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Governador reúne comissões de Defesa Civil e pede ainda mais empenho de todos para amparar desabrigados pela enchente


Regiclay Saady
Homens do Exército ajudam na retirada de famílias nos bairros atingidos pela alagação

O governador Jorge Viana reuniu-se na manhã deste sábado com o prefeito Raimundo Angelim e integrantes das comissões Estadual e Municipal  de Defesa Civil para avaliar as ações de enfrentamento às conseqüências da cheia do rio Acre. O encontro ocorreu no Parque de Exposições e reuniu secretários estaduais e municipais. “Tudo que tem para ser feito estamos fazendo, governo e prefeitura juntos”, disse o governador, que pediu aos secretários Antonio Monteiro e Sueli Melo, da Segurança Pública e da Saúde, respectivamente, ainda mais atenção aos bairros atingidos pela  alagação.

Viana anunciou que amanhã estará homologando o decreto de situação de emergência assinado pelo prefeito Raimundo Angelim. “E ainda na segunda-feira vamos fazer nova reunião de avaliação. O fundamental é que está tudo sob controle”, afirmou Angelim, apresentando os novos números da situação. De posse de informações da Sala de Situação da Comissão Estadual de Defesa Civil e do Serviço de Informações Georreferencial (SIG), governador e prefeito seguem preocupados com as chuvas apesar da trégua registrada em lugares importantes, como Brasiléia, onde o nível do rio Acre baixou 1,5 metro no período compreendido entre as 6 e 11 horas de ontem.  “A situação está sob controle, mas temos de pensar numa possibilidade mais crítica”, disse o governador, para quem é fundamental a potencialização do plano de ação pós-enchente, quando o rio começa a vazar e as famílias deixam os abrigos públicos para voltar para casa.

Estiveram na reunião os principais  assessores do governador, o alto comando da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros,  secretários municipais  e o deputado Nilson Mourão, que busca  mais informações sobre a situação para levá-las  ao conhecimento da bancada acreana em Brasília. “A participação da bancada será de fundamental importância quando for para lutar pelos projetos em Brasília”, ressaltou  o governador.

Mais solidariedade – O momento, de acordo com Jorge Viana, é de pedir a solidariedade das pessoas. “Há muita gente ajudando mas nossa idéia é que tenham solidariedade e possam contribuir com esse espírito, de ajudar as pessoas que mais precisam.”

De acordo com a Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec), pelo menos 40 escolas foram disponibilizadas para amparar desabrigados - e esse fato foi citado como exemplo do que era feito nas alagações anteriores: “Os professores e os diretores estão cuidando das famílias. Isso é uma coisa que não se via antes”, disse Viana.

Viana já tem planejado - e só falta detalhar com os técnicos do governo - o plano pós-enchente.  De seu lado, a prefeitura já se prepara para adquirir kits de limpeza e desinfecção, materiais de extrema necessidade quando as casas que ficaram sob as águas tiverem de ser limpas para receber as famílias novamente.

Após a reunião, o governador visitou os médicos que atendem os abrigados  através do  projeto Saúde Itinerante, baseado no espaço de leilões da Expoacre. Cumprimentou todos, parabenizou-os  pelo trabalho e repetiu que solidariedade é o que mais se precisa neste momento.  

O Saúde Itinerante realizou cerca de 400 atendimentos em apenas dois dias no Parque de Exposições. São 20 médicos que fazem consultas em várias especialidades e vários agentes para dar apoio ao programa e às famílias.  Segundo o diretor-geral do pronto-socorro de Rio Branco, Marco Aurélio, os problemas mais comuns diagnosticados entre as famílias do Parque foram diarréia, verminose, infecções e gripe.  “Está tudo muito bem organizado”, disse Aurélio.

Em seguida, o governador saiu para cumprimentar algumas pessoas nos abrigos. Esteve no box 150, onde está alojada a família do carpinteiro Feliciano Araújo da Costa, que mora no bairro Seis de Agosto, atualmente um dos três mais atingidos pela alagação. “É muito sofrimento, mas aqui estamos recebendo atenção do pessoal”, disse Costa, após conversar algum tempo com o governador.

Riozinho - Às 14 horas, Jorge Viana e especialistas em meio ambiente e meteorologia, como o pesquisador Alejandro Fonseca, da Universidade Federal do Acre (Ufac), visitaram a foz do Riozinho do Rôla, que quando enche acaba afetando diretamente a região de Rio Branco.

Continua a retirada das famílias nos bairros alagados

Mesmo com as chuvas que caíram em Rio Branco na manhã de ontem, os homens do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, membros de secretarias e voluntários continuaram seus trabalhos, com o objetivo de retirar algumas famílias que ainda estão vendo suas casas serem tomadas pelas águas do rio Acre.

A situação se agravou mais após a chuva, e a grande preocupação é que as previsões do tempo continuam sendo pessimistas, já que deve continuar chovendo neste domingo e também nos próximos dias. Na última medição feita na tarde de ontem pelos homens da Defesa Civil Municipal, o rio Acre estava medindo 16, 41 metros.

Enquanto algumas pessoas se solidarizam e prestam assistência às famílias atingidas pela enchente, outros estão se aproveitando da alagação para praticarem furtos e saquear as residências que foram abandonadas devido à cheia do rio. No bairro Taquari, por exemplo, muitos moradores têm reclamado de roubos. De acordo com o vendedor ambulante, Felício de Moura, todos os móveis de sua família casa foram retirados na última quita-feira pelos homens do Corpo de Bombeiros, entretanto, ontem quando ele foi verificar as condições em que se encontrava sua residência sentiu a falta dos fios da instalação telefônica. “É revoltante que os marginais tenham coragem de roubar até um fio de telefone, mesmo vendo a difícil situação por qual estamos passando”, disse o vendedor revoltado.

A dona-de-casa Celina Maria de Lima, moradora do Taquari, está entre as pessoas que teve a casa tomada pelas águas e disse que seu marido tem ficado de plantão todos os dias, pois já ouviu falar que algumas pessoas estão aproveitando a noite, quando o número de pessoas nos locais alagados é pequeno, para roubar a cobertura das casas que são feitas de alumínio e telha. “Os marginais vão de barco e ás vezes a pé até a frente das casas e batem palma, quando ninguém atende, eles vão logo pegando tudo que conseguem”, afirmou Celina.

Mas também existem muitos cidadãos que se solidarizaram e estão ajudando como podem as pessoas que estão passando pela situação mais difícil de suas vidas. Prova disso são as centenas de voluntários que estão auxiliando na remoção dos alagados, sem falar na grande quantidade de alimentos que já foram arrecadados, que segundo o Corpo de Bombeiros já passou das seis toneladas.

Aleac ajuda na retirada dos desabrigados

O presidente da mesa diretora da Assembléia Legislativa do Acre (Aleac), deputado Sergio Oliveira, convocou todos os funcionários e seguranças da casa, para prestar auxilio às pessoas atingidas pela enchente. Na manhã de ontem, aproximadamente vinte funcionários da Aleac estavam no bairro Taquari. “Estamos espalhados pelos locais alagados, com alguns barcos e caminhões ajudando de todas as formas, tentando amenizar um pouco o difícil problema dessas pessoas”, comentou Carlos Coelho, secretário executivo da Aleac.

Coelho disse ainda que a partir desta segunda-feira as mulheres que trabalham na Aleac começarão a arrecadar alimentos pelos bairros, intensificando assim o apoio que foi pedido pelo deputado Sérgio Oliveira.

 
 
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Rio Branco-AC, 19 de fevereiro de 2006
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