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Rio Branco - Acre, terça-feira, 7 de janeiro de 2003
Entidades comemoram o Dia
Internacional da Liberdade de Culto

Religiões recentes e milenares comemoram tolerância
da legislação e respeito popular entre os acreanos

O mundo tem notado as mudanças ocorridas no decorrer dos anos quanto à religião. A liberdade religiosa, hoje, é um dos mais importantes direitos individuais previstos na Constituição da República. Hoje, o mundo comemora o Dia Internacional da Liberdade de Culto.

Este direito está gravado na Constituição Federal, no art. 5º, inciso VI, que diz: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”.

Aos poucos, religiões trazidas de outros continentes ganharam grande espaço no Brasil. Hoje são inúmeras as religiões que um dia foram criticadas e desprezadas pela população e em especial pelas religiões mais antigas, mas que agora têm os mesmos direitos garantidos de cultos.

Com isso, nota-se que o Brasil é diferente dos outros países não só no futebol, ou na diversidade de raças, mas também na área espiritual. Já foi comprovado que o Brasil é o país mais liberal quanto a questão religiosa. As pessoas têm total liberdade para viver e defender o que crêem.

Em conseqüência de toda essa liberdade, várias são as religiões oficiais no país que têm se destacado nos últimos anos, entre elas, nota-se as espiritas, evangélicas, pentecostais, umbanda, judaica, islâmica, candomblé, católica, entre outras. E cada uma delas vêem esse dia de diferentes formas. Em comemoração, essas religiões estão fazendo festas, atos públicos e ações beneficentes.

Entre todas elas, a que mais se destaca não pelo que defendem, mas pela sua origem, é o movimento religioso do Santo Daime.

A religião começou no interior da floresta amazônica, nas primeiras décadas do século 20. O movimento inicia-se oficialmente a partir da bebida Ayahuasca (vinho das almas), pelos seus adeptos denominada Santo Daime. A religião saiu do Estado e agora está por todo o mundo, mas um motivo para que a data seja comemorada, pelos acreanos, com muita serenidade.

Religiosos falam a respeito do dia

Para boa parte dos evangélicos o dia tem sua importância e deve ser prestigiado, não só hoje, mas todos os dias, uma vez que o país têm boa receptividade para o evangelho.

“Devemos sim, comemorar esse dia, pois no Brasil existe uma liberdade religiosa que não se vê é nenhum outro lugar do mundo, ao contrário, em vários países, as pessoas vivem em total ignorância quanto ao conhecimento de um Deus, são totalmente controladas por autoridades que não os permitem escolher os princípios que regerão suas vidas”, afirma o evangélico João Cleider.

Para os espiritas é um dia de vitória. É mais um estimulo para a continuação do trabalho que desenvolvem com pessoas mais carentes.

“É de extrema importância podermos divulgar nossa fé através desse dia. As pessoas ficam mais receptivas quanto a parte espiritual”, explica o espírita Marcos de Souza.

Santo Daime

A religião do Santo Daime começou no interior da floresta amazônica, nas primeiras décadas do século XX, com o neto de escravos Raimundo Irineu Serra. Foi ele que recebeu a revelação de uma doutrina de cunho cristão, a partir da bebida Ayahuasca (vinho das almas), pelos seguidores chamada Santo Daime.

A bebida, de uso bastante difundido pelos povos indígenas da região, é obtida pela união de duas plantas, o cipó Jagube (banesteriopsis caapi) e a folha Rainha (psicotrya viridis) ambas nativas da floresta tropical. Ela tem propriedades enteógenas, isto é, produz uma expansão de consciência responsável pela experiência de contato com a divindade interior, presente no próprio homem.

Segundo o próprio Mestre Irineu, ele recebeu essa Doutrina através de uma aparição de Nossa Senhora da Conceição, em uma das primeiras vezes que tomou a bebida, no município de Brasiléia. Os hinos do Mestre, que ele começou a receber a partir do começo da década de 30 trouxeram uma forte ênfase nos ensinos cristãos e uma nova leitura dos Evangelhos à luz do Santo Daime, para afirmar, nos tempos de hoje, os mesmos princípios de amor, caridade e fraternidade humana.

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