COTIDIANO

Servidores da educação anunciam greve para segunda-feira

Decisão foi tomada em assembléia realizada na manhã de ontem

Regiclay Saady
Assembléia dos servidores foi
realizada na manhã de ontem, na
quadra do CEBRB


Whilley Araújo

Os servidores da Educação entrarão em greve por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira, dia 16. Todas as escolas ligadas ao Estado e outras administradas pela prefeitura de Rio Branco deverão ficar sem aulas. A decisão foi tomada ontem em uma assembléia geral realizada pela categoria no Colégio Estadual Barão do Rio Branco (CEBRB).

Segundo os profissionais da educação, a paralisação é motivada pela não apresentação de uma contraproposta de reajuste salarial por parte do governo do Estado ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac).

“Na realidade, os representantes do governo nos receberam na última segunda-feira para uma conversa. Foi pedido mais um prazo porque um dos interlocutores da negociação, que é o Mâncio Lima Cordeiro, ainda não foi empossado na Secretaria da Fazenda (Sefaz), por isso não conseguiram fazer suas planilhas e seus cálculos. Os governistas pediram um prazo até 10 de maio para apresentar uma tabela de reajuste salarial”, explica Alcilene Gurgel, presidente do Sinteac.

A reunião agendada para ontem pela categoria era para avaliar a contraproposta do governo, mas como não foi apresentada, o sindicato resolveu colocar em votação a deliberação de uma greve geral. “Essa proposta foi aprovada pela maioria, sendo que quatro dos presentes se abstiveram e outros poucos se manifestaram contra a paralisação”, revela Alcilene.

Os trabalhadores exigem do governo um reajuste salarial de 26,70% , e também que os profissionais em educação lotados no município recebam salários equivalentes aos que são pago pelo Estado. A pauta de reivindicações inclui também o retorno da gratificação a título de regência de classe, suprimida dos contracheques pelo governo, além do pagamento do adicional noturno para os funcionários que trabalham como vigia.

“A paralisação irá se estender até que recebamos uma proposta que agrade toda a categoria”, assegura a presidente.

O que diz o Governo – O assessor de imprensa do Governo do Estado Itaãn Arruda, fala que o anúncio da greve pelos trabalhadores de educação do Estado causou surpresa. Ele explica que todas as lideranças da Frente Popular ao longo dos últimos oito anos tem tido uma relação aberta com os movimentos sindicais e outras organizações da sociedade civil. Esclarece que no passado, essas pessoas que hoje estão no poder, faziam greve para serem ouvidas, por isso, é próprio dos gestores do Estado o diálogo nas relações com o segmento do funcionalismo público. O diálogo, portanto, nunca foi interrompido pelo governo.

Quanto à proposta do reajuste salarial, Itaan fala que a educação em todo o Brasil terá perdas na verba repassada pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) para o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), e que isso implicará em um novo orçamento para o setor educacional, e que os dados concretos dessa mudança só serão informados ao governo do Acre a partir da segunda quinzena de abril, impossibilitando, dessa forma, previsões quando a dotação orçamentária da área. “Em respeito à classe dos trabalhadores em educação não podemos prometer o que não podemos cumprir, ainda não sabemos dessa mudança de valores, portanto, não dá para responder nada agora, mas estamos e sempre estivemos abertos ao diálogo”, diz.

Líder do prefeito na Câmara discorda da paralisação

O líder do prefeito na Câmara, vereador Márcio Batista (PC do B), afirma que as negociações entre Sinteac e prefeitura vinham sendo realizadas, por isso não havia necessidade de ser deflagrada uma greve geral.

“Embora eu respeite a decisão da categoria, não vejo motivos para uma paralisação, tendo em vista que o prefeito Raimundo Angelim não fechou as portas para uma negociação. Havia reunião prevista para acontecer essa semana. Agora vamos ver qual será o desdobramento dessa situação”, enfatizou.

 

 
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