
José Cláudio Mota Porfiro *
Não é ficção. Andrei é o nome do meu primogênito, de dez anos, completados no último 26 de dezembro, com a graça de Deus.
Alguns ou muitos dirão que estou a puxar brasa para a minha sardinha. Afianço-vos, entretanto, que não se trata exatamente disto. É que nós não fazemos parte do high society, logo, estamos impedidos de freqüentar as colunas sociais. Assim, nada mais justo que a utilização deste espaço para homenagear um dos meus aniversariantes prediletos.
Sem ou com falsa modéstia, falo-vos do meu filho, uma criatura especialíssima, como assim o são todos os filhos de todas as pessoas, com raras exceções. E não é apenas por ser cria minha, mas é pelo fato de se tratar de um garoto virtuoso que, exatamente por isto, merece a homenagem que aqui rendo, sem ficar feito a coruja que gaba o toco, ou como a égua a lamber o potro recém vindo ao mundo. Seria necessário, certamente, o testemunho da Profa. Necy, da quarta série do Colégio D. Pedro, em Rio Branco, ou da Profa. Valéria, do Colégio JK, de Brasília, onde ficamos os seis primeiros meses de 2002.
Antes de entrar no mérito próprio destes escritos, é oportuno traçar um perfil mais ou menos aproximado do Andrei. O moço está atualmente matriculado na quinta série do ensino fundamental, é torcedor fanático e lamentavelmente choroso ante as decepções e reveses sofridos pelo Palmeiras de São Paulo. Desenha charges como grande admirador do chargista Francisco Braga. Como presente de Natal, escolheu ganhar um ramster ao qual deu o nome de Jeffrey e cuja esposa, já encomendada, deverá chamar-se Jeane. É atleta de natação do time da AABB. É também amante do xadrez, apesar da falta de tempo para ir aprender com o campeão Iung Pinheiro. Católico praticante, recebeu homenagem especial em missa de ação de graças ao seu aniversário, rezada na catedral Nossa Senhora de Nazaré, por um padre amigo, de quem é fã número um. Atônito, outro dia ouvi do Andrei a seguinte afirmação: “missa é com o Padre Asfury, o resto é pelada...”
Sim, somos felizes com certeza, mas tudo até agora foram prolegômenos ao mérito real da questão em pauta.
Carrego comigo a certeza de que já vivi momentos melhores no afã de produzir textos agradáveis aos olhos e aos ouvidos dos meus poucos leitores. Como que percorrendo um caminho inverso, já não sou mais o escriba de antanho, que agradava os amigos e enraivecia os inimigos. Meu texto está depreciado, em vista da crítica corrosiva que parte de mim próprio, apesar de virtuoses como Francisco Dandão e Beneilton Damasceno afirmarem o contrário.
É oportuno dar ênfase ao que me disse este segundo moço, codinome Professor Leopoldo Assumpção. Apregoa ele que os escribas exercem o seu desideratum considerando três possibilidades: ou escrevemos tratando das nossas boas qualidades, ou escrevemos maltratando os outros, ou escrevemos elogiando os elogiáveis. Como o Andrei é meu dileto e elogiável filho, e não nos cabe outro espaço, nada melhor que homenageá-lo aqui.
Certamente, a homenagem em um outro espaço cairia bem melhor. Mas nós não somos socialytes. Então, se não nos cabe a coluna social, qualquer dia desses pode até caber a policial, (Que Deus nos livre!) Ora, afinal de contas, o que vos escreve estas amarfanhadas linhas é apenas um articulista que teima em colaborar com pessoas que talvez nem queiram tal colaboração. Para um jornal, qual o real valor de um articulista que não seja o Clóvis Rossi ou o Carlos Heitor Cony, dentre outros? Aos teimosos e pequenos colaboradores como eu é dado muito pouco valor, apesar de o produto do seu trabalho ajudar na sobrevida da imprensa de um modo geral. Os articulistas não são convidados a jantares, cafés da manhã ou confraternizações, e sequer concorrem a prêmios, apesar da qualidade do seu trabalho.
Eis a verdade mais cristalina com a qual continuarei a operar se ainda forem bem vindos os meus escritos. Gracias!