
Sob qualquer circunstância, o apelo à força física para resolver problemas do cotidiano sempre foi condenável. Quando existem leis proibindo a prática e prevendo punições para seus adeptos, o que era condenável torna-se um crime hediondo, injustificável e imperdoável, que deve merecer total desprezo e punição por parte da sociedade civil organizada.
Quando um caso de violência envolve aqueles a quem a sociedade aprendeu a respeitar e confiar, atinge os níveis da mediocridade e do doentio. As forças policiais existem para dar segurança e - absurda inversão de valores - garantir a paz e a ordem, chavão repetido, diga-se, em todos os círculos militares e civis.
O bisão, espécie de bovino originário das regiões das estepes sul-africanas, protege os integrantes mais fracos do rebanho com um cuidado especial, chegando a atrasar os passos da migração para locais com mais água em caso de animais feridos ou enfraquecidos.
O mesmo acontece com as zebras, o antílope dos Andes e os cangurus australianos. A humanidade, portanto, é a única espécie que já promoveu duas guerras de proporções globais, afora os conflitos menores, dizimando milhões de membros.
Esse caso de violência contra um demente de 23 anos, que certamente, dado o seu estado da insanidade, não teve como se defender, deve mobilizar as entidades de direitos humanos e chamar a sociedade a uma reflexão. Os autores desse crime devem ser localizados e culpados, mas, principalmente, o papel da polícia na defesa da eqüidade e da paz urbana deve ser restabelecido.