PÁGINA DO EMPREENDEDOR

Feliz Dia do Artesão

O artesanato acreano está entrando numa nova fase e já chega a algumas das maiores lojas de decoração do Brasil

Juracy Xangai

Pelo menos 10 mil pessoas estão sobrevivendo de atividades artesanais em todo o Acre onde a produção das biojóias (bijuteriais feitas com sementes da floresta) tem ganhado maior destaque, mas não é a única, porque muitos vivem dos trabalhos feitos com cipós e fibras vegetais, pequenos objetos de madeira, cerâmica e inúmeros outros materiais.

Nesta segunda-feira, dia 19 de março, comemora-se o dia de São José carpinteiro, pai de Cristo e padroeiro dos artesãos brasileiros. A data foi instituída pela lei número 7.196 do dia 30 de abril de 1991.

Para comemorar a data foi organizada uma exposição que estará acontecendo nesta segunda-feira ao lado da casa do artesão no parque da maternidade.

Os artesãos acreanos já podem comemorar a entrada da categoria numa nova fase, a das vendas para grandes lojas do Brasil, garantindo a venda de seus produtos em alta escala. A conquista aconteceu no final do ano passado depois de cursos e treinamentos oferecidos pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Ac) aos que aceitaram o desafio de criar novos produtos com matérias primas regionais para serem oferecidos através do Projeto Comprador.

Artesã de fibra

Há 30 anos a funcionária pública Socorro Acácio começou a montar bijuterias como sua primeira atividade artesanal que foi se desenvolvendo até tornar-se a principal ocupação de sua vida profissional, agora que está aposentada. Das bijuterias passou a fazer cinzeiros e objetos decorativos a partir de ouriços de castanha, mas fazem cinco anos que veio realizar trabalhos com sementes recolhidas da floresta.

“Trabalhar com sementes é uma ótima atividade, mas ao longo do treinamento do Projeto Comprador resolvi encarar o desafio de criar novos produtos. Decidi usar a fibra de buriti que já usava nas biojóias, mas que agora servem para fabricar bolas, bandejas e casulos decorativos. Foi um sucesso”.

Durante a primeira negociação em que seus produtos foram apresentados a compradores de cinco das maiores lojas de decoração do Brasil, duas fecharam negócio. A Tok & Stok que forma uma rede de 23 lojas nas principais capitais brasileiras encomendou nada menos que 2.200 bolas feitas de buriti, já o Projeto Terra encomendou jogos de bandejas com bolas dentro.

“Sempre produzi peças para vender, mas esse é um sistema em que a gente se aventura e nem sempre dá certo. Produzir para entregar para uma loja, como estou fazendo agora, é muito melhor porque você tem previsão de quando e quanto será o resultado”, explica Socorro.

Mas ela alerta para um efeito colateral desse sucesso. “Como a gente sempre trabalhou com pequenas quantidades, nunca tivemos muitas pessoas trabalhando juntas, agora quando precisei de gente para dar conta da encomenda tive problemas para encontrar mão de obra qualificada. Tive de mobilizar a família e hoje estamos trabalhando em oito pessoas”.

Na madeira

Já Alexander Bastos, 20 anos, dedica-se ao artesanato desde o 13 quando entrou às escondidas para um curso de artesanato para o qual não tinha sido selecionado. “Sempre fui muito curioso, gostava de desmontar e montar coisas para conhecer o mecanismo e fazer trabalhos manuais. Conhecia alguns garotos que trabalhavam com o César Farias e ganhavam dinheiro, eu queria ganhar dinheiro e quando ele foi à escola oferecer um curso eu me inscrevi, mas não fui sorteado, mas me meti no meio da turma mesmo assim. Quando descobriram já tinha terminado o treinamento e nunca mais deixei de trabalhar”.

Quando o chamaram para participar dos treinamentos e das Clínicas de Design, não se interessou muito porque pensou que iria ser parecido com outros dos quais tinha participado, mas não era. “Começamos com mais de 50 artesãos e havia uma proposta de procurar mercado e fazer negócio com grandes lojas, mas quando desafiaram a gente a criar novos produtos é que a coisa complicou. Muitos desistiram e eu me lembrei que o Xangai fazia uns desenhos em madeira para vender na loja do César, pedi pra me ensinar, então desenvolvemos outros desenhos, mesmo assim eu estava em dúvida com aquele negócio”.

Veio a rodada de negócios e ele fechou venda de peças com três lojas, Projeto Terra, Galeria de Arte Brasileira, Cores do Brasil e a Tok & Stok que comprou 480 entalhes de madeira serrada pela técnica do calado, representando animais da fauna amazônica como antas, araras e paturis.

Projeto Comprador

Coordenado por Aldemar Maciel gerente do Programa de Desenvolvimento do Artesanato pelo Sebrae do Acre, o projeto Comprador teve suas atividades iniciadas em julho do ano passado com dois objetivos específicos. O primeiro era conquistar mercados e, o segundo, desenvolver novos produtos diferenciados para oferecer nesse mercado.

A estratégia para atingir esse objetivo foi a realização das Clínicas de Design onde os artesãos iriam aprender a identificar a iconografia (símbolos) representativos que quando vistos lembram a Amazônia ou o Acre em si mesmo. Esse conceito os levaria a desenvolver novos produtos. Mas como iriam ter contato com grandes empresas era preciso prepará-los para a negociação, mas antes disso qualifica-los para gerenciar melhor seus próprios negócios que a partir de agora precisam ser focados em metas de curto, médio e longo prazo.

“Quando fomos iniciar o Projeto Comprador realizamos uma reunião com quase 200 artesão, mas só 59 aceitaram participar da proposta, muitos desistiram, 18 criaram novos produtos, mas apenas 12 foram para a mesa de negociação com os representantes das lojas e, todos venderam muito mais do que poderiam imaginar”, explica Aldemar.

Neste ano a proposta estará tendo continuidade ampliando o número de artesãos e atraindo a atenção de mais lojas sobre os produtos criados pelos acreanos com matérias primas da floresta. A idéia ganhou apoio da Fundação Banco do Brasil que através da linha de recursos para o Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS) está financiando a criação de um Centro de Negócios de Artesanato que funcionará de modo presencial e virtual, neste caso, através da internet o site funcionará como referência para articular vendas individuais e coletivas.

“Para que possamos atender as encomendas que já estão surgindo e deverão ampliar-se muito com o site, nós precisamos coletivizar a produção e a venda, mas isso exigirá um nível de organização e consciência bastante grande dos artesãos. Isto porque o mercado exige qualidade, regularidade na entrega e preço, quando um dos pontos falha você pode perder seu melhor cliente”.

Aldemar esclareceu que o fato de os artesãos estarem se voltando para o mercado atacado não quer dizer que a idéia é abandonar as venda no varejo. “Quando trabalhamos focados no atacado, a vantagem é ter a certeza de produzir e entregar com preço garantido e isso consome muito menos energia do que a atividade do varejo onde você fica à espera ou correndo atrás dos clientes. Mas para trabalhar no atacado é preciso ter se organizar e planejar cada passo da atividade”.

 

E x p e d i e n t e :
Textos publicados nesta página são de responsabilidade da Unidade de Comunicação e Marketing do Sebrae no Acre - Jornalista Responsável: Vanessa França (Registro Profissional: 3280 L-14F-89 DRT/PE) vanessa@ac.sebrae.com.br - fotos: Evandro Souza e Claudwilson Diogenes. Colaboradores: Juracy Xangai e Sandra Assunção. Sugestões, comentários e-mail para ascom@ac.sebrae.com.br

 

 
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Rio Branco-AC, 18 de março de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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