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Avançam as negociações políticas na FPA Lideranças dos partidos definiram mais quatro nomes que passam a compor a chapa única da mesa diretora da Assembléia Legislativa |
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Em uma reunião realizada ontem de manhã, as lideranças dos 11 partidos que compõem a Frente Popular do Acre (FPA) definiram mais quatro nomes para a composição da chapa única da nova mesa diretora da Assembléia Legislativa do Acre (Aleac). O candidato a presidente Edvaldo Magalhães (PC do B) tem como vice o deputado Helder Paiva (PR) e os demais escolhidos ficando na seguinte ordem: Juarez Leitão (PT) na primeira-secretaria, Élson Santiago (PP) na segunda-secretaria e Walter Prado (PSB) na terceira-secretaria. A segunda-presidência e a quarta-secretaria da mesa serão ocupadas pelo bloco da oposição, sendo que a discussão sobre quem irá assumir as vagas já começa a acontecer, ficando Edvaldo Magalhães responsável por mobilizar os partidos e iniciar o debate. Um encontro com as agremiações já está marcado para esta segunda feira. O senador Sibá Machado (PT), que coordenou o processo de composição de chapas desde a eleição para o governo do Estado, afirmou que a Frente Popular delegou a Edvaldo Magalhães a responsabilidade de buscar uma conversa com partidos da oposição para que, até a noite de segunda-feira, a montagem da proposta da mesa diretora esteja concluída. Também foi por unanimidade que a FPA decidiu sugerir ao governador Binho Marques que o deputado Francisco Cartaxo (PT) ocupe o cargo de seu líder na Aleac. De acordo com Sibá, a chapa única representa a homologação das eleições deste ano. “Foi um grande gesto. Isso pode muito bem auxiliar na relação com o governo e no novo patamar que segue o Acre”, explicou. Ele agradeceu os demais membros da mesa que trabalharam nos quatro e oito anos e aos partidos que integram a FPA. Disse que todos abdicaram, declinaram da indicação de seus nomes pela grandeza da construção e unidade. Por fim, perguntou a Edvaldo Magalhães se ele aceitava o desafio de se colocar para concorrer à presidência da Aleac, o que ficou oficializado na ocasião. “Experiência de compartilhar é marca da FPA”, diz Edvaldo O deputado Edvaldo Magalhães, que acumulou experiência como líder do governo no parlamento estadual nos últimos oito anos, define a política da FPA em alguns aspectos. “Primeiro é que a experiência que nós acumulamos no Acre na construção política da FPA nos demonstrou uma convicção de que nas construções das alianças e na construção de espaço de poder a matemática nunca pode estar no comando”, acentuou. Ele lembrou que na construção das chapas para a Assembléia Legislativa, durante os oito anos de governo da FPA, e também para a Câmara de Vereadores da capital, assim como durante os quatro anos de governo de Jorge Viana na prefeitura, indo para o terceiro ano de Angelim na prefeitura, nunca foi usado o critério de a maior bancada decidir quem iria presidir. Porém, usando como ponto alto o critério da partilha do poder. Ainda sobre a partilha do poder e da renúncia dos partidos para manter a FPA forte, o parlamentar lembrou que o PC do B não reivindicou vaga na mesa da Câmara de Rio Branco nos primeiros anos da atual legislatura, uma vez que o comunista Eduardo Farias assumia como vice de Angelim e Edvaldo Magalhães era líder do governo na Câmara, ficando a presidência da casa com o PSB, apesar de a bancada comunista estar em maior número. Este ano, o parlamento municipal será presidido por Pedrinho Oliveira, do PMN, que é único representante do partido na casa, ou seja, mais uma vez a participação ativa da minoria, já que a agremiação possuía apenas um voto. Também pode ser incluído entre as renúncias o fato de o próprio Edvaldo Magalhães ter aberto mão da candidatura de vice na chapa do governador Binho Marques para dar espaço à região do Vale do Juruá, representando pelo atual vice, César Messias. “Eu tomei a iniciativa porque achava que aquele momento era de ampliar a nossa aliança e não adiantava dizer que estávamos ampliando apenas formalmente, trazendo dois ou três partidos. Não ampliaria de fato a composição da chapa se não colocássemos uma figura que pudesse espelhar essa amplitude. Abrimos mão da candidatura de vice porque queríamos ampliar a aliança e sinalizar para a sociedade que a Frente está madura, inclusive para partilhar o espaço de poder”, declarou. De acordo com ele, quando o senador Tião Viana ficou impossibilitado de ser candidato a governador, a candidata natural, com todas as condições políticas, era a senadora Marina Silva. “Ela virou a bola da vez. Tinha mais tempo na estrada e com mais experiência política. Marina então veio ao Acre, reuniu os partidos da coligação e disse que não queria ser a candidata, que não era seu momento, mas o momento de apontar outro nome para a disputa, que na verdade era o Binho Marques, que também não queria ser candidato”, declarou. Mais atenção para as regiões do Acre Edvaldo Magalhães ressaltou que a nova equipe da mesa diretora deverá estabelecer um plano de ação política e administrativa que leve em consideração o novo momento que o Acre está vivendo. “Entra uma terceira fase da administração da Frente Popular com o Binho no governo. Precisamos discutir qual será o tom do debate político desse novo momento”, completou. Na opinião dele, o tom é o desenvolvimento sustentável. Para o líder, a Assembléia deve mergulhar no debate sobre o desenvolvimento, procurando discuti-lo a partir da vocação de cada uma de suas regiões. Lembrou ainda que cada região do Acre possui uma história, tem uma identidade própria, constituída de uma determinada forma. “Pretendo fazer com que a Aleac possa se deslocar para essas regiões e discutir o desenvolvimento regional do nosso Estado”, enfatizou. Política do Acre pode até servir de modelo para o Brasil “Aqui está acontecendo algo que não é comum acontecer em nenhum lugar do Brasil nas discussões de mesas diretoras, seja de uma Câmara do Jordão ou do Congresso Nacional, que é fazer a discussão ampla dentro dos partidos e com os parlamentares”, declarou Edvaldo Magalhães, referindo-se à unidade mantida dentro da FPA. A renúncia de poder não é comum entre as forças políticas, entre os partidos e entre aqueles que já ocupam o poder. Ele lembrou que a ampliação da aliança era algo que muitos, inclusive os analistas políticos, achavam desnecessário e questionavam, uma vez que a Frente já era forte e não precisava abrir mais espaço para outras agremiações, podendo enfraquecer seus próprios aliados. “Porém, no entendimento da FPA, quando se tem muito poder tem que se compartilhar para continuar sendo forte”, acrescentou. Durante a reunião das lideranças ficou claro que elas querem dialogar com a oposição enquanto oposição. Segundo Edvaldo, quem tem maioria não pode ser rolo compressor ou passar como um tratar em cima da minoria, porque essa exerce um papel fundamental. Ele afirmou ainda que o cargo de líder do governo era um cargo amaldiçoado na Assembléia e que o resultado era sempre “balsa” nas eleições seguintes. “O cargo de liderança do governo foi resgatado politicamente e ganhou espaço pelo modo diferente de a Frente lidar. Agradeço ao PT e aos demais partidos da Frente pela confiança em ceder o cargo. A nossa responsabilidade é grande de levar a Assembléia adiante e mantê-la nas páginas políticas, não permitindo que ela volte para as páginas policiais.” Sérgio Petecão se despede da Aleac O deputado Sérgio Petecão (PNM), que nos últimos oito anos presidiu a mesa diretora da Aleac, aproveitou a reunião lotada de colegas políticos, já que agora parte para um mandato na Câmara Federal. “A boa relação entre os partidos só acontece no Acre. Gostaria de agradecer o apoio que foi dado ao meu partido e a minha pessoa”, ressaltou. O parlamentar lembrou que atualmente parece estar tudo normal no parlamento, ao contrário de quando assumiu o primeiro mandato. “Quando nós assumimos, para se ter uma idéia, envenenaram a água do bebedouro que ficava na porta do Ronald Polanco. Ela foi colocada lá na tentativa de matá-lo. Passamos por momentos muito difíceis”, explicou. Ele lembrou ainda a situação em que o ex-governador Jorge Viana assumiu o Estado. Os salários dos servidores estavam atrasados e o gestor não tinha condições de manter o duodécimo da Aleac, o que exigiu esforço não só daquela cada, mas de todos os poderes. “Da minha parte, agora vou dar minha contribuição ao Acre da Câmara Federal.” Compromisso com o futuro Enquanto uns saem com a missão cumprida, outros assumem o mandato com o compromisso de fortalecer a política de desenvolvimento. O deputado Francisco Cartaxo (PT) deverá assumir o cargo de líder do governo na Aleac. No entanto, ele se pronuncia de forma simples. “Se o governador me escolher para a função de líder eu me encontro preparado em virtude de todo o apoio que acho que vou receber da Aleac. A expectativa é de fazer com que o trabalho que já está iniciado na era do Jorge Viana tenha continuidade na casa de maneira democrática, republicana”, assegurou. Já o candidato a terceiro-secretário da mesa, Walter Prado (PSB), disse que não reivindicou o cargo em nenhuma ótica individual. “Esse cargo é político e nós agradecemos aos partidos da Frente pela indicação, que ocorreu de forma justa, e o PSB passa agora a integrar a mesa da Aleac” acrescentou. Helder Paiva (PR), que deverá assumir mais uma vez a cadeira de vice-presidente da mesa, lembrou que o trabalho que requer a compreensão. “Estou há muitos anos nesse cargo e isso me trouxe a experiência de dizer que é muito mais um trabalho de buscar unidade entre os companheiros e a união dos partidos.” |
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