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Rio Acre: ponte para o turismo Passeio de barco que leva até a cidade cenográfica no Quixadá se torna freqüente e agentes de viagem vão conferir o novo roteiro |
![]() Calor é amenizado com ducha fria. Água é coletada diretamente do rio |
O rio Acre, que antes funcionava como rua apenas para suprir as necessidades de trabalhadores que precisam das águas para suas atividades, agora se fortalece ao oferecer lazer, principalmente nos fins de semana, fomentando o turismo a partir de rotas estimuladas pela própria população. Com o término das gravações da minissérie “Amazônia - De Galvez a Chico Mendes”, as cidades cenográficas aguçaram a curiosidade dos acreanos e turistas de outros Estados, e conhecer os ambientes tornou-se uma proposta tentadora. E por falar em proposta, desde o início se comenta em parque de visitações, dessa forma, o cenário de Porto Acre, de responsabilidade do governo do Estado, logo deve ser trabalhado para receber turistas. Mas outro passeio que valoriza as águas barrentas do rio Acre já começa de forma a ser feito com a iniciativa da própria população. Ele se inicia na Gameleira e leva uma média de 40 minutos para chegar ao seringal Quixadá. Desde então, o telefone de Peregrino Maia de Araújo, 61, recebe em média de dez ligações por dia de pessoas querendo informações sobre o aluguel de seu barco Tricia. Ele tem passeios agendados até o início de março. No embalo da maré, o rio Acre convida à apreciação de sua beleza, da vida cabocla, do pôr-do-sol, à observação das brincadeiras de beira-de-rio, mas também suplica pela conscientização ambiental, que é a única defesa para conservar o que ele proporciona. No último fim de semana, empresários que integram a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-Acre), funcionários e amigos participaram de um passeio até o seringal Quixadá, com o propósito de conhecer esse novo roteiro que se consolidou entre a população e precisa ganhar formas mais adequadas para servir bem o turista. Da aventura cheia de animação surgiram diversas conversas e propostas feitas por pessoas que acreditam no turismo acreano e sabem que esse mercado é um dos que mais cresce no mundo e, se trabalhado corretamente, pode ser uma grande economia no Estado. Navegando o rio Acre Amazonense de nascimento e acreano de coração, Peregrino veio para o Acre com a família aos 11 anos de idade e foi nas águas dos rios que encontrou sua fonte de renda. Sempre indo e vindo, foi percorrendo as águas para comprar e vender borracha e castanha que manteve seu sustento e da família. Quando o grande mercado dos dois produtos se fechou, ele passou a oferecer seu barco para aluguel e a busca do transporte para lazer se tornou frequente. Mas Peregrino garante que foi a partir da minissérie que houve a grande mudança, e de aluguéis esporádicos passou a receber em média dez ligações por dia de pessoas interessadas em fazer passeios. Ele faz em torno de oito por mês, sempre nos fins de semana. Não imaginava que isso fosse acontecer. Mesmo sem informações acadêmicas sobre turismo, Peregrino vive a prática de um roteiro que surgiu espontaneamente, pela própria população, e reconhece a importância do meio ambiente. “Temos de aproveitar esse momento que o Acre vive, gente de fora e do próprio Estado quer passear, divertir-se, conhecer aqui. Depois das gravações da Globo, os passeios cresceram 80 por cento. A gente precisa se ajeitar para dar estrutura. Eu tentei fazer financiamento para melhorar o barco, ainda não consegui, mas vou continuar tentando”, diz. Sobre as águas Rio Branco pode não ser um tradicional destino turístico, mas é possível chegar a este lugar, e o rio Acre é renovador dessa perspectiva como um dos atrativos, afinal, a Amazônia sempre despertou curiosidade e o Estado é uma vitrine de suas belezas. Com sua nascente no Peru, o rio Acre banha os municípios de Brasiléia, Xapuri e a própria capital, e mais além desemboca no Rio Purus que por sua vez é um dos afluentes do rio Amazonas. Percorrer suas águas barrentas e sua beleza peculiar é um contato direto com este outro ambiente da vida nortista, que aos olhos do acreano é lugar tranqüilo e divertido, e ao dos turistas, uma beleza exótica e única que vale a pena conhecer. Acostumado com as belezas do Nordeste, Paulo Queiroz garante que o passeio de barco não deixa a desejar e aguça o sentimento de preservação da Amazônia, que tem uma beleza inesperada. A esposa Carolina Queiroz garante que só estando na Amazônia, no Acre, para ter a sessão que ela teve. “Tirei inúmeras fotos para mandar à minha família em Recife, para tentar mostrar um pouco do que eu vi”, comenta. Turismo: lazer e conforto Os associados da Abav, os abavianos, programaram ano passado realizar o passeio de barco como atividade de 2007, sendo o carnaval do turismo. O objetivo, além de reunir e proporcionar lazer aos associados, é de conhecerem um novo ponto turístico que pode ser trabalhado no médio e longo prazos na capital. O presidente da Abav-Acre, José Raimundo Morais, diz que história e beleza natural sempre foram pontos fortes a serem trabalhados pelo turismo e que o roteiro até a cidade cenográfica proporciona isso. “Aliado ao espaço, precisamos conservar a estrutura montada pela Globo, assim como cidades do Nordeste também fizeram. É necessário que exista uma organização dos donos do espaço para ter o que ver e pessoas para explicarem, além de um espaço de artesanato e gastronômico”, comenta. A agente de viagem Neyla Moraes acrescenta dizendo que planejamento é essencial na criação e fomentação do turismo em um trabalho parceiro com a comunidade. “E o Acre está com muitas chances para esse mercado.” Recriação da história Na cidade cenográfica no seringal Quixadá, a estrutura montada para as gravações da minissérie impressionam em seus detalhes, remontando um cenário rigoroso que recria uma outra época. O proprietário da área, filho de nordestinos, o acreano Adalcimar Fernandes de Lima, 41, diz que está tentando conciliar seu tempo com as atividades de professor, os estudos e os projetos para a propriedade. “Queremos organizar aqui para abrir oficialmente para visitação. Estamos aguardando a Globo enviar um acervo de figurino usado nas gravações para expor junto a fotografias, e isso está previsto para acontecer em março. Queremos estruturar aqui para receber o turista”, diz. O historiador e presidente da Fundação Garibaldi Brasil, Marcos Vinicius, diz que é necessário que haja a iniciativa do proprietário da área, e que no término das gravações gerais da minissérie o acervo estará vindo para o Acre. “Vamos dar um suporte para que o proprietário do lugar possa realizar um trabalho ali, incentivando a visitação.” A recifense Isabela Queiroz, 38, está há um mês no Acre. Auditora fiscal, ela veio para morar em Rio Branco com a aprovação em concurso público, mas garante que deseja mais que trabalhar, quer conhecer o Estado. e começou sua aventura com o passeio de barco. Isabela diz que a cidade é agradável, tranqüila e que pode crescer muito com o turismo. “Foi muito interessante a visita no seringal onde aconteceram as gravações, mas isso tudo pode ficar melhor com uma estrutura mais adequada para receber o visitante. O lugar é uma volta ao tempo, um reencontro com a história daqui, e isso tem de ser valorizado”, declara. Conscientização ambiental Falar de turismo é algo que não pode ser dissociado da questão ambiental. Turista gosta de ver beleza e as opiniões quanto às melhorias necessárias também soam nesse contexto. Em sua simplicidade, Peregrino diz que o passeio pelo rio Acre é agradável, mas a população tem de aprender a valorizar mais o que tem e mantê-lo limpo é uma necessidade não apenas de estética, mas de uma vida saudável. “Se a gente não cuidar, como pedir para os outros cuidarem? As pessoas jogam as coisas no rio e isso não pode acontecer”, comenta. Diante dos problemas ainda enfrentados em um lugar que se projeta em passos lentos, mas otimistas e firmes para uma economia de grande rentabilidade que é o turismo, os abavianos explicam que são pequenos empresários como Peregrino e a população que dão o primeiro passo e necessitam de auxílio para que a caminhada continue no rumo dessa economia. Mas alertam que o turismo precisa ser abraçado por todos para acontecer, e conservar o lugar que se vive é essencial. Serviços: | |
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