COTIDIANO

Casos de aftosa na Bolívia preocupam autoridades acreanas

Idaf se reuniu com bolivianos para discutir estratégias de fiscalização

 


Whilley Araújo

Autoridades ligadas à área de defesa agropecuária do Acre e da Bolívia estiveram reunidas durante os dois últimos dias para traçar estratégias severas de combate à entrada de qualquer produto de origem animal do país vizinho no Brasil.

Na reunião da quinta-feira, que aconteceu em Cobija, ficou acertado que serão reivindicadas à polícia da Bolívia junto com o serviço sanitário do país ações de proibição do transporte de carne bovina oriunda de departamentos onde há incidência de casos de aftosa para cidades que são áreas livres da doença.

Ontem, o presidente da Federação de Pecuaristas dos Departamentos de Beni e Pando, Carlos Quaino, veio ao Acre e conversou com o presidente do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), Paulo Viana, além de autoridades do Ministério da Agricultura.

“Essa segunda reunião foi no intuito de oficializar a fiscalização do trânsito de animais dentro da Bolívia, além de sugerir que o governo daquele país faça a vacinação de gados no mesmo período em que é feita a campanha de vacinação contra a Febre Aftosa no Brasil, assim como a criação de um programa de controle da doença, via governo de Pando”, destaca Viana.

Uma outra ação pedida pelo Idaf diz respeito à questão do cadastro das propriedades que criam gado do lado boliviano. O ideal é que todas as propriedades onde há presença bovina sejam incluídas na fiscalização.

“Assim, os dois países vizinhos poderiam disponibilizar esse cadastro um para o outro, o que é muito importante para a fiscalização”, ressalta o presidente do Idaf.

Proibição do Rio Grande do Sul é embargo comercial

Paulo Viana diz que foi pego de surpresa com a notícia de que o Rio Grande do Sul tinha proibido a entrada de carne oriunda de Rondônia e Acre em seu território.
“É uma atitude que nos preocupa, por isso já estamos tomando providências para reverter a situação. O Acre é considerado área livre de Aftosa pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), único órgão que poderia baixar a portaria de proibição”, comenta o presidente.

Ele classifica a decisão das autoridades gaúchas como um embargo comercial, “tendo em vista que a carne comercializada pelo Acre é de grande qualidade e tem preço competitivo no mercado brasileiro”.

Viana frisou ainda que o foco de Aftosa foi detectado há mais de mil quilômetros de distância por estrada do Acre, sem contar que a carne de Santa Cruz precisa passar pela fiscalização de Beni e Pando (considerados áreas livres de Aftosa pelo órgão oficial agropecuário da Bolívia), onde há uma barreira forte de fiscalização. “Vale ressaltar que só em Beni há três milhões de cabeças de gado, sendo assim, os pecuaristas não deixam entrar carne bovina oriunda de um local que não seja seguro”, pontuou. “Isso mostra que não há possibilidade da passagem de animais da Bolívia para o Brasil.”

Os municípios acreanos que fazem fronteira com o país vizinho continuam em estado de alerta, com fiscalização móvel em Brasiléia, Eptaciolândia e nas pontes.

 

 
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Rio Branco-AC, 10 de fevereiro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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