| PÁGINA DO EMPREENDEDOR | |
| A autêntica arte da floresta Ex-seringueiro largou a diária para ser escultor inspirado na diversidade da fauna amazônica |
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Juracy Xangai
O que era quase uma brincadeira inocente de criança acompanhou-o pela adolescência e a vida adulta. Nisso foi ganhando cada vez mais beleza e perfeição pela prática, até que a vida no seringal foi ficando cada vez mais difícil e há oito anos resolveu mudar-se para Feijó a fim de trabalhar como diarista batendo quintais, fazendo cercas e empreitadas nas colônias próximas. “Trabalhar no pesado era o que eu sabia fazer, mas não era todo dia que tinha serviço, então aproveitei uma dessas paradas para recolher uns restos de madeira numa marcenaria e usei os pedaços para fazer umas colheres que tentaria vender na rua. Não deu para quem quis, acrescentei as esculturas de animais e as encomendas foram tantas que eu nunca mais consegui voltar para a diária. Graças a Deus!”. Além das colheres e outras peças utilitárias, ele que jamais recebeu qualquer tipo de treinamento, reproduz pássaros, peixes, quelônios (jabutis e tracajás), além de animais como o tatu e o jacaré e outros animais ticos da fauna amazônica. “Gosto do que faço, meus preferidos são os passarinhos, as pessoas compram muito, mas o interessante é que o animal mais vendido é o tatu, depois as canetas com miniaturas de passarinho, o terceiro mais vendido é o jabuti e as cobras, tanto que já vendi todas as que trouxe aqui para a Expoacre”, explica o artista. Antônio que atende pelo telefone 8111-3295, em Feijó, está em busca de uma loja que queira comercializar seus trabalhos em Rio Branco. “As pessoas geralmente fazem esculturas de macacos, araras e tartarugas, mas eu faço de todo tipo de bicho, passarinhos de toda cor, pirarucu, cuiu, surubim e outros porque gosto mesmo de todos os animais”, garante. JORNALISTA EMPREENDEDOR
A loja é sucesso entre os cruzeirenses e principalmente entre os turistas. Recentemente os mais de 150 universitários do Projeto Rondon, que estavam no Juruá “levaram quase tudo que havia e tive que fazer novo estoque para o novenário e o aniversário da cidade”. Explica o jornalista, que é especialista em reportagens sobre a cultura indígena e o meio ambiente. Ele gera dois empregos diretos e vários indiretos, pois compra o artesanato e a produção dos índios, ribeirinhos e outros povos da floresta, uma forma de valorizar os produtos amazônicos. “Quando uma família extrai um óleo de copaíba, por exemplo, para vender, ele sabe que precisa manter aquela árvore de copaíba viva para continuar tendo aquela renda. Então se a floresta garante a sobrevivência deles sem a destruição, eles se tornam os principais guardiões das matas”, relata Leandro Althemam, o jornalista empreendedor. E é para descobrir novos mercados e talentos empreendedores que o Sebrae promove mais um ciclo de palestras no Vale do Juruá. O consultor Lauro Santos percorreu Rodrigues Alves, Mâncio Lima e Cruzeiro do Sul com a palestra “Empreendedorismo de novos mercados”. “No Juruá, a floresta pode ser fonte de muitos negócios na área de medicamentos, cosméticos, artesanato e muitos outros. O papel do Sebrae é incentivar os talentos que existem nas pessoas para o empreendedorismo e a descoberta de novos e lucrativos negócios”, diz Lauro, que ficou entusiasmado com o público: cerca de 150 pessoas em cada palestra. “Já havíamos feito Porto Valter e Marechal Taumaturgo e agora fechamos o ciclo e percebemos lá no alto Juruá ou aqui em Cruzeiro do Sul, é grande o interesse do povo daqui no desenvolvimento”, explica o consultor. NOVOS MERCADOS SURGEM NO VALE DO JURUÁ Sandra Assunção O uso da floresta amazônica de forma sustentável gera emprego e renda no Vale do Juruá. Os óleos, resinas, fibras, cipós, sementes são transformados em sabonetes, medicamentos, biojóias, e outros utensílios que são vendidos no Acre, em outros estados e fora do Brasil. O empreendedorismo do povo do Juruá também é fundamental para o sucesso dos pequenos negócios que surgem a cada dia. Em Cruzeiro do Sul há indústrias de refrigerante, xarope e pó de guaraná, plantado na zona rural da cidade. Há ainda indústrias de café, de vela, de embarcações de aço, de móveis e sabonete como a Tawaya, que exporta os produtos para a Europa. Em Mâncio Lima, o artesão Manoel Bezerra faz no fundo do quintal, cerca de mil sabonetes de murmurú, copaíba, andiroba e outras amêndoas amazônicas. Também em Mâncio Lima, uma atividade em ascensão, é a piscicultura. Uma associação, fundada com apoio do Sebrae e governo do Estado, já garante o peixe nos mercados de Mâncio Lima e Cruzeiro do Sul. |
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