
Nos supermercados, alimentos sem
agrotóxicos
atraem consumidores que dão preferência ao natural
Nada de agrotóxicos nem fertilizantes químicos. Essas são as condições básicas que definem os alimentos orgânicos, produtos que há algum tempo começam a invadir as prateleiras dos supermercados de Rio Branco e ganhar a simpatia dos consumidores acreanos.
Para vender alimentos orgânicos, os produtores devem respeitar normas em todas as etapas de produção: da preparação do solo à embalagem do alimento, sempre preservando os recursos naturais. E essas normas são rigidamente cumpridas pelo acreano Ducílio Farias, que há oito meses investiu cerca de R$ 15 mil na elaboração de uma horta, na estrada Apolônio Sales, especializada na produção de verduras e legumes orgânicos.
Numa área de aproximadamente um hectare, a horta acolhe centenas de pés de rúcula, coentro, cebola, alface, pimentão e outras oito variedades de leguminosas. Todos esses alimentos são cuidadosamente cultivados e totalmente isentos de qualquer produto químico. O adubo é natural. Esterco de vaca, resto de material orgânico, cinzas, cal, leite de vaca e até açúcar tornam o solo fértil e propício para o cultivo.
SAÚDE- Segundo o produtor, os alimentos orgânicos têm algo a mais a oferecer do que matar a fome. “Eles oferecem saúde”, afirmou. A aparência um pouco diferente dos alimentos convencionais denuncia a qualidade dos alimentos. “A nossa cenoura é mais fina do que as vendidas por aí. Isso acontece porque elas não são carregadas de adubo químico para incharem”, explicou.
Supermercado adere à venda dos orgânicos
Há dois anos, o supermercado Araújo começou a investir na venda de produtos cultivados naturalmente. Mas o espaço para tais alimentos era restrito: cerca de dois metros numa prateleira. Hoje, o diretor geral do supermercado, Adem Araújo, garante que 10% da seção de hortifruti do local é destinado à venda desses alimentos, tanto os produzidos no Estado quanto os exportados.
“A gente vê a cada ano crescer ainda mais a venda desses alimentos. Acreditamos que num futuro próximo, a venda desses produtos aqui no Acre vai se equiparar aos demais, assim como já acontece em algumas regiões. As pessoas têm se interessado mais pelo assunto e estamos investindo nisso”, afirmou o empresário.
E investiram mesmo. Logo no estacionamento do supermercado, uma faixa anuncia: “Aqui temos produtos orgânicos”. E os consumidores se interessam. A dona de casa Marinete Aquino é um exemplo. Entre a rúcula orgânica e a inorgânica, ela diz ficar com a primeira opção.
“É bom porque estamos levando saúde para nossa família. Se tivesse todos os alimentos com as duas opções, eu levaria todos orgânicos. A gente come menos veneno”, disse Marinete.
PREÇO – O preço dos alimentos orgânicos é um pouco mais caro. O coentro comumente vendido no supermercado, por exemplo, custa 55 centavos, enquanto que o orgânico está sendo comercializado a 1,09 real. Mesmo assim, a diferença de preço parece não fazer diferença na preferência.
Técnicas especiais para o cultivo
Para o cultivo dos produtos orgânicos, algumas técnicas podem salvar as plantações de pragas e torná-las produtivas. Os adubos naturais e os bio-fertilizantes (feitos todos com materiais naturais) são algumas delas. Essas técnicas podem dar mais trabalho aos agricultores, mas em compensação, saem bem mais baratas para o bolso do que os fertilizantes e adubos químicos.
“A gente amontoa os materiais orgânicos numa pilha de mais ou menos 1,5 metro de altura ao ar livre e deixa se decompor por uns 60 dias. Depois desse período, o adubo natural estará pronto para jogar na horta”, explicou Ducílio.
Para combater as pragas, álcool, tabaco e pimenta de cheiro podem ser algumas alternativas. “Na folha da rúcula, por exemplo, se aparecer alguma lagarta, a gente pega e enrola a lagarta na própria folha, bate no liquidificador e joga de volta na plantação”.
Todas essas técnicas foram descobertas e estudadas após um longo tempo de pesquisa. Segundo Deucílio, para se comercializar alimentos orgânicos, o produtor precisa fazer um curso de capacitação oferecido pelo Ministério da Agricultura.
“Eu faço isso porque gosto, porque acredito numa alimentação mais saudável para as pessoas. Hoje em dia quantas doenças novas estão aparecendo e destruindo vidas? Acredito que a alimentação influencia muito nesse aspecto, por isso, invisto no meu trabalho”, afirmou Deucílio, que emprega hoje quatro famílias no cultivo da horta e está reformando o espaço de plantação.