ESPECIAL
   ENTREVISTA

Andréa Zílio

Celso Luccas e Brasília Mascarenhas

Cineastas mostram devastação na Amazônia

Marcos VicenttiEles passaram mais de 10 anos produzindo e filmando o longa-metragem “Mamazônia - a Última Floresta”, que mostra com realidade e emoção a ocupação da Amazônia. O casal Celso Luccas, 52, e Brasília Mascarenhas, 42, aventurou-se nessa epopéia para dar continuidade ao sonho de produzir filmes nada comerciais e depois exibir à população que não tem acesso à telona. Toda a magia da sétima arte vai até as comunidades ribeirinhas através do projeto Cinema Ambulante.

Eles aliaram a esse clima de magia a dura realidade vivida por milhares de brasileiros. Escolheram Rondônia para mostrar todos os conflitos e aflições vividas nos Estados que integram a Amazônia. Segundo eles, o lugar mostra o que não deve ser seguido pelos outros.

Celso Luccas, que há 20 anos se dedica exclusivamente ao cinema, fez o curso superior em Londres, mas logo voltou ao Brasil para colocar em prática tudo o que aprendeu e aprimorar seus conhecimentos. Sua importante parceira, a goiana Brasília Mascarenhas, que também cursou cinema em São Paulo, acompanha-o na aventura.

Agora no Acre, eles exibem o filme, inclusive nos seringais. E prometem mais novidades por aí. Confira a entrevista que concederam ao Página 20.

Como vocês iniciaram o projeto Cinema Ambulante?

Não queríamos fazer cinema comercial. Resolvemos produzir o tipo de trabalho que gostamos, e para isso tinha de haver uma maneira de exibi-los. As salas dificilmente o fariam, por serem muito verdadeiros. Decidimos mostrar o filme em todos os lugares, levando o cinema às pessoas. Nesta etapa de exibição aqui estamos tendo o apoio do Ministério da Cultura e da Caixa Econômica Federal.

Quando começaram a gravar o filme “Mamazônia - a Última Floresta”?

Ainda na década de 80, e concluímos em 1999. Foi um processo feito aos poucos, onde acompanhamos grandes momentos da ocupação em Rondônia. Pessoas do Sul do país, de diferentes classes sociais, indo para as cidades desse Estado. Muitos chegavam aglomerados em caminhões.

Ele foi todo produzido com cenas reais?

Exatamente. Havia apenas uma idéia na cabeça e o equipamento, mas foi tudo improvisado, não havia um roteiro. Tem uma cena em que estávamos em um posto de gasolina e apareceram dois ônibus lotados de pessoas que haviam sido retiradas pelo Incra de uma área indígena e estavam sendo levadas a um acampamento. Resolvemos acompanhá-los. Chegando lá, não havia nenhum assentamento. Eles usaram a câmera para protestar e assim foi durante todas as gravações. As cenas vinham de encontro.

Qual filme produziram antes desse?

Foi o “25”, que falava da independência de Moçambique. Lá foi a verdadeira escola para minha formação. Ele passou em diversos lugares do país, ganhou o prêmio de melhor documentário no Festival de Cinema de Brasília e o prêmio especial da crítica em Taiwan, na China. E a Brasília fez também diversos curtas e médias-metragens muito bons.

Qual a principal mensagem que “Mamazônia” pode passar às pessoas?

Escolhemos Rondônia para filmar porque expõe os problemas de toda a Amazônia. Mostramos coisas que não devem ser seguidas pelos outros Estados. No fim do filme, terminamos dizendo a frase: “Aqui tudo acaba em pasto”. As cenas ajudam as pessoas a abrir o coração e a mente para essas questões da devastação da floresta. É superimportante que as pessoas o assistam.

Onde as pessoas podem assistir e o que farão quando concluírem essa etapa?

Amanhã, às 18 horas, o exibiremos no teatro Hélio Melo. Na sexta-feira, no seringal Rio Branco, e às 19 horas na filmoteca acreana. No sábado iremos a Xapuri. Em Abril devemos ir ao Amazonas, Pará e Amapá e depois, de todas as exibições que estão sendo filmadas, faremos um outro filme.

 
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Rio Branco-AC, 12 de novembro de 2003
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