OPINIÃO
   RETRATOS DO JURUÁ

Nelson Liano Jr.

 

Hiroshima, nunca mais

É muito sério. Milhões de litros de combustível armazenados em balsas terminais na frente da cidade de Cruzeiro do Sul. A sensação é de se ter uma bomba relógio prestes a explodir.

Nessa semana, a apreensão de 2.500 litros de gasolina no bairro do Miritzal dentro de um barco, no rio Juruá, expôs, mais uma vez, uma situação de risco para os 78 mil habitantes que vivem no município.

As balsas que transportam o combustível para Petrobras abastecer a região do Juruá são na verdade também depósitos de armazenamento. Até aí tudo bem. O problema é que não existe a segurança e o controle necessários.

Prova disso, o roubo de 2500 litros descoberto pela Polícia Civil. Pasmem, o combustível estava dentro de um pequeno barco acondicionado em galões alguns abertos e expostos as intempéries. É óbvio, que trata-se de gasolina roubada das balsas terminais terceirizadas da Petrobras. A apuração feita pelos policiais prendeu dois indivíduos que contaram todo esquema de furto das balsas terminais. Na casa de um deles foram encontradas ainda jóias no valor de R$ 10 mil e dinheiro, mostrando um esquema de criminalidade que envolve os furtos. Uma quadrilha que vem atuando há anos na região especializada no comércio de combustível roubado das balsas. Isso não é novidade. Até as pedras das calçadas da cidade sabem que se pode comprar livremente gasolina e óleo diesel mais baratos provenientes dos roubos das balsas-terminais no Juruá.

O assunto não é novo. Há três anos a rádio Juruá FM já tinha denunciado a situação e o risco do manuseio inadequado do combustível por parte dos ladrões colocando em risco toda a população da cidade. Com a ajuda do gabinete do senador Tião Viana (PT-AC), que pressionou a empresa estatal para um averiguação da situação, foram enviados técnicos da Petrobras que se comprometeram a armazenar o combustível longe da área urbana e a colocar seguranças treinados para evitar os furtos. Também removeram um oleoduto que passava no coração do bairro da Várzea.

Passado o tempo, a situação voltou ao que era. As balsas estão estacionadas em portos na frente da cidade, e os roubos continuam a ocorrer. Imaginem que os bandidos sacam o combustível através de torneiras laterais dos depósitos-balsas e, algumas vezes, com mergulhões elétricos, conforme apurou a Polícia. É comum os moradores do Miritzal e da Várzea denunciarem pessoas fumando em cima das balsas e até mesmo fazendo churrasco. Uma fagulha de fogo pode desencadear uma explosão em cadeia que levará todo Cruzeiro do Sul aos ares. Sem falar, no possível derramamento de combustível dentro do rio Juruá, numa tragédia ambiental sem precedentes no Acre.

Por telefone, um morador do Miritzal, que não quis se identificar, informava que enquanto os policiais prendiam o combustível roubado, a cerca de 200 m, um outro batelão carregado de óleo diesel também furtado subia o rio Juruá, a partir do Porto do Miritzal. Parece que tem gente “grande”e “poderosa”envolvida no esquema de alta lucratividade e periculosidade.

A direção da Petrobras deve entrar em contato o mais urgente possível com os policiais civis que, aliás, fizeram um excelente trabalho nesse caso, para conhecerem todo o esquema montado na região para furtar gasolina e óleo diesel. Também tem que apresentar à sociedade do Juruá alternativas mais seguras para o armazenamento de todo esse combustível. Para depois ninguém chorar sobre o óleo derramado.

Quem será o novo prefeito(a) de Cruzeiro do Sul? Façam suas apostas...
Cruzeiro do Sul terá uma das eleições mais disputadas da sua história. Mesmo para quem acompanha a vida política cotidiana da cidade fica difícil apontar um favorito. Mas uma coisa já é certa: dificilmente qualquer um, de pelo menos três candidatos, farão ataques ao governo do Estado durante a campanha. O primeiro por motivos óbvios, Zinho Santos é o candidato da Frente Popular. Mas os outros dois de oposição, Ilderlei Cordeiro(PPS) e Wagner Sales(PMDB), também deverão dirigir os seus ataques à atual administração municipal poupando o governo do Estado. Eles sabem que é muito difícil administrar a segunda maior cidade do Acre sem o apoio da bancada federal de maioria governista e sem parcerias com o Estado. Numa entrevista na semana passada numa rádio da cidade, o ex-deputado Wagner Sales, afirmou que irá mudar durante a campanha o seu estilo de fazer política, que sempre foi agressivo. Será uma espécie de “Wagner, Paz e Amor”. Vamos esperar para ver. Também o deputado federal, Ilderlei Cordeiro (PPS-AC), que mantém um bom relacionamento com toda a bancada federal dificilmente partirá para o ataque. Eles sabem que a população de Cruzeiro do Sul já percebeu claramente que brigas políticas inviabilizam a administração da cidade. Todos querem deixar os caminhos abertos, caso vençam, para as conciliações pós-campanha. Parece inacreditável, mas tudo indica para uma campanha propositiva, ao invés, das tão tradicionais “baixarias”que os eleitores já estão cansadas. Mas de qualquer maneira vale lembrar da filosofia de São Tomé de ver para crer. Esperemos, até a próxima...

 

 

 
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Rio Branco-AC, 15 de junho de 2008
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