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POLÍTICA

“A anexação do Acre ao Brasil é um capítulo fantástico da colonização amazônica”

Divulgação
Tião Viana


Flaviano Schneider

O senador Tião Viana considera um privilégio a oportunidade de a nossa geração poder reviver, relembrar e comemorar os 100 anos da decisão diplomática internacional envolvendo o Brasil e a Bolívia, que determinou, através do Tratado de Petrópolis, a anexação definitiva ao país da área geográfica então tida como “terras não-descobertas”.

Segundo ele, é uma homenagem justa e sincera ao Barão do Rio Branco, que é a maior expressão na História da diplomacia brasileira: “Quando nós refletimos sobre o Tratado de Petrópolis, quando olhamos para trás, para a História, nós vamos entender que sem a figura do Juca Paranhos, que era o Barão do Rio Branco, nós não teríamos nunca chegado à condição de ser um Estado brasileiro, porque o Brasil durante 36 anos negava este reconhecimento das terras acreanas como terras brasileiras e não havia clima jurídico que permitisse isto”.

DESCISÃO - Conta Tião Viana que na época houve uma decisão concreta do governo brasileiro em indicar os chamados ministros plenipotenciários, onde estavam o Barão do Rio Branco, Assis Brasil e Rui Barbosa, o mais famoso político jurista brasileiro e “nós tivemos então o choque intelectual entre o político com forte enfoque jurídico que era Rui Barbosa e o chanceler, o ministro Barão do Rio Branco com forte influência geográfica, histórica e social”. Rui Barbosa – relembra o senador - detinha uma influência social, mas dependia, e muito, nas decisões, da pressão social que era exercida sobre sua vida pública.

“Já o Barão do Rio Branco não... era homem de convicções mais definidas no campo geográfico e histórico e havia a insurreição acreana, épica, liderada por Plácido de Castro, que se afirmava mais pela coragem, por um sentimento pátrio construído a partir de uma concepção de ameaça de internacionalização de uma área geográfica fundamental da América do Sul que era a área acreana”.

BOLÍVIA - Explica Tião Viana que “os irmãos bolivianos, apesar de ter sua auto–estima e seu sentimento de nacionalidade feridos em vista do confronto, não tinham as mesmas convicções de que aquelas terras eram parte de sua identidade nacional, eram parte de um sentimento pátrio, como os acreanos. Isto permitiu um acordo que redundou em mais um capítulo fantástico da colonização amazônica do final do século XIX para o início do século XX. Eu acredito que nós demos um exemplo conclusivo de uma concepção de territorialidade, de pacto federativo e definição de fronteiras.

O Barão do Rio Branco - historia o senador - tinha uma rica experiência acumulada, na definição da territorialidade brasileira na área das Missões; aprendeu também na definição das fronteiras no Amapá e os arbitramentos que eram outros recursos que tínhamos, envolvendo as Guianas inglesa e francesa e tudo isto apontava para um tratado como único caminho objetivo possível de regularizar as pendências sem mais derramamento de sangue. E o Barão de Rio Branco soube fazer isto quando criou o Tratado de Petrópolis.

Convivência com a vida

Chegamos aos 100 anos, mas e daqui para a frente? Será que vamos conseguir preservar o meio ambiente e bem utilizar nossa identidade e nossa riqueza florestal?

Tião Viana está certo que sim: “Se nós fomos capazes de atravessar o Nordeste e chegar até aqui na segunda metade do século XIX, quando João Gabriel de Melo, migrante do Ceará - o primeiro a entrar no Acre passando entre os índios Apurinã e Jamamadi, subindo o Rio Acre - atravessou o Piauí e o Maranhão a pé para chegar aqui, seguido depois por milhares de brasileiros que migraram do Nordeste, quando, em média, de cada grupo de 40 migrantes 16 morriam no primeiro ano vítimas do beribéri, da malária, das febres hemorrágicas, das viroses, porque não seremos capazes de dar a mais bela lição de convivência com a vida e com o planeta que é exatamente o respeito ao meio ambiente? Nós podemos, como diz muito bem o governador Jorge Viana, viver das riquezas que tem a nossa floresta. Tenho convicção disso”.

 
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Rio Branco-AC, 16 de novembro de 2003
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
   ANCELMO GÓIS
Com Ancelmo Góis
 
 
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