OPINIÃO
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Raimundo F. Souza *

 

 

Resenhando Berta Becker sobre a Amazônia

Nos tempos em que está em moda a discussão sobre o futuro do planeta, aquecimento global, em especial sobre o futura da Amazônia, achamos que é oportuno ouvir e analisar o que têm a dizer as pessoas que por toda sua existência se dedicaram às questões dessa região. Na oportunidade, queremos tecer alguns comentários sobre o que comentou na entrevista fornecida ao programa da Globo News Sky, denominado “Espaço Aberta”, a professora, geógrafa e autora de vários livros Berta Becker sobre a Amazônia.

Ao ser indagada pela repórter Mirian Leitão sobre o futuro da Amazônia, a professora iniciou evidenciando as questões corriqueiras relatando que a região abriga 20% de toda a água doce do planeta, ocupa 5% da área do globo terrestre, guarda 30% das florestas tropicais ainda vivas, mas é habitada por apenas 3,5 milésimos da população mundial e que a grandiosidade da região é inversamente proporcional à sua fragilidade e vulnerabilidade perante a antiga ameaça da mão do homem.

Na continuidade da conversa, ela passou a particularizar e comentar a importância das diversas riquezas, citando a região como a única com as espécies florísticas mais exóticas, as plantas mais importantes para estudos no área da medicina, a maior riqueza e diversidade do planeta em microorganismo, a maior e mais importante diversidade de animais silvestres e peixes, o maior reservatório de água doce do mundo e também o maior potencial mineral.

Segundo Berta Becker, faz-se necessário explorar as riquezas dessa região, porém sem devastar, e nesse contexto, que podíamos denominar de extrativismo vegetal propriamente, o aspecto fundamental é o conhecimento profundo da fauna e flora a ponto de entender claramente o tempo e a forma de regeneração e/ou renovação de todos os aspectos da área trabalhada e o cumprimento das normais legais, ou seja, o tão propalado desenvolvimento sustentável, no aspecto do extrativismo, se não houver um conhecimento profundo das questões naturais envolvidas e se não for cumprida literalmente a legislação, o programa estará condenado a não funcionar e sentenciado a não se sustentar, e o que é mais greve, pode promover a devastação oficializada.

Segunda ainda a pesquisadora, para explorar e desenvolver essa região existe o interesse do pessoal das ciências, que querem preservar a biodiversidade como está; existe o interesse dos produtores agrícolas, em especial os plantadores de soja; existe o interesse dos pecuaristas, vista que o mercado nacional e internacional da carne vai continuar em plena atividade; existe o interesse das empresas e pessoas interessadas em explorar os recursos minerais e existe o interesse de uma grande população de amazônidas, nas florestas e nos núcleos urbanos, que necessitam sobreviver e também desejam o desenvolvimento da região.

Para o futuro, segundo o ponto de vista da entrevistada, nem o governo nem as pessoas e entidades envolvidas com a preservação têm a exata noção dessa complexidade, pois, todas essas frentes vão atuar cada uma defendendo seus interesses e o resultado é que essa região vai se transformar em um campo de batalha, onde qualquer uma das frentes de interesse pode prevalecer sobre a outra e dependendo de uma série de fatores, a preservação, a exploração e o próprio desenvolvimento regional desejado podem ser prejudicados.

Na opinião da Professora, a exemplo do que vem acontecendo nos dias atuais, o mais importantes para promover o tão almejado desenvolvimento sustentável na região será o cumprimento das normas estabelecidas sem qualquer desvio ou violação, para isso, sendo necessário contar com uma equipe infalível de fiscalização que permita o cumprimento integral das metas propostas, porque se houver o jeitinho brasileiro abrindo qualquer precedente, a preservação pode continuar no mesmo ritmo dos dias atuais, onde a proposta existe no papel, mas, na prática continua a exploração clandestina de madeira, a pesca ilegal, a caça predatória, as queimadas ilegais, a pirataria de espécies oleaginosas, frutíferas, aromáticas e outros desmandos, impedindo a execução da preservação da região.

Assistindo essa entrevista e observando a precaução da Professora Berta Becker, chamando a atenção para os diversos interesses sobre a região, bem como, os cuidados que devem ser tomados para levar a cabo a exploração aliada ao desenvolvimento sem devastar a região, ficamos aqui conjeturando sobre essas ongs que atuam na Amazônia, em especial as que se apresentam discursos preservacionistas, a exemplo da Guardiões da Floresta, Floresta News, AmaFlor e a mais ativa, Greenpeace, que é uma organização de origem européia, onde os paises já foram desmatados 97% dos seus territórios, ou seja, região onde está realmente necessitando da ação maciça de ativistas e organizações que defendam o reflorestamento e a preservação, mas, estranhamente ela vem atuar na Amazônia, onde apenas mais ou menos 17% da floresta está devastada. Muito estranho, não acha?

* Documentalista da Ufac

 
 
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Rio Branco-AC, 16 de março de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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