VARIEDADES

Bianor Cunha conta histórias em literatura de cordel

Ele é autor de “Memórias do Seringal” e “O Drama de Geolsomina” e agora prepara para lançar seu terceiro livro: “Na Selva do Amazonas”

Cedida
Seu Bianor é paraibano e veio para
o Acre quando tinha quatro anos


Andréa Zílio

Depois de relatar os causos do seringal e o drama de uma mulher que viveu intensamente a dor e encontrou a felicidade, o seringueiro Bianor Cunha, 67 anos, usa mais uma vez a literatura de cordel para escrever seu terceiro livro “Na Selva do Amazonas”, que pretende lançar ainda este ano.

Diferente dos outros, o tema abordado no terceiro livro é a oportunidade de Bianor falar da infância, das recordações da família, em especial do pai, pois estes não são seus causos, e sim, os contado pelo patriarca da família, que ouvia com atenção quando criança. Uma forma também de homenageá-lo.

O cenário escolhido, claro, só poderia ser a selva, a floresta. Em detalhes sutis e simples ele retrata também a simplicidade da vida cabocla, fala dos bichos, da rotina, dos amores, dos sonhos. Bianor escreveu 150 folhas, que estão prontas para serem impressas.

Do sonho de ver sua primeira obra literária transformada em livro, ele foi uma as atrações levadas pela comissão acreana em um encontro cultural em Brasília, que reuniu artistas de todo o Brasil, e está preste a lançar sua terceira obra. Homem de sorte? Não. Bianor é persistente e acredita em seus sonhos.

Homem de sonhos - Paraibano, o escritor veio para o Acre com a família quando ainda tinha 4 anos de idade. Ele diz que aquele era o verdadeiro período dos soldados da borracha. Aos cinco anos ajudava nos afazeres de casa. Seringueiro do Novo Axioma, no baixo de Porto Acre, Bianor sempre teve facilidade em rimar as palavras, transformando-as em versos. Tudo ao seu redor é inspiração.

A vida na Amazônia – Ter aprendido com os pais a respeitar a floresta, é assunto de orgulho a Bianor. E foi neste ambiente que venceu as dificuldades para aprender a ler e escrever. A vida escolar foi curta, mas o suficiente para que conseguisse escrever o que pensa.

A vivência na floresta, a luta pela sobrevivência, a persistência em vencer. Esses e outros temas passaram a se fixar no papel pelas mãos do autor. É escrevendo que Bianor relata suas impressões. Em meio a realidade, o seringueiro se orgulha também das outras páginas de poesia que guarda em casa. O que escreve é seu motivo de orgulho.

Financiamento – Com a aprovação da impressão dos dois primeiros livros pela lei de incentivo à cultura, Bianor espera conseguir a aprovação no terceiro livro. Depois das histórias do seringal e do drama que envolve orgia, vaidade, sofrimento e vitória, ele quer apresentar sua obra que expressa a Amazônia. “São histórias que ouvi por toda minha vida, principalmente, de meu pai e sempre quis contar. Colocar isso em um livro através de cordel é mais um sonho”, diz.

Memória

Sou um antigo seringueiro
Que o passado não esqueci
Meu relato é verdadeiro
No livro que escrevi
Para mim foi uma glória
Em rima eu contar a história
Da vida que vivi
(Bianor Cunha)

 

 
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Rio Branco-AC, 15 de fevereiro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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