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POLÍTICA

Em quatro anos de gestão, Raimundo Angelim escreve uma nova história de cidadania que orgulha a cidade de Rio Branco

Val Sales


O prefeito Raimundo Angelim termina seu mandato este ano. Para a população, ele já pode considerar que cumpriu a missão que propôs. O homem franzino e humilde, que assumiu o desafio de promover a cidadania em Rio Branco, mesmo quando a cidade fervia no caos e a população havia perdido a fé, mostra hoje que é possível fazer uma transformação de valores usando chaves simples como o respeito e o compromisso com o dinheiro público.

Ele acorda cedo. Nas primeiras horas da manhã percorre os bairros da cidade, vistoria as obras em execução, conversa com os engenheiros e ouve os moradores. Seu nome se tornou popular na boca das “Matildes”, das “Marias” e dos “Joãos”, das pessoas do povo que observam contentes a transformação das vielas, ruas e praças de sua cidade. Esses mesmos personagens anônimos da multidão é que afirmam que a capital era uma antes de Angelim e outra depois dele.

Apesar dos títulos, homenagens e moções que recebeu nos últimos anos como um grande gestor, Raimundo Angelim permanece o mesmo homem simples e fiel ao propósito único de transformar a cidade de Rio Branco em um lugar melhor para se viver. Ele é o nome mais cotado pela Frente Popular para concorrer ao cargo e permanecer à frente da prefeitura, mas foge do assunto e deixa claro que seu trabalho ainda não terminou. Exemplo disso pode ser sentido na entrevista a seguir, onde Angelim também fala das obras da Operação Cidade e de outros projetos.

O que a população pode esperar da Operação Cidade 2008?
As obras em execução foram discutidas com a comunidade por meio dos conselheiros das regionais. Nelas está contida uma série de ações como piçarramento, pavimentação de ruas, construção de praças, de centro de saúde e centros culturais, além de quadras de esporte e serviços de drenagem, entre outros.

É verdade que no inverno se trabalha menos?
A operação ocorre nessa época porque no verão a gente tem mais facilidade de trabalhar, mas não significa que no inverno ninguém trabalha. Pelo contrário, esse sistema de trabalhar no período chuvoso começou na gestão de Jorge Viana na prefeitura. Antes se dizia que se fazia caixa no inverno para trabalhar no verão e a população ficava “a ver navios” no inverno. Nesse período de chuva, por exemplo, fizemos todo o serviço de drenagem, água e esgoto em bairros como Laélia Alcântara, Novo Calafate e Boa União.

Que intervenções o senhor considera mais importantes?
As mais importantes que eu vejo estão na área de infra-estrutura. Muita gente diz que só asfaltar já está bom, mas em todas as ruas onde se faz pavimentação em tijolos ou asfalto a gente no mínimo faz a drenagem. Agora estamos inaugurando um serviço interessante em oito bairros, colocando água, esgoto e uma estação de tratamento de esgoto no próprio bairro. Em muitos deles o serviço já está quase concluído, e assim a gente faz uma organização completa.

E as obras que não aparecem, como as de saneamento, que ficam embaixo da terra?
Na hora que a gente pavimenta, as pessoas esquecem tudo que há ali embaixo da terra. No entanto, isso tem impacto positivo na área da saúde. Já disse em outras ocasiões que qualquer gestor, de qualquer cidade brasileira, que não fizer com que uma criança sorria saudável, porque o esgoto não está correndo a céu aberto, é melhor ele pedir as contas, botar a viola no saco e ir embora. São obras importantes e que não aparecem. Muitos políticos chamam essas obras de “enterrar canos”, mas acho que isso promove uma melhor qualidade de vida.

Muito se tem falado da dengue no país. Rio Branco está imunizada?
“Hoje temos a dengue controlada com baixo risco de contaminação, apesar de estarmos atentos e observá-la como um perigo iminente. Mas isso é resultado de um trabalho conjunto da saúde, associado à limpeza da cidade, saneamento, limpeza do entulho dos quintais e da grande contribuição da comunidade, que compreendeu a necessidade de participar do processo de prevenção.

Depois do perigo de alagamento, como o município está se preparando para o período de estiagem?
O nível do Rio Acre tem um indicador que eu uso nos 365 dias do ano. No inverno a nossa preocupação é com a alagação e no verão nos preocupamos com a seca. Já fiz reunião com minha equipe sobre a vazante. Nessa época começa a erosão nas margens do rio em função dos desmatamentos das matas ciliares. Também já estou me reunindo com a direção do Saerb para que a gente comece a se preparar para a possibilidade de ter que usar bombas flutuantes em situações de emergência.

O que o Plano Diretor trará de benefício para as populações que moram em áreas de risco?
Com a realização do Plano Diretor nós conseguimos identificar em Rio Branco quais as áreas próprias para a habitação. No entanto, na hora que se tira essas pessoas e coloca numa área plana, outras vêm e ocupam o mesmo espaço. A questão é manter essas áreas inabitadas em virtude dos perigos que os moradores correm. Inclusive, nesse caso, o Plano Diretor proíbe a prefeitura autorizar qualquer edificação em áreas impróprias.

A prefeitura tem algum plano para resolver a questão nessas áreas?
Estamos estudando um projeto para a área do Preventório e do antigo Papoco. Estamos vendo uma forma de amenizar a situação das famílias criando um projeto habitacional onde elas possam transferidas. Temos ainda uma parceria com o governo do Estado para a construção de miniparques nas regionais de Rio Branco. Um projeto arrojado na área de habitação, mas voltado para essas áreas onde haverá intervenção.

O padrão de qualidade das obras está formando munícipes mais exigentes?
A gente vê com entusiasmo o nível de demanda e de preocupação da população. As pessoas estão cada vez mais exigentes, e isso é um direito delas. Eu me associo a elas porque acho que isso é cidadania. Estive na semana passada visitando obras no Laélia Alcântara e convidei o senador Tião Viana para ir comigo. Para aquele local os títulos definitivos das propriedades também estão todos prontos, porque essa é uma das exigências do governo federal. A lei afirma que quando a prefeitura faz a intervenção de urbanização ela é obrigada a regularizar a situação fundiária dos moradores. Passou o tempo em que tudo se fazia de qualquer jeito. De qualquer jeito eu posso fazer com meu dinheiro, mas com o dinheiro público a coisa tem que ser bem feita.

O município sempre reclamou da baixa arrecadação, como está o sistema hoje?
Quando assumimos a prefeitura em 2005 tínhamos 80% de inadimplência, ou seja, somente 20% das pessoas pagavam IPTU. Hoje 40% delas pagam, mas ainda faltam 60%. Muitas vezes as pessoas reclamam do valor do imposto que é pago uma vez por ano. Nesse sentido, em outras cidades, quando a prefeitura faz uma obra como o asfaltamento, os munícipes pagam um acréscimo no IPTU. Aqui no Acre a gente faz tudo sem cobrar nada de adicional no imposto. Eu acho é que a gente tem que contribuir com a cidade. Na medida em que a gente paga o IPTU as melhorias aparecem. Sou acreano de Rio Branco e também participo. Quando terminar meu mandato vou continuar morando aqui e quero ver minha capital linda.

O que dizer aos moradores do bairro São Francisco que cobram melhorias e reclamam da demora na obra da ponte?
Uma empresa de Goiás está fabricando a ponte pré-moldada. Já chegaram 28 toneladas de equipamentos e está previsto para chegar nos próximos dias mais carretas com as peças. Materiais como cimento e ferro estão em falta em todo o Brasil em função do PAC e do que está se construindo nas cidades. Estamos em contato direto com a empresa e nesta semana deve chegar outra carreta com material. Com a conclusão da ponte, a gente imediatamente começa a fazer a pavimentação da rua Joaquim Macedo.

Agora, a pergunta que não quer calar: o senhor é candidato à reeleição?
Eu recebi um convite da Frente Popular. Ainda não me pronunciei a respeito do assunto. Ainda não falo sobre isso, até porque sou muito disciplinado com relação à legislação e estarei me pronunciando quando a legislação permitir. Tenho envolvido completamente o meu dia-a-dia na execução de um plano de trabalho que não é meu, mas de toda uma coletividade que me elegeu. Tenho o compromisso de fazer frente a esse desafio que é cuidar de uma cidade que tem muitos problemas, mas que também tem uma equipe de governo do Estado e de uma prefeitura que estão juntas para resolver as questões.

 
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Rio Branco-AC, 09 de maio de 2008
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
P E S Q U I S A