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Rio Branco - Acre, domingo, 5 de janeiro de 2003

Marcos Vicentti

O Cine Teatro Recreio sobrevivia aos tempos, e mesmo em estado de abandono continuava realizando suas sessões com suas matinês

Cinema é cultura, arte e a maior diversão

O que é cinema? Como ele influencia as nossas
vidas? O que veio primeiro, o cinema ou a televisão?

Rose Farias

Estudiosos da sétima arte afirmam que o cinema é o segundo produto cultural mais consumido pelas pessoas, de qualquer faixa etária, apenas precedido pela Televisão. E isso, levando em consideração apenas o número de vezes que as pessoas vão ao cinema, o que exclui, portanto, todos os filmes vistos em casa, exibidos pelos canais de televisão ou reproduzidos por meio de aparelhos de vídeo.

Desde sua invenção em 1895 por Lumiére, na França, o cinema vem oferecendo opção de prazer e conhecimento aos mais variados públicos. A pergunta está lançada por que será que a chamada sétima arte exerce tanta fascinação pelas pessoas?

Por vários motivos um deles é que por ser uma arte temporal cria a ilusão de reproduzir a vida tal qual é. Coloca na tela pedaços da realidade, como se nosso olhar estivesse enfocando o real e não a sua representação. O espectador tem a impressão exata de estar participando dos acontecimentos, sendo deles mais uma testemunha. Isso ocorre mesmo com a representação de fatos acontecidos longe de sua moradia ou local de trabalho. O realismo procurado pelo cinema tem por objetivo único dar credibilidade a representação. O cinema escamoteia, esconde seus produtores, ou seja, o grupo social que o produz, do mesmo modo como esconde os truques de filmagem. Com isso, fortalece a sensação de participação direta no que está acontecendo.

Isso leva a um segundo estágio de homogeneização, ou seja, o da padronização dos gêneros. Cada um, fosse faroeste, comédia pastelão, drama social, drama romântico, musicais, filmes de terror; de suspense, ou quaisquer outros, abocanharam um filão de público.

Salas de cinema - Sabe aquela pipoca gostosa? É uma combinação e tanto com um boa película.

Os amantes da sétima arte no Acre, os cinéfilos de carteirinha, por volta da década de 70 até o final dos 80, puderam ter o prazer de contar com várias salas de cinema. E o mais interessante que nesse período, Rio Branco possuia em seu roteiro de entrenimento, quatro salas e até um cine-clube.

As salas exibiam os mais variados gêneros, era a época dos episódios, onde Flash Gordon, deixava os espectadores de água na boca, à espera do próximo capítulo, exibido aos domingos. Os faroestes como o clássico No Tempo das Diligências, O Dólar Furado, com o estonteante ator que costuma arrancar suspiros das moçoilas, Giuliano Gema. Sem deixar de citar, os clássicos como Ben Hur, Sansão e Dalila, Marcelino Pão e Vinho, Tarzan, Assim Caminha a Humanidade, e películas mais atuais da época como 007, Bruce Lee, O Estranho no Ninho, Sobrevivente dos Andes, Drácula com Christopher Lee, entre outros.

O Cine Teatro Recreio, o mais antigo entre os quatro, sobrevivia aos tempos, e mesmo, em estado de abandono continuava realizando suas sessões aos finais de semana, com suas homéricas matinês, das tardes de domingo, onde a garotada aproveitava para namorar escondido, no escurinho do cinema. O beijo ou a mão na mão só eram cortados, quando a fita enroscava, interrompendo a sessão, as luzes acendiam e a gritaria tomava conta da clássica sala. São histórias e mais histórias a serem contadas, que dariam um rico roteiro sobre a relação do público acreano com o cinema.

Foi com a falta de uma política cultural arrojada e de incentivo, que Rio Branco foi perdendo suas salas de cinema, não restando nenhuma para contar a história.

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