COTIDIANO

Ações contra o tráfico

Ativistas de organizações de combate às drogas querem maior repressão a traficantes na fronteira do Estado

Divulgação
Seminário reuniu diversas
instituições contra as drogas


Reunidos no auditório da Secretaria de Estado da Educação, integrantes de organizações de enfrentamento às drogas querem, entre outras providências, a instalação de delegacias de repressão aos entorpecentes nos municípios de fronteira do Acre, como Assis Brasil, Plácido de Castro, Brasiléia e Epitaciolândia. O seminário “Construção da Política Estadual Sobre Drogas”, promovido pela Secretária de Justiça e Segurança Pública, através do Conselho Estadual Antidrogas (Conen) elevou o debate sobre a questão ao envolver as ações que estão obtendo algum sucesso, como a Polícia da Família, experiência única no Brasil que já se pensa implantar em outros Estados.

Durante três dias, o auditório da Secretaria Estadual de Educação, foi palco de discussões sobre Prevenção, Tratamento, Repressão e Redução de
Danos. O evento contou com a presença do governador do Estado, secretário Nacional Antidrogas, secretário de Justiça e Segurança Pública, secretário de Saúde, secretário de Educação, secretário do Esporte, secretário de Estado de Cidadania e Assistências Sociais, representantes do Ministério da Saúde do Brasil, Unaids, UNODC, e outras agências federais e internacionais, autoridades de outros países.
Na última etapa do seminário, grupos de trabalhos foram subdivididos em salas por área de atuação. Sob a coordenação de Maria das Graças, da

Secretaria de Estadual de Ação Social.
As informações veiculadas com insistência no noticiário nacional e internacional destoam da real situação do consumo de drogas, quando avaliada em termos de saúde publica. Entre as causas de óbito relacionadas com drogas, mais de 95% são devidas a drogas legais como álcool e fumo; não obstante, as manchetes da mídia demonstram predileção por matérias sobre a maconha, cocaína e outras drogas ilegais.

Em relatório divulgado ontem, o seminário concluiu que “é sabido que noticias a respeito de outras mazelas sociais não suscitam mais indignação, por um efeito de distorção perversa quanto ao valor da vida humana e à prioridade a ser atribuída aos imperativos de saúde e de educação. Ao se avaliar a evolução do fenômeno das drogas nessa perspectiva, fica claro que a repressão é necessária como combate ao crime organizado: a atuação de sistemas criminosos clandestinos propaga uma violência generalizada, colocando em risco tanto os cidadãos como o próprio exercício da democracia”.

Ao lado da repressão ao narcotráfico e também do trafico de armas e a outros contrabandos, assim como à corrupção institucional que no seu bojo se dissemina, faz-se necessário um engajamento rigoroso em propostas preventivas amplas, destinadas não apenas a prevenir o abuso de drogas, mas a resgatar toda uma dimensão humana desrespeitada.

Traficante é mais presente nas comunidades do que o Estado

Uma antiga conclusão foi fortalecida no seminário: o traficante tem muito maior presença nas comunidades que o Estado. Assim, lacunas não preenchidas pelo serviço público viram a arma do traficante para garantir o apoio da população à pessoa dele, como no caso das favelas do Rio de Janeiro, onde, segundo se sabe, o tráfico constrói e dá manutenção a diversas obras, como escolas e quadras esportivas.

O seminário levantou outros problemas no enfrentamento ao tráfico: falsas denúncias nas corregedorias contra policiais que abordam suspeitos; falta serviço específico de inteligência para debelar o grande tráfico de entorpecentes, fraca relação inter institucional entre os órgãos envolvidos, falta de planejamento estratégico, falta de pessoal; dirigentes devem ser compromissados com a causa; deve haver acompanhamento periódico das pessoas envolvidas com a problemática, e, ainda segundo eles, falta ouvir a “base” das polícias – ou seja, democratizar as informações ouvindo os policiais que atuam diretamente nas comunidades.

Debate deve ser ampliado para a saúde pública

Há anos fala-se que a questão das drogas é mais de saúde pública que de polícia. Os ativistas reunidos no seminário mantêm essa meta: sugerem ao governo atenção diferenciada à, por exemplo, a propagação da aids. Há dados que apontam que cerca de 20% da epidemia de aids do Brasil está direta ou indiretamente relacionada com o uso de droga injetável. O que mais deve ser avaliado, na opinião dos participantes do seminário:

* Ocorrência de outros agravos associados ao uso de drogas (co-morbidades psiquiátricas e clínicas);

* Entrada em unidades e urgência/emergência (riscos inerentes e decorrentes do uso de drogas);

* 19,4% da população brasileira já usou, pelo menos uma vez na vida, algum tipo de droga, exceto ácool e tabaco;

* Participação na discussão da nova lei sobre drogas, atualmente no Senado;

* Direcionar o debate para a saúde pública;

* Impedir o tratamento compulsório, a chamada “justiça terapêutica”;

* Garantir princípios humanistas e de respeito aos usuários;

* Ampliação das ações de redução de danos para usuários/dependentes de quaisquer drogas.

O que está sendo feito e O que é possível fazer

· Flagrantes de pequenas quantidades

· Ações descoordenadas

· Polícia da família

· Palestras em escolas

· Visitas à comunidade

· Políticas públicas deficientes ou ainda, não cumprimento do Plano Nacional de Segurança Pública

· Prevenção ainda ineficaz

· Efetivo da polícia da família vem diminuindo constantemente (efeito Big Brother)

O que se quer

· Uma política estadual de combate ao narcotráfico

· Criação de delegacias e grupos especializados em entorpecentes nos Municípios fronteiriços

· Capacitação contínua e específica dos policiais para lidar com o usuário

· Estabelecer parcerias entre os órgãos federais e estaduais de repressão, inclusive a Receita Federal para investigação de grandes fortunas erigidas em cima do narcotráfico e lavagem de dinheiro;

· Constante avaliação e controle de pessoal, incluindo tratamento e acompanhamento de sua saúde física e mental;

· Planejamento estratégico da Segurança Pública;

· Aumento dos efetivos;

· Dirigentes compromissados com a causa;

· Estudo aprofundado sobre os pontos de entrada de entorpecentes no Estudo e montagem de estratégias de combate;

· Adequação da legislação militar estadual, principalmente no tocante ao porte de armas após o serviço;

· Ações coordenadas interinstitucionais;

· Envolvimento do Ministério Público, do Judiciário e do Legislativo para suporte das ações repressoras;

· Revisão da legislação no tocante ao mandado de busca e apreensão;

· Maior e melhor comunicação interna institucional;

· Canal aberto entre Conen e polícia para que o primeiro seja acionado sempre que um usuário for preso.

 

 
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Rio Branco-AC, 16 de maio de 2004
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Com Leonildo Rosas
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Com Ancelmo Góis
 
 
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