ESPECIAL
   ESPECIAL
MERCADO NOVO

Produtores festejam reinaguração da feira que já garante mais renda e trabalho para dezenas de famílias

Rafael Bonamim
Feirantes ganharam espaço mais amplo e agradável para desenvolver seu trabalho, com produtos diversificados. Fregueses também apóiam as mudanças na estrutura do mercado


Edmilson Ferreira

A história do Mercado Municipal Elias Mansour confunde-se com a vida recente da capital acreana especialmente por estar localizado numa área que era completamente degradada sob o ponto de vista ambiental e social, e por ter sofrido longos e penosos anos com as administrações que ao invés de buscar soluções perpetuavam as misérias que típicas da omissão do poder público.

Em 1º de julho de 1980, o então prefeito Fernando Inácio dos Santos inaugurava o mercado, também conhecido como Mercado Novo, que passou a abrigar a grande maioria dos permissionários do Mercado Velho, na avenida Epaminondas Jácome. O tempo passou e na manhã deste sábado, 26 anos depois que Inácio descerrou a primeira placa inaugural, o governador Jorge Viana e o prefeito Raimundo Angelim, numa das mais positivas parcerias já estabelecidas entre Poderes no Acre, fizeram o descerramento da placa que marca a reconstrução da unidade, que em Rio Branco se constitui o maior centro de abastecimento de alimentos produzidos na própria região.

O surgimento de novos postos de trabalho dentro Mercado Novo saltou de 60 para 152, com as novas bancas, segundo a Prefeitura. Ou seja: o local organiza o sistema produtivo, gerando mais renda e trabalho para dezenas de pessoas. De acordo com o secretário municipal de Agricultura, Mário Jorge Fadell, a vantagem é que o colono poderá comercializar diretamente a sua produção proveniente dos pólos agroflorestais de Rio Branco, dos projetos de assentamentos e demais centros agropecuários do município. A maioria dessas novas vagas está direcionada aos membros de associações e de cooperativas rurais, ampliando ainda mais o número de atendidos e fortalecendo o processo de organização produtiva. “A reestruturação, a qual nós chamamos de revitalização, tem o propósito de dar nova vida aos mercados municipais”, disse Fadell.

A obra durou nove meses ao custo de R$1.319.253,99. Os recursos foram obtidos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e contrapartida do Governo do Estado e da Prefeitura de Rio Branco. A reforma atingiu todos os setores: foram criados vinte novas vagas no estacionamento para visitantes e separados os locais de carga e descarga do ponto de movimentação de consumidores; as instalações elétricas foram revisadas; implantado um novo sistema de drenagem; o piso de cerâmica foi substituído por piso monolítico com acabamento em resina de poliuretano; construídos tanques para limpeza de frutas e verduras e implantado um novo padrão de comunicação visual. Nada menos que 938 produtores estarão trabalhando no local.

Com tudo isso, a população vai poder desfrutar de maior diversidade e qualidade de produtos a preços menores. Para os produtores, a grande vantagem é a elevação do número de compradores e a oportunidade de vender diretamente ao consumidor a um preço mais em conta. “Essa obra ativa o consumo e estimula o aumento da produção”, disse Fadell. Segundo a avaliação da Prefeitura a obra de revitalização do Mercado Elias Mansour é importante, porque do ponto de vista estrutural, a unidade estará mais segura, melhor iluminada, bem-abastecida de água, mais segura e com estacionamento mais amplo. Do ponto de vista arquitetônico, estará mais bonita e estilizada. Quanto à inclusão de produtores, o mercado ficará mais voltado para pequenos negócios, sobretudo, no espaço dos feirantes, que abrigará a maioria de produtores rurais. Socialmente, o Mercado Novo estará mais humano, pois, foram incluídos espaços maiores para circulação, banheiros para portadores de deficiências, maior ventilação e iluminação natural, e inclusão da comunicação visual. Com relação à higiene, haverá maior e melhor coleta de lixo, terá um programa de educação ambiental e será adequado aos padrões da vigilância sanitária.

Numa tenda instalada no estacionamento, centenas de pessoas participaram da inauguração. Estiveram presentes secretários de Governo e do Município, vereadores, produtores rurais de 14 comunidades, feirantes e populares. A revitalização reduziu drasticamente a presença de atravessadores, o que influencia nos preços dos alimentos.

Angelim fala de seu orgulho em poder construir uma obra bonita e eficiente

O prefeito Raimundo Angelim acompanhou passo a passo a reconstrução do Mercados Elias Mansour Simão e ontem não conseguiu esconder o orgulho de entregar à população uma obra de tão elevada qualidade e importância social e econômica: “Fico orgulhoso de ver as fotos de antes e depois da obra. Agora, nosso Mercado Novo está à altura dos grandes supermercados de Rio Branco”, disse, lembrando que não faz muito tempo as pessoas tinham de conviver com esgoto a céu aberto, lixo e rato. “O que fizem aqui não foi apenas um mercado bonito mas um espaço que aumenta a dignidade das pessoas”, completou o prefeito.

Ao lado do governador, Angelim relatou que o grande número de obras realizadas pela Prefeitura em geral com parceria do Governo vem sendo entregue ao uso comunitário por “pacotes”. “Temos de entregar por pacote porque não dá para inaugurar uma a uma”, completou.

Jorge Viana: “Começou aqui o respeito a quem produz”

O governador Jorge Viana relatou os primórdios de sua gestão como prefeito de Rio Branco, recordando as dificuldades para intervir na popular “feira do rato”, como era conhecido mercado que funcionava onde hoje é o Terminal Urbano. Quanto ao mercado espeficamente, a primeira medida de Viana foi fazer uma grande faxina no local: “Foi aqui que começou o respeito a quem produz”, disse ele, lamentando que os prefeitos que o sucederam deixaram o lugar abandonado. “Esse pessoal daqui não tinha apoio de nada. Agora, deixamos o Mercado Velho novinho em folha e o Mercado Novo, mais novo ainda.”

OPINIÃO

“Aqui era cheio de barata, lixo e rato. Agradeço, em nome de todos que trabalham aqui, ao governador e ao prefeito que não só reformaram o mercado como deram condições melhores para se trabalhar aqui. As obras não interromperam nosso trabalho. Antes, qualquer reformazinha os feirantes tinham de ficar parados. Muita gente ficou em situação difícil por causa disso. Desta vez foi diferente, apesar das dificuldades.”

Luiz Gonzaga, feirante

MERCADO NOVO

Duração da obra: 9 meses
Área existente: 3.069,90 m²
Área de ampliação: 414,42 m²
Área total edificada: 3.483,88 m²
Valor contratado: R$ 1.319.253,99

 
 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
Rio Branco-AC, 17 de setembro de 2006
 COTIDIANO
 COLUNAS
 EDITORIAL
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VIA PÚBLICA
 VARIEDADES
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 E-MAIL
 
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
P E S Q U I S A