames laboratoriais, as equipes da Marinha realizam, em todas as comunidades, uma série de palestras para os moradores sobre hábitos de higiene corporal e bucal, orientações para gestantes, hábitos alimentares, higiene doméstica e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

Com o auxílio da Informática, todos os atendimentos são cadastrados, permitindo que a cada passagem do navio em uma determinada comunidade, os médicos e dentistas da Marinha estejam de posse do prontuário de cada morador, o que permite, também, identificar patologias endêmicas e planejar de forma racionalizada o abastecimento de medicamentos necessários a cada região.

EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE ATENDIMENTOS NOS ÚLTIMOS 4 ANOS

ANO
ATENDIMENTOS
2003
97.418
2004
128.760
2005
161.197
2006
199.713

Assistência aos ribeirinhos tem elevada importância para a Marinha

Segundo o Almirante, o atendimento aos ribeirinhos nas regiões de atuação da Marinha é uma atividade considerada como de grande importância para a Força Naval. Muito embora não seja a principal missão da Marinha, mas sim uma atividade complementar da Instituição, “é uma atividade que está inserida no contexto estratégico de integração nacional, de desenvolvimento da região e da necessidade de efetiva presença do Estado Brasileiro na Amazônia, além de contribuir para a universalização da Saúde, proporcionando atendimento onde ainda não há atendimento regular por parte de outros órgãos e, não raro, só os navios da Marinha chegam”.

Complementa ainda que “esses quase duzentos mil atendimentos por ano realizados pela Marinha se devem à forma sistemática com que as operações são realizadas, e à exclusiva característica dos meios navais que são a elevada flexibilidade de emprego e a capacidade de ir e permanecer por longo tempo onde for necessário, sem necessidade de apoio externo, pois sai de sua base com tudo o que precisa a bordo, até com helicópteros e o seu combustível de aviação”.

“NAVIOS DA ESPERANÇA”

Para realizar a Assistência Médica, Odontológica e de Orientação Sanitária aos ribeirinhos, o Comandante do 9º Distrito Naval dispõe de três navios dotados de todas as facilidades necessárias, como consultórios médicos e dentários, laboratórios de análise, raio X e farmácia, além de uma enfermaria com 6 leitos cada um. São os navios “Dr Montenegro” (U-16), o “Carlos Chagas” (U-19) e o “Oswaldo Cruz” (U-18), muito conhecidos pelos ribeirinhos como os “NAVIOS DA ESPERANÇA”, um carinhoso reconhecimento pelo serviço inteiramente gratuito que prestam à gente do interior isolada em pequenas comunidades, e de onde só saem quando 100% da comunidade foi atendida.

Chama a atenção o fato de que a Marinha do Brasil acaba de ser premiada na Resenha Cinematográfica Internacional realizada na Itália pela apresentação do documentário “Navios da Esperança”, que concorreu com diversos países do mundo, na categoria Ação Social.

Novidades a partir de 2007: durante a operação os ribeirinhos terão aulas sobre cuidados com a navegação e prevenção de acidentes com embarcações, e passarào a ter acesso à internet

A partir do ano passado, o Comandante do 9º Distrito Naval introduziu uma novidade nas Operações de Assistência Médica e Odontológica aos ribeirinhos. Será feita intensa campanha de prevenção de acidentes da navegação e de segurança da vida humana a bordo de embarcações para as comunidades do interior. Enquanto médicos e dentistas fazem o seu trabalho, o 9º Distrito Naval, que também é responsável pela segurança da navegação, da segurança da vida humana a bordo de embarcações e pela prevenção de poluição das águas, mantém uma equipe fazendo palestras e demonstrações para a comunidade para prevenir acidentes, além de promover a legalização de embarcações dos ribeirinhos e habilitá-los para a navegação segura. A partir desta próxima operação, já estarão sendo distribuídas cartilhas sobre segurança da navegação e cuidados que devem ser tomados ao navegar ou utilizar o transporte aquaviário, redigida em linguagem muito accessível e direta para todas as comunidades ribeirinhas, abrangendo, inclusive, cuidados com a poluição causada pelo lixo jogado das embarcações.

Também passará a ser disponibilizada uma estação de trabalho a bordo dos navios que irão para o Alto Juruá e Alto Purus, para que os ribeirinhos possam ser incluídos, durante a estadia dos navios nas comunidades, no acesso à Internet, de forma inteiramente gratuita e com treinamento dado pelos próprios tripulantes dos navios.

 

 

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Rio Branco-AC, 9 de janeiro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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