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Rio Branco - Acre, sábado, 4 de janeiro de 2003
“Seus olhos rasgados,

por arte esquecida rastreiam

cardumes de lava,

silenciosos caminhos de chuva.

O traço oval do conjunto

é um pássaro fixo,

antigo e severo.

A boca é outro enigma

que também nos devora”.

Jorge Tufic

O universo da poesia de Jorge Tufic

Jorge Tufic, poeta e ensaísta, nasceu no município de Sena Madureira, Acre, no dia 13 de agosto de 1930. Descendente de uma família de comerciantes árabes, seu pai desenvolveu suas atividades comerciais nos seringais. Com o declínio da produção de borracha, transferiu-se, no início da década de 40, para Manaus, onde realizou seus primeiros estudos. Exerceu, durante boa parte de sua vida, a atividade de jornalista. Com a aposentadoria, afastou-se do funcionalismo público. A partir do início da década de 90, fixou-se em Fortaleza, dedicando-se exclusivamente à literatura. Tufic colabora com o jornal O Povo.

Um dos poetas mais expressivos da moderna literatura amazonense, sua estréia literária aconteceu em 1956, com a publicação de Varanda de Pássaros.

“O discurso poético de Jorge Tufic se desenrola no curso dessas duas margens: de um lado, a margem reflexiva identificada com a dimensão transcendental da existência, marcada por forte conteúdo existencial. A outra margem do discurso poético de Tufic se fundamenta nas preocupações formais e no caráter experimental de seu processo de criação. Sua produção literária é uma evidência de sua identificação com o universo regional, seu esforço em criar uma obra identificada com os mitos, anseios e esperanças do homem da Amazônia.”

Homem

Trajetória de sombra dispersada

Das mãos lhe escorre o tempo que sonhou.

Quantas almas possui na alma pisada?

Qual dentre todas a que mais amou?

Seus passos abrem sulcos de alvorada.

Por estrelas errantes se enredou.

Onde a sua face ausente procurada

E as ilhas de além-mares que fundou?

Máscara leve lhe recobre a fronte.

(O silêncio por trás constrói o mito)

Traz nos ombros a sombra do horizonte.

De fundas cicatrizes cava o mundo.

E, sendo humano, um pouco de infinito

Guarda no peito como em céu profundo.

(Varanda de pássaros)

OBRAS:

Poesia: Varanda de pássaros, 1956;

Pequena antologia madrugada, 1958;

Chão sem mácula, 1966;

Faturação do ócio, 1974;

Cordelim de alfarrábios, 1979;

Os mitos da criação e outros poemas, 1980; Sagapanema, 1981;

Oficina de textos, 1982;

Poesia reunida, 1987;

Retrato da mãe, 1995;

Boléka, a onça invisível do universo, 1995.

Conto:

O outro lado do rio das lágrimas, 1976.

Ensaio:

Existe uma literatura amazonense, 1982;

Roteiro da literatura amazonense, 1983.

Crônica:

Tio José, 1976.

Memória:

A casa do tempo, 1987.

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