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Rio Branco - Acre, sábado, 4 de janeiro de 2003
Clima de expectativa nas secretarias
com indefinições nos cargos de chefia

Com o anúncio da saída de Eduardo Farias da direção
do PS, servidores vivem dias de saudade e dúvida

Uma festa surpresa foi organizada ontem pelos funcionários do Hospital Geral de Clínicas de Rio Branco para a despedida do médico Eduardo Farias. Ele deixa o cargo de diretor do hospital a partir desta semana, após quatro anos à frente da instituição de saúde que atende os casos de emergência e urgência de todo o Acre e também de Estados vizinhos.

Os funcionários e coordenadores de setor começaram a viver um clima de expectativa desde o anúncio das mudanças na segunda gestão do governo Jorge Viana. Após a entrega de todos os cargos de indicação do governador, os profissionais de saúde, que aprenderam a conviver com o médico Eduardo Farias na direção do hospital desde 1999, passaram a viver a expectativa de sua saída ou não do órgão.

Com o anuncio oficial dos nomes pelo governador Jorge Viana, na terça-feira, dia 31, os servidores perderam definitivamente a esperança de ter à frente do PS o profissional que deu novo ânimo ao hospital e promoveu grandes mudanças, sobretudo desenvolvendo uma relação de carinho e companheirismo entre todos os servidores, desde o mais humilde até o mais qualificado.

Durante a festa de despedida, alguns servidores não contiveram as lágrimas e desabafaram o que estavam sentindo. Mas, segundo a maioria, há uma consciência entre os servidores de que o trabalho já realizado até agora terá continuidade e o médico Eduardo Farias irá continuar a desenvolver um excelente trabalho onde estiver.

Os funcionários do HGCRB haviam vivido no último dia 30 um momento de demonstração de amor e carinho pelo local de trabalho com o abraço que deram ao redor do prédio do hospital, juntamente com antigos pacientes e servidores da saúde de outras instituições. Segundo os servidores, o abraço ao hospital simbolizou muito do trabalho que foi realizado pelo médico Eduardo Farias e sua equipe, não só quanto à parte física e estrutural, mas, sobretudo, quanto à melhoria da relação humana dentro do hospital entre os próprios servidores e entre os pacientes.

Gestão anterior abriu as portas
para tornar PS modelo de saúde

Durante os quatro anos que o médico infectologista Eduardo Farias ficou à frente do Hospital Geral de Clínicas de Rio Branco, o órgão mudou completamente. Há quatro anos, o hospital tinha fama de açougue, onde os pacientes eram jogados a própria sorte a profissionais pouco motivados, devido à falta de condições de trabalho. Faltava tudo nas enfermarias. Sequer uma rede de telefonia existia para a comunicação entre os setores. Em muitos casos os pacientes eram jogados pelos corredores e não havia controle de acesso de pessoas estanhas a equipe.

Hoje a realidade é totalmente outra. Uma equipe de moças foi formada para exclusivamente orientar os pacientes na sala de espera, que passou a ter sistema de ar-condicionado. O hospital conta com mais de 300 terminais de chamadas telefônicas e uma central para facilitar a comunicação interna e externa. Está em fase de implantação uma rede de computadores que vai disponibilizar na Internet informações sobre todo o hospital.

Outra modificação importante foi quanto ao modelo de gestão administrativa. A Fundação Getúlio Vargas disponibilizou através de sua equipe de consultores um trabalho de análise das demandas e realização de um plano de gestão participativa que está montado e pronto para ser implantado definitivamente. O plano inclui elementos essenciais para o aprimoramento funcional do órgão como uma ouvidoria, setor de gestão de pessoas e assessoria de comunicação interna. Além dessas mudanças, o hospital organizou as escalas do médicos de modo a evitar as falhas e adquiriu equipamenetos modernos e novos.

Jesuíta fala que novos quadros
serão reforço para a equipe

A secretária interina de Saúde, Maria Jesuíta Arruda da Silva, disse ontem que a avaliação hoje do trabalho realizado é de missão cumprida. Segundo ela, as expectativas para este ano são as melhores possíveis porque agora será a vez de dar um salto maior ainda na qualidade dos serviços oferecidos à população.

Jesuíta falou que as mudanças e inclusões na equipe estão sendo vistas como um reforço para o trabalho na área de saúde do estado e não como alterações. Ela continuará na saúde como secretária adjunta, após sete meses como titular a frente da secretaria. Jesuíta já estava na equipe de governo desde o início da gestão em 1999.

Para ela o cargo tem um lado espinhoso, mas a sensação que tem agora é de ter cumprido sua missão enquanto cidadã. Segundo ela, o momento mais difícil que viveu foi logo no início da gestão em 99 quando os problemas na saúde eram muito maiores e as demandas ficavam complicadas pela falta de organização.

“Foi preciso organizar a casa até que a situação de caos fosse sanada. Porém, quanto mais dificuldades a gente tinha, mais se estimulava a trabalhar e atender aos clamores. Quanto mais obstáculos nós tínhamos, mas a gente se empenhou em mostrar respostas positivas”, garante ela.

A secretária interina contou que um momento que marcou como positivo nesses sete meses de gestão, foi quando recebeu o agradecimento da filha de um paciente que estava fazendo tratamento fora do domicílio. Jesuíta estava no setor e, sem que a filha do paciente, que havia falado com ela dias atrás por telefone, a reconhecesse, ouviu um depoimento que a emocionou.

“A senhora estava elogiando o sistema de saúde nosso que, segundo ela, comparado com os de outros estados, é muito superior. Ela disse que, ‘por aí’ não havia a atenção que o sistema dá aqui. Isso foi muito gratificante ouvir da usuária sem que ela soubesse que eu estava ouvindo”, contou a secretária.

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