POLÍTICA

Catadores terão usina de beneficiamento de materiais recicláveis

Empreendimento será construído com recursos do Banco do Brasil

Evandro Derze
Executivos do banco se reuniram
ontem com o prefeito Angelim (D)


Resley Saab

O Banco do Brasil anunciou ontem que vai liberar quase meio milhão de reais para que a prefeitura de Rio Branco construa uma usina de beneficiamento de materiais recicláveis e reutilizáveis no Distrito Industrial. Os investimentos, de R$ 462 mil, serão essenciais para expandir o trabalho de 122 catadores de materiais recicláveis que integram o Projeto Catar, programa criado na gestão do prefeito Raimundo Angelim para promover a inclusão social desses trabalhadores.

O dinheiro será liberado até maio e as obras devem começar em outubro deste ano. Em 2006, com apenas um ano de existência, o Projeto possibilitou uma redução de 857 toneladas de produtos recicláveis que seriam remetidos diretamente para o lixão da cidade. Agora, o Banco do Brasil, por meio do seu setor de Desenvolvimento Regional Sustentável, destina esses recursos para que os catadores rio-branquenses possam ser direcionados para o mercado nacional e que, simultaneamente, estejam contribuindo com uma redução nos custos da prefeitura, na manutenção do aterro sanitário.

“Viemos oferecer condições para que essas pessoas trabalhem com mais eficiência e ao mesmo tempo, exercer um papel importante do Banco do Brasil, que é o de promover a sustentabilidade ambiental e o crescimento dos arranjos produtivos locais”, destaca Silvestre Sílvio Serrano, gerente-executivo do BB em Brasília e responsável pelo setor de Desenvolvimento Regional Sustentável do banco.

Acompanhado do prefeito Raimundo Angelim, de executivos do banco e de diretores da instituição no Acre, Serrano visitou ontem pela manhã o local onde o galpão será construído.

Para o prefeito Angelim, a usina de beneficiamento do Distrito Industrial permitirá uma redução substancial nos gastos do Município com a tonelagem do lixo que vai para o aterro. Por mês, a Prefeitura gasta, com a armazenagem de materiais orgânicos e inorgânicos, algo em torno de R$ 550 mil.

“A idéia é proporcionar mais renda para o catadores, mais organização na coleta seletiva e uma redução nos custos com o lixo pela Prefeitura”, destaca o prefeito, satisfeito por saber que Rio Branco foi incluída na rede nacional de cidades que reciclam seu lixo.

Aqui na capital, existe uma ampla rede de coleta de materiais recicláveis e reutilizáveis, graças à parceria de ao menos 12 instituições diferentes, entre escolas, supermercados, postos de combustíveis e faculdades, perfazendo 43 pontos de entregas para que a população possa estar colaborando com os catadores. No início do ano passado, eles costumavam se deslocar até esses pontos de nove em nove dias. Hoje, isso acontece a cada dois e é interpretado como um sinal de que a população está colaborando mais.

Com seus carrinhos, os catadores circulam em quatro bairros: Montanhês, Boa União, Habitasa e Universitário. Ao final cada jornada de um mês, eles contribuem com R$ 7 e mais 3% do coletado com a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis e Reutilizáveis de Rio Branco. A associação é quem vai administrar a usina do Distrito Industrial. Ao final de cada mês, a renda líquida de um catador pode atingir os R$ 500.

Profissionais estão satisfeitos

Úrsula Mara Silva de Assis, 23 anos, presidente da Associação dos Catadores, afirma que a Prefeitura de Rio Branco e os demais parceiros do Projeto Catar estão oferecendo a oportunidade da “valorização profissional”.

“Somos todos profissionais e estamos organizados para mostrar à sociedade que estamos ajudando o meio-ambiente e que ela também deve fazer a sua parte”, pontuou ela, diante das várias autoridades presentes e de seus colegas catadores. Pessoas como Maria Alves de Miranda da Rocha, de 60 anos, e que fez questão de afirmar que “não se envergonha” pela tarefa que exerce.

“É daqui que eu e meu marido, que também é catador, tiramos o nosso sustento. Por isso nem ligo para algumas brincadeiras sem graças que às vezes ouço, tentando nos discriminar. Só se Deus mandar eu paro com esta atividade”, afirma ela, em tom de desabafo pelas discriminações sofridas algumas vezes.

O secretário de Meio Ambiente, Arthur Leite, afirma que “é preciso que a população ajude nesse serviço porque com ele todos ganham. Ganha o meio ambiente, que fica mais livre de material danoso, ganha a família, que pode ter mais qualidade de vida e ganham os catadores, porque terão uma renda para sustentar a família”.

 
 
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Rio Branco-AC, 15 de fevereiro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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