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Rio Branco - Acre, sábado, 4 de janeiro de 2003
Família afirma: “Mão-de-Onça foi
assassinado por uma pessoa próxima”

Parentes do cantor não acreditam na tese de suicídio e apresentam versão que pode revolucionar as investigações

J. Guimarães

O cantor, compositor e sargento da banda de música da Polícia Militar José Gomes Coelho, 41, o “Mão-de-Onça”, encontrado morto quinta-feira de manhã numa chácara no quilômetro 2 da estrada de Porto Acre pendurado em um pé de limão por uma corda, pode não ter se matado. A família do cantor acredita que ele tenha sido assassinado a pauladas pela própria esposa, Francisca Rodrigues da Silva, e o eventual amante com quem ela estaria vivendo maritalmente desde que o marido ficou preso no quartel por desertar da Polícia Militar do Acre.

A família questiona a posição em que o corpo foi encontrado - segundo ela, imprópria para quem comete suicídio - e levanta polêmica sobre um hematoma na cabeça do cantor e um corte no supercílio. Além de colocar em dúvida a índole da viúva, Francisca Rodrigues da Silva, 20 anos mais nova que ele, que estaria tendo um caso amoroso com um vizinho da chácara onde Mão-de-Onça foi encontrado morto quinta-feira pela mãe.

“A mulher com quem ele vivia estava tendo um caso com um rapaz que mora ao lado da chácara onde aconteceu o crime. Meu irmão ficou sabendo da traição um dia antes de morrer ao chegar em casa para passar o Natal com a família e se deparar com o amante de sua mulher dentro de casa com ela. Houve uma discussão entre eles e meu irmão foi dormir na minha casa naquela noite, onde contou tudo para mim e meus filhos” conta Janete Gomes Coelho, irmã do cantor.

No entanto, a mulher não sabe explicar o que o irmão foi fazer na chácara no dia seguinte, uma vez que, segundo ela, ele teria afirmado que jamais voltaria naquele local depois de tomar conhecimento de que a esposa estaria vivendo maritalmente com um vizinho enquanto ele cumpria punição por desertor no Centro de Formação de Praças da Polícia Militar (CEFAP). Janete acredita que o irmão tenha procurado Francisca para decidirem sua vida conjugal e talvez tenha resolvido dormir na chácara para conversarem com mais calma, uma vez que no dia anterior teriam discutido e trocado ofensas.

A família está intrigada com uma fratura exposta no supercílio da vítima, que segundo os parentes pode ter sido causado por pauladas. “No rosto do meu irmão, bem próximo ao supercílio, havia um ferimento que sangrava bastante durante o velório e na altura no ouvido existia um hematoma visivelmente causado por pancadas de pau”, afirma Janete.

A outra evidência mostrada pela família de que Mão-de-Onça não cometeu suicídio é a posição em que se encontrava o corpo. “Ninguém se enforca sentado na grama. As fotos da perícia, feitas no local onde o corpo fora encontrado, mostram que meu irmão estava praticamente sentado”, questiona Janete, ao levantar suspeitas de que o cantor tenha sido assassinado pela esposa e o eventual amante. “Eu tenho certeza de que aconteceu algo naquela chácara. Tudo leva a crer que meu irmão foi morto por eles e depois colocado naquele pé de limoeiro para tentar enganar a polícia, fazendo parecer que foi um suicídio.”

As desconfianças da família já foram levadas ao conhecimento do Comando Geral da Polícia Militar do Acre, que por sua vez, através do coronel Alberto Camelo, solicitou ao diretor de Polícia Técnica do Estado, Jessélio Advincola Medeiros, que, se necessário, realizasse um novo exame cadavérico para tirar qualquer dúvidas sobre o caso.

A possibilidade de homicídio é descartada pelo diretor de Polícia Técnica. “Não chegou nem um documento até nós solicitando um novo exame cadavérico. Até porque não existem motivos para desconfiar que não tenha sido suicídio. Pelos exames realizados, os vestígios e os indícios encontrados no local, fica claro que a vítima se matou”, garante Jessélio.

O diretor da Polícia Técnica ainda tentou explicar ao Pagina 20 as suspeitas levantadas pela família do cantor. “Embora o laudo médico só saia na próxima segunda-feira e o laudo de terreno só será expedido na quinta-feira, temos fortes evidencias para dizermos que foi suicídio. O corte no supercílio da vítima foi causado pela funerária ao remover o cadáver. O fato de o corpo ter sido encontrado quase sentado podemos explicar da seguinte maneira: o galho no qual a corda estava presa é flexível e, com o peso da vítima, cedeu, deixando o corpo a poucos centímetros do solo. No entanto, a morte ocorreu por asfixia, ou seja, a corda apertou o pescoço da vítima impedindo sua respiração”, explica Jessélio.

Ele disse ainda que quando a esposa se deparou com o marido pendurado no limoeiro ele ainda estava se debatendo. Mas teria morrido enquanto ela se deslocava para pedir ajuda na casa de um vizinho. Essa versão também foi dada por Francisca no dia do episódio, mas a viúva não soube explicar por que teria discutido com o marido na manhã do fato e por que ele, segundo disse, estaria ameaçando-a de morte.

Suspeito de assalto é preso com bebida contrabandeada

O ex-funcionário do hotel Imperador Galvez Gemilson Pinto Teixeira, 26, residente na rua Baguari, bairro Taquari, suspeito de ser o autor intelectual do assalto àquela pousada, foi preso quarta-feira à tarde e indiciado por contrabando de bebida.

O Grupo Antiassalto da Polícia Civil (GAPC), ao vistoriar a casa de Gemilson, durante as investigações que apuravam o assalto ao hotel Imperador Galvez, encontrou 36 litros de uísque Johnnie Walker, contrabandeados da Bolívia, escondidos dentro de um pequeno quarto.

A bebida foi apreendida sob suspeita de ter sido roubada do hotel onde ele trabalhou por alguns meses, mas depois a polícia ficou sabendo que o rapaz comprava o produto em Cobija (Bolívia), driblava a fiscalização e revendia em Rio Branco.

A ação caracteriza crime de contrabando, que varia de dois a oito anos de prisão, e por isso o acusado foi autuado e enviado parta o complexo penitenciário do Estado.

Acusado de estuprar e matar idosa é condenado

O júri popular da comarca de Rio Branco condenou ontem de manhã a nove anos e seis meses de prisão em regime fechado o homicida e estuprador Airson França Ferreira, um dos acusados de estuprar e matar a anciã Alíta Ferreira de Oliveira na noite do Natal de 2000, no bairro Belo Jardim.

O réu admitiu ter participado do estupro da aposentada, mas negou qualquer participação no homicídio. Ele atribuiu a morte aos outros participantes do crime, que deverão ser julgados ainda este ano.

Alíta saía de uma igreja, às 21 horas do dia 24 de dezembro de 2000, quando foi abordada pelos bandidos, arrastada para um terreno baldio, estuprada e morta com um tiro de escopeta no rosto.

Seu corpo foi encontrado pelos filhos no dia seguinte, nu e banhado em sangue. Ao lado do cadáver a polícia localizou um par de sapatos e alguns objetos pessoas que serviram para identificar os criminosos.

Segundo a polícia, os bandidos ainda arrancaram um dos dentes da vítima à força e lhe roubaram um cordão de ouro. O crime teria sido uma represália dos marginais contra a família da vítima, que os teria os denunciado À polícia por pratica de tráfico de droga no bairro belo Jardim.

Patrulha

Assaltante preso

Um homem identificado apenas por A. de Carlos foi preso na manhã de ontem acusado de assaltar vários mototaxistas no município de Senador Guiomard. Ele já vinha sendo procurado pela polícia local há mais de três meses.

O acusado atacava suas vítimas passando-se por um simples passageiro, que contratava os mototaxistas para corrida a locais desertos, chegando ao destino ele anunciava o assalto.

O assaltante foi encaminhado à delegacia de Senador Guiomard, onde aguardará a decisão das autoridades do município. Provavelmente seja transferido para o presídio de Rio Branco.

Mulher detida

Uma mulher não identificada foi presa pela policia de Sena Madureira por falsidade ideológica. Ela se apresentou na delegacia mostrando uma carteira com identificação da Polícia Militar para ter acesso ao presídio. Os policiais que estavam no local permitiram a entrada da mulher sem desconfiar da procedência da credencial.

Um dos integrantes da guarnição do presidio duvidou dos documentos e ao examiná-los descobriu que se tratava de uma falsificação feita por camelôs. A mulher foi autuada em flagrante e vai responder processo por falsidade ideológica.

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