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Leonildo Rosas |
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Mãe Mãe, Hoje será um dia diferente. Não porque o calendário econômico elegeu o segundo domingo de maio como o Dia das Mães. Isso é apenas para o comércio faturar um pouco mais. Sou daqueles que defende que não é necessária nenhuma data especial para que você tenha carinho, afeto e respeito de todos seus filhos e netos. Tanto que não costumo comprar presentes. Enquanto na maioria das casas o clima é de festa, aqui na nossa não haverá motivo para tanta felicidade. A falta de festejo não será tão-somente porque nunca fomos dados a esse tipo de comemoração. Afinal, sempre nos mantivemos distantes, como se a vida fosse algo eterno e pudéssemos reparar tudo numa outra oportunidade mais conveniente. Uma festa a mais ou a menos não fará diferença. Infelizmente, as coisas não são como imaginamos. A realidade é bem mais cruel e nos impõe desafios que muitas vezes parecem impossíveis de serem ultrapassados. Mãe, pela primeira vez em 56 anos de convivência, a senhora poderá até ter a presença de muitos dos seus entes queridos. Mas faltará alguém sentado na velha cadeira de balanço na varanda. Como disse o poeta, naquela mesa (cadeira) está faltando ele e a saudade dele está doendo em todos nós. Em matéria, ele não está mais lá e nunca mais vai voltará. É o fluxo natural da vida - nascer, crescer, gerar frutos e morrer. Meu pai, seu marido, cumpriu essa missão. Resta apenas mantê-lo vivo em espírito e tomar seus ensinamentos e exemplos como parâmetro para continuarmos a jornada até nossa hora chegar. Ser tão realista é difícil e muitas vezes parece impossível. Afinal, sua partida ainda é recente. Todos sentimos, cada um a sua maneira, a falta dele. Para não podermos perder de vista que não somos os únicos. Nesse momento, é preciso se irmanar nos milhares de famílias que também passaram pela mesma situação. Manter a união e a certeza de que dias melhores virão é importante para que a dor da perda não sirva de combustível para que novas perdas aconteçam. O sofrimento é explicado porque somos egoístas por natureza. Não gostamos de perder nada daquilo que julgamos como propriedade nossa. Esse egoísmo se transporta e vai conosco até a hora da morte. Não conseguimos imaginar partir e deixar tantas coisas para trás, mesmo sabendo que estamos aqui apenas de passagem. Esse sentimento de perda é maior entre as mães. Elas começam a perder no momento que ganham seus filhos. Eles já não são mais delas a partir do momento que põem a cabeça para fora. São de um mundo cheio de conflitos e lutas pelo poder e riqueza. Apesar de saber que perde o filho quando ganha, elas não reclamam das noites insones e do choro contínuo do bebê. Para as mães, os filhos são eternas crianças sempre necessitando de um colo, uma palavra ou simplesmente um olhar angelical e amigo. Ter força para superar dificuldades é inerente a todas as mães. Não é à toa que a dor e a felicidade se misturam no momento mais sublime de uma mulher: a hora do parto. Todos nós, seus filhos, crescemos, mas ainda somos crianças sempre precisando de um olhar confortante e recheado de afeto. Sentimos-nos fortes e capazes de sempre buscar o novo. Hoje, minha mãe, sua força talvez não seja a mesma. Você ainda sente a partida daquele que foi seu companheiro constante por décadas. Vocês passaram por momentos felizes, mas as dificuldades são marcas mais profundas num relacionamento que fez mais do que bodas de ouro. Enquanto você ainda chora, saiba que sempre estaremos ao seu lado. Sabemos que é difícil, apesar de sermos muitos, suprir a ausência de nosso pai. Os amores são diferentes. As relações também. A única palavra de conforto que posso dizer é que eu amo você muito todos os dias e para sempre. Parabéns! PS.: Artigo escrito em homenagem à minha mãe, Orieta Rosas, e a tantas outras que têm o coração recheado de amor por seus filhos. * Jornalista |
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