
por arte esquecida rastreiam
cardumes de lava,
silenciosos caminhos de chuva.
O traço oval do conjunto
é um pássaro fixo,
antigo e severo.
A boca é outro enigma
que também nos devora”.
Jorge Tufic
O universo da poesia de Jorge Tufic
Jorge Tufic, poeta e ensaísta, nasceu no município de Sena Madureira, Acre, no dia 13 de agosto de 1930. Descendente de uma família de comerciantes árabes, seu pai desenvolveu suas atividades comerciais nos seringais. Com o declínio da produção de borracha, transferiu-se, no início da década de 40, para Manaus, onde realizou seus primeiros estudos. Exerceu, durante boa parte de sua vida, a atividade de jornalista. Com a aposentadoria, afastou-se do funcionalismo público. A partir do início da década de 90, fixou-se em Fortaleza, dedicando-se exclusivamente à literatura. Tufic colabora com o jornal O Povo.
Um dos poetas mais expressivos da moderna literatura amazonense, sua estréia literária aconteceu em 1956, com a publicação de Varanda de Pássaros.
“O discurso poético de Jorge Tufic se desenrola no curso dessas duas margens: de um lado, a margem reflexiva identificada com a dimensão transcendental da existência, marcada por forte conteúdo existencial. A outra margem do discurso poético de Tufic se fundamenta nas preocupações formais e no caráter experimental de seu processo de criação. Sua produção literária é uma evidência de sua identificação com o universo regional, seu esforço em criar uma obra identificada com os mitos, anseios e esperanças do homem da Amazônia.”
Homem
Trajetória de sombra dispersada
Das mãos lhe escorre o tempo que sonhou.
Quantas almas possui na alma pisada?
Qual dentre todas a que mais amou?
Seus passos abrem sulcos de alvorada.
Por estrelas errantes se enredou.
Onde a sua face ausente procurada
E as ilhas de além-mares que fundou?
Máscara leve lhe recobre a fronte.
(O silêncio por trás constrói o mito)
Traz nos ombros a sombra do horizonte.
De fundas cicatrizes cava o mundo.
E, sendo humano, um pouco de infinito
Guarda no peito como em céu profundo.
(Varanda de pássaros)
OBRAS:
Poesia: Varanda de pássaros, 1956;
Pequena antologia madrugada, 1958;
Chão sem mácula, 1966;
Faturação do ócio, 1974;
Cordelim de alfarrábios, 1979;
Os mitos da criação e outros poemas, 1980; Sagapanema, 1981;
Oficina de textos, 1982;
Poesia reunida, 1987;
Retrato da mãe, 1995;
Boléka, a onça invisível do universo, 1995.
Conto:
O outro lado do rio das lágrimas, 1976.
Ensaio:
Existe uma literatura amazonense, 1982;
Roteiro da literatura amazonense, 1983.
Crônica:
Tio José, 1976.
Memória:
A casa do tempo, 1987.