COTIDIANO

A santa dos seringueiros

Igreja católica realiza primeira procissão da imagem e pretende transformá-la na mais nova padroeira do povo acreano

Reprodução/Marcos Vicentti
Pintura do quadro de Nossa
Senhora da Seringueira
foi restaurado para a procissão


Andréa Zílio

Os dados sobre sua história são incertos, mas alguns se arriscam a contar como ela surgiu. A pintura de Nossa Senhora da Seringueira, que permaneceu escondida na clausura das irmãs da Ordem das Servas de Maria Reparadora há 37 anos, será apresentada à população com a proposta de que se torne a protetora do povo acreano. A procissão, que acontece amanhã, às 15h30, com saída do Instituo Imaculada Conceição, promete ser a primeira de muitas exibições da Santa.

A procissão faz parte da programação preparada pela Fundação Garibaldi Brasil, que decidiu fazer, além da exposição de fotografia que retrata o Acre em outras décadas, a procissão de Nª Sª da Seringueira, em comemoração aos 100 anos do Tratado de Petrópolis. É que a instituição ficou sabendo da existência da imagem durante as pesquisas e coletas de fotografias.

A pintura, com a imagem de pouco mais de um metro, está sendo restaurada pelos artistas plásticos Danilo D’Sacre e Dalmir Ferreira a pedido da irmã Maria Cláudia Barbosa, 72. Foi ela quem recebeu a imagem doada pelo padre Nilo Zanine.

Irmã Cláudia conta que, em 1965, o padre Zanine lhe falou da pintura de Nossa Senhora da Seringueira, que havia encontrado no porão da igreja em que trabalhava. Decidiu doar para a paróquia Imaculada Conceição, onde ela trabalhava. .

Irmã Cláudia, descontente com a falta de informação, foi tentar descobrir a história da imagem. Conta que, segundo as informações colhidas principalmente dos depoimentos do primeiro vigário da paróquia, a imagem foi pintada por combatentes bolivianos durante a Revolução Acreana. A tropa boliviana fez uma armadilha para a tropa de combate brasileira, forjando uma procissão, para que pudesse ultrapassar o grupo de Plácido de Castro. Mas os brasileiros perceberam que tudo não passava de uma farsa e começaram a atirar, vencendo os inimigos.

A irmã fala que as perfurações na tela em que foi pintada a imagem são herança dos tiros que aconteceram durante o combate. Segundo ela, na imagem, Nossa Senhora está com um pequeno galho de seringueira nas mãos.

Desde que recebeu o presente, Irmã Cláudia o guardou no Instituto, onde poucos tiveram acesso.

Santa será homenageada durante a procissão

A freira explica que a imagem não simboliza uma santa e sim uma Nossa Senhora, nome atribuído a mãe de Jesus. Quanto a seringueira, diz que foi o título escolhido pela fé das pessoas pelo momento que viviam. “Não sabemos do fundamento da imagem, mas ela tem uma história. Não é santa, é santíssima. Assim como a de Nª Sª de Fátima que apareceu para aos três pastorinhos. De acordo com o que acontecia na época, a luta dos seringueiros, foi feita a citação a Nª Sª da Seringueira. A partir do momento que o bispo a declarar na procissão ela passará a ter o sentido social e religioso. Pode se tornar a patrona dos seringueiros que poderão ser devotos”, explica.

Irmã Cláudia diz que Nª Sª da Seringueira sempre ficou na sombra, guardada com muito carinho e agora decidiu aparecer para os fiéis. A irmã fala ainda que espera que ela seja a grande protetora dos seringueiros, matas, rios e animais do Acre, abençoando a todos que moram no Estado.

Ela aproveitou e fez também a oração da mais nova padroeira acreana. Diz que se baseou na realidade em que todos vivem para criar a prece. A partir de agora, a imagem de Nª Sª da Seringueira ganhará um espaço especial no Instituto Imaculada Conceição.

 
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