VARIEDADES

Nos passos da fotografia

Eles são jovens, cheios de sonhos e apaixonados por fotografia. Agora estão tendo a oportunidade de buscar a profissionalização nessa área

Marcos Vicentti
Karen e Júnior: depois da teoria, a prática


Andréa Zílio

O sonho de atuar profissionalmente com fotografia era acalentado pela falta de cursos específicos na área. Hoje, 30 jovens concluíram a fase básica, que inclui uma base teórica e técnica, em duas turmas que foram as estreantes da capacitação oferecida pelo governo do Estado, na escola Campos Pereira. Entre esses amantes da arte em registrar momentos estão Karen Flores de Melo, 19, e Ivonei Santos Junior, 19, que foram alunos destaque pelo esforço e persistência em aprender. Graças a essas características, ambos ganharam a oportunidade de fazer um estágio em um laboratório de fotografia ou jornal.

Com uma obstinação maior pela fotografia jornalística, eles escolheram a segunda opção e foram recebidos por toda a equipe do jornal Página 20, tendo uma atenção especial dos fotógrafos Marcos Vicentti e Regiclay Saady, que há mais de uma semana estão com a missão de lhes passar um pouco do conhecimento que adquiriram ao longo de sua carreira.

É no dia-a-dia de agitação e correria desse matutino, que os estudantes estão tendo a oportunidade de um contato mais prático de fotografia. Surpresos com uma realidade que não podem ter em sala de aula, ambos ficaram ainda mais obstinados pelo jornalismo.

Mas foi de dentro da sala de aula, durante o curso, que tiveram a idéia de se unir para montar uma grande equipe de trabalho e iniciar com atividades em outras áreas. Além disso, os que participaram dessa primeira fase terão oportunidade de estudar agora uma outra, mais avançada, em que também terão com todo equipamento necessário aulas práticas de fotografia.

O contato com a notícia

Foram dois meses de ensinamento em sala de aula e a previsão de estágio no jornal era de apenas uma semana, mas a sintonia com os profissionais do local foi tanta, que a dupla de novos talentos ficarão por mais alguns dias pegando dicas não só dos fotógrafos, mas também dos repórteres e diagramadores.

Karen, que agora é a mais nova universitária do curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Acre (Ufac), diz que alguns estudantes desistiram de concluir o curso porque acharam enfadonha a arte teórica. Afirma que ela é tão fundamental quanto a técnica. Mas é no jornal que tem se surpreendido. “Tem coisa aqui que não vemos no curso. Fotografia é muito do momento e sensibilidade do fotógrafo”, diz.

O convívio no jornal, segundo Júnior, deixou os dois estudantes mais informados. “Vimos que trabalhar em jornal exige bastante leitura. No convívio com as pessoas passamos a saber mais sobre o lugar em que vivemos, porque estamos lendo mais”, comenta.

Iniciando no click

O coordenador e idealizador do curso, que também foi professor de Técnica Básica de Fotografia, Emilson Ferreira, conta que para fotografar precisa aprender mais que só a técnica, garante que é importante também ter conhecimento da história da arte, disciplina que os 30 alunos tiveram com o artista plástico Uelinton Santana.

E não parou por aí, as professoras Suely França e Cátia Ferreira, ensinaram um pouco de literatura. Maurício Lara ensinou sobre o programa de computador Photo Shop, que, inclusive, é utilizado pelos jornais para editar as imagens. Além disso, eles tiveram convidados que palestraram sobre assuntos relacionados ao curso, como o fotografo Edson Caetano. “A grande maioria alunos são da periferia, nunca pegaram em uma câmara fotográfica e o trabalho deles ficou muito bom. Eles tiveram elementos para chegar em um resultado positivo”, diz Emilson.

 

 
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Rio Branco-AC, 11 de fevereiro de 2005
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