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VARIEDADES

O Poeta do Seringal Cachoeira

J.Díaz
Elias Campos mostrou seu
dom poético durante evento que
inaugurou chalés no seringal Cachoeira


J.Díaz

Como a maioria dos seringueiros acreanos, Elias Campos Barbosa (34), pai de três filhos, é um homem simples, tímido e de pouco falar, mas que esconde no seu silencio, alem da sabedoria sobre a riqueza da floresta e tudo o que nela existe, uma inteligência admirável para em um de re repente, fazer um repente bem florido ou compor uma letra e melodia, para os temas mais diversos do seu cotidiano.

Na última sexta feira em uma reunião que a Secretaria de Turismo organizou no Seringal Cachoeira, para discutir e organizar os trabalhos da pousada local, que será inaugurada em breve, não sabíamos nada, ou melhor, não conhecíamos quem era na verdade o Elias Campos, que também timidamente estava participando desta reunião.

Somente no intervalo, durante o almoço, foi que o Elias, naquela simplicidade, chegou bem de mansinho junto a mesa do Secretario de Turismo Cassiano Marques, cantando um repente e logo em seguida contando sobre sua historia de vida, revelando-se um verdadeiro poeta da floresta, nascido na colocação Porto Alegre do Seringal Cachoeira.

``Foi vendo as capas bonitas daqueles discos grandes de vinil do Amado Batista e da Roberta Miranda, que enraizou em mim o grande desejo de ser cantor. Gosto muito deles, e foi ouvindo suas músicas em um pequeno toca-disco a pilhas que tínhamos no seringal, que eu comecei a cantar junto com Eles e logo decidi a escrever minhas próprias músicas´´ Assim, Elias Campos começou a nos descrever como descobrira sua inclinação pela música e o seu dom especial para escrever com tanta facilidade. Para realizar-se como compositor e poeta, Elias já tem mais de 40 composições prontas para serem gravadas, e se tornar um compositor e poeta. Tendo Inclusive recebido propostas de pessoas não muito serias, para compra de suas músicas, o Poeta do Cachoeira lamenta-se dos políticos, quando nos conta que já subiu ao palanque de diversos candidatos para cantar seus repentes, nas épocas de campanha, e que nunca recebeu um centavo dos mesmos e muito menos uma ajuda ou orientação sequer, para poder gravar seu disco e mostrar seu talento.

Cabe aqui a nossa sugestão a Fundação Elias Mansur e a Fundação Garibaldi Brasil para que pesquisem nas nossas matas e saiam ao encontro destas pessoas que a pesar de verdadeiros talentos, seja nas artes musicais, plásticas, cênicas e até no desporto, vivem no anonimato, apenas por sua simplicidade, humildade e até por falta de conhecimento e acesso as oportunidades oferecidas. Estes homens talentosos, frutos da sapiência da nossa Amazônia, precisam apenas de uma orientação, de um incentivo para realizarem seus sonhos, através de um simples projeto, como os que hoje são apreciados por estes órgãos de apoio a culturais.

UM CANTO PARA O TRABALHADOR
Por Elias Campos (a composição de que mais gosta)

Terra Tombada queimada planta semente
Essa é a vida de um pobre lavrador
Ele trabalha dia e mês de sol a sol
E o seu trabalho troca por pouco valor.

Satisfação que ele tem com a família
E ver os filhos saírem cedo para estudar
Roupa rasgada toda cheia de poeira
La na porteira meus filhos vem me encontrar

Pai ta cansado já terminou o trabalho
Vamos pra casa para o senhor descansar
Eu lhe respondo meu filho do coração
Trabalhar é uma missão, pobre não pode parar

Essa é a vida do lavrador
E o seu trabalho troca por pouco valor
Essa é a vida do sofredor
Do pobre homem, chamado de trabalhador.

 
 
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Rio Branco-AC, 9 de maio de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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