| PÁGINA DO EMPREENDEDOR | |
| O Professor Pardal acreano Apaixonado por eletrônica, Zé Hamilton cria aparelhos que surpreendem os clientes, e agora quer fabricá-los em escala |
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Juracy Xangai Quando menino, ainda em Xapuri, José Hamilton Rodrigues de Souza, 41, já improvisava caldeiras e construía redes de fios que com lâmpadas de lanterna iluminavam o quintal nas suas brincadeiras com os colegas de infância. O menino cresceu com a família e veio para Rio Branco, onde, com 17 anos, conheceu “Arnaldo”, especializado na fabricação de circuitos eletrônicos e seu primeiro professor de eletrônica. Ali decidiu que essa seria sua profissão. Matriculou-se no curso de eletrônica por correspondência da Ocidental School com duração de três anos e meio e 1.050 horas de aula. “Minha meta pessoal era tirar dez em cada prova, por isso, quando resolvia os exercícios, conferia e se não estivesse completamente certo eu ia estudar tudo de novo. Assim aprendi de verdade”, recorda. “O curso era muito caro e para pagar eu trabalhava das 22 às 4 horas da manhã numa padaria, saía de lá e ainda ia trabalhar em outra, não foi fácil, mas ninguém consegue nada sem sacrifício”, reconhece José Hamilton. Quando terminava o curso da Ocidental School aconteceu um concurso promovido pela Rede Amazônica para contratar técnicos para cuidar de repetidoras instaladas no Acre, Rondônia e parte do Amazonas. Aprovado, trabalhou cinco anos na rede, até que o então governador de Rondônia, Geronymo Santana, o “Bengala”, quis instalar 50 repetidoras em todas as localidades do interior do Estado. Saiu da empresa para montar metade delas e quando terminou o serviço voltou para o Acre em 1989. Visão de oportunidade “Quando cheguei estava aquela onda do pessoal comprar produtos eletrônicos em Cobija na Bolívia, mas 90% deles davam defeito porque sempre tinham algum componente ruim e o pessoal não sabia consertar e no Brasil não havia as mesmas peças”. Estudou a questão, desmontou alguns aparelhos danificados, fazia anotações e desenhava o circuito de cada um deles para saber somo substituir os elementos importados por peças existentes no mercado nacional. “Ganhei fama consertando aparelhos que outros eletrônicos condenavam. Como desenhava cada circuito que chegava às minhas mãos, quando acontecia um dano que prejudicava a placa eu fazia outra e recriava aparelhos inteiros”. Primeira invenção Foi nessa época que apareceram no Acre, importados da Nova Zelândia, os primeiros equipamentos com o que os fazendeiros da região instalaram suas primeiras cercas elétricas. “Os equipamentos começaram a dar problema, copiei o circuito, fiz umas adaptações para combinar com a região e logo estava fazendo aparelhos para atender o pessoal. O problema é que não dei muita atenção para aquele serviço, achei que era moda que não ia pra frente, descuidei, outras empresas entraram no mercado, mas de cinco anos para cá o negócio estourou e, graças às melhorias que fiz, já vendi mais de 700 aparelhos só no ano passado”. Nesse meio tempo, alguém trouxe para consertar um aparelho que emitia sons para repelir morcegos. Examinou a placa de circuitos, consertou e aproveitou a idéia para criar seu próprio aparelho, que pode ser regulado para espantar morcegos, ratos e outras pragas. “Quando a gente estuda eletrônica aprende que cada animal tem faixas de tolerância às freqüências do som, para montar o repelente eletrônico tive de estudar cada praga e criar um sistema para espantá-los. Funciona que é uma beleza”, garante, esclarecendo: “Tenho tanto serviço que não estou dando conta de montar estes aparelhos pra ter no estoque, só faço por encomenda”. Luz no campo Quando apareceram as primeiras placas de energia solar como solução para levar energia elétrica para comunidades isoladas na floresta, um dos principais problemas era a dificuldade em encontrar equipamentos e eletrodomésticos que funcionassem com energia de 12 volts. Ele deu solução ao problema criando um aparelho inversor que transforma a energia de 12 em 110 volts. Vendeu cerca de 400 desses aparelhos no ano passado. “Com esse inversor a pessoa pode ligar a luz e fazer funcionar aparelhos comuns como televisão, parabólica e outros usando uma placa de energia solar de oitenta watts, 24 horas por dia. “O pessoal da Eletronorte já veio aqui conversar comigo porque os sistemas que eles estão instalando nas comunidades do interior tem dado problemas e geram menos energia que os adaptados por mim e que já estão funcionando em mais de 30 propriedades”, explica Hamilton. Pulo do gato O segredo está na adaptação de potencializadores do sistema de energia improvisados por Hamilton e, principalmente, num sistema que faz com que as placas solares girem acompanhando o movimento do sol para estarem de frente a ele durante todo o dia. Isso faz com que capte mais energia que os sistemas convencionais, com a vantagem de usar apenas quatro ou cinco, em vez das oito ou dez placas de células fotoelétricas usadas no sistema convencional. “Nosso sistema de placas móveis, além de sair bem mais barato que os demais, ainda tem a vantagem de captar pelo menos 30% a mais de energia que os convencionais porque aproveita melhor a luz do sol. Montando um sistema completo e adaptando um inversor de voltagem o pessoal funciona qualquer equipamento onde quiser”, garante. Novos planos Vários são os equipamentos que José Hamilton tem na gaveta prontos para serem fabricados com inovação, mas há poucos dias procurou a equipe do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) dar um novo paço e transformar sua oficina em fábrica de equipamentos eletro-eletrônicos. Em parceria com a esposa Romilda, ele toca a Casa da Energia, que funciona na estrada do Aviário, 837, ao lado do “Ruizão”, mas atende também pelos telefones 8403-4257 ou 8402-6855. |
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E x p e d i e n t e : |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Com Leonildo Rosas |
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