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Rio Branco - Acre, sexta-feira, 3 de janeiro de 2003
Abandono do bairro Tancredo Neves
deixa moradores revoltados

Não passa carro na maioria das ruas esburacadas e
bandidos invadem as casas porque a polícia não pode entrar

Os moradores do bairro Tancredo Neves vivem um verdadeiro drama quanto à falta de assistência em algumas ruas. Apesar do bairro ter 15 anos de existência são várias as ruas sem tijolos ou asfalto. Tudo os moradores vêem é uma luta cerrada entre os buracos e o mato, que disputam espaço no que a prefeitura chama de rua.

Em conseqüência disso uma parte do bairro ganha uma aparência de zona rural. A comunidade é obrigada a se unir e fazer a manutenção que precisa para não se ver morando numa floresta. Com a lama que se forma nos dias de chuva, os carros, e às vezes os próprios moradores, nem sempre podem trafegar.

“Moro aqui há uns cinco anos e não vejo a prefeitura fazer uma rua de verdade para podermos passar. Quando chove fica horrível, pois tem muitos buracos e o lixo que é jogado no mato, é espalhado”, explica a moradora Vera Lúcia Gomes Carvalho.

Outro alvo de reclamações é a iluminação pública. Aliás, a falta dela. De noite é difícil caminhar, pois como as ruas são extremamente esburacadas, não há iluminação suficiente para servir de orientação.

Segundo Sebastião Costa de Souza, que reside no local há nove anos, a rua que liga os bairros Tancredo Neves e Jorge Lavocat não tem iluminação em 80% de seu trajeto.

“Essa rua é praticamente uma principal e deveria ao menos ter iluminação, já que é por ela que entramos no Jorge Lavocat. Ano passado a prefeitura veio aqui, fez a raspagem da rua para asfaltar. Mas não veio. Claro, ficou muito pior do que estava. Prefeito entra, prefeito sai e ninguém faz nada. E o pior é que todos eles sabem como está a nossa situação aqui, pois eles sempre vêm aqui em épocas de eleição prometendo isso e aquilo”, desabafa Sebastião.

Moradores pedem ação dos órgãos responsáveis

Como não bastasse a falta de iluminação, buraqueira, matagal e muita lama durante as chuvas, para poder ter acesso ao local em que residem, os moradores da rua que liga Tancredo Neves com o bairro Jorge Lavocat e ruas adjacentes, trabalham por conta própria. Cada um faz uma parte, cuida de um trecho, tira o mato que cresce aqui e ali, aterram.

“Como não temos com quem contar, nós mesmos fazemos o serviço aqui. Se ficarmos esperando a ação da Prefeitura, vamos morrer vendo o matagal invadindo nossas casas. O jeito é pegar no pesado mesmo e não deixar o mato tomar de conta”, explica o morador Alair Caetano Furtado.

“Não é novidade ver um vizinho capinando aqui e ali. Nós é que temos que pegar na enxada e terçado para tirar esse matagal de dentro de nossas casas. Iluminação nem se fala. A Eletroacre só serve para cobrar e cortar nossa luz, mas iluminação que é bom, não tem”, afirma Sebastião.

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