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Rio Branco - Acre, terça-feira, 7 de janeiro de 2003
Mudança segura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer construir uma nova hegemonia política e social no país. Os petistas não anunciam 20 anos de poder, como os tucanos, mas sua ambição vai além dos quatro anos de mandato. Para construir essa hegemonia foi criado o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no qual o governo sentará à mesa com 82 representantes da sociedade.

A pretensão do governo Lula é transformar esses representantes da sociedade em parceiros estratégicos do processo de mudanças. Quer ganhá-los como aliados na transição de um modelo econômico neoliberal para um modelo democrático, distributivo e com participação cidadã. E criar um bloco de interesses com tal consistência, em cima de propostas para enfrentar os problemas do Brasil, que desestimule quaisquer iniciativas para voltar atrás.

Dentro do governo essa construção está sendo chamada de “governabilidade ampliada”, pois não se sustentará apenas no Congresso e na democracia representativa. Pressupõem também construir posições comuns pelo contraditório em que as partes, inclusive a do presidente eleito com 53 milhões de votos, estejam abertas a mudar de posição. Afinal, como reconhece o secretário Especial de Desenvolvimento Econômico, Tarso Genro, não há teoria nem experiência positiva sobre transição de um modelo neoliberal para um humanista.

— Todas as tentativas até agora levaram ao atraso das forças produtivas, à adoção de boas e limitadas políticas compensatórias ou à divisão da sociedade, como ocorre na Venezuela.

O presidente Lula em seu discurso de posse disse “vamos mudar sim”, mas com cuidado, num processo gradativo por meio do diálogo e onde não cabe o voluntarismo nem atropelos ou precipitações. O jeito petista de mudar considera que a segurança é uma categoria central da política em tempos de primazia do mercado financeiro. E que até para mudar a política econômica é preciso construir um patrimônio de confiabilidade. Para os integrantes do governo Lula, a nova ordem nascerá de um processo negociado e a ruptura com o atual modelo se fará sem afetar a estabilidade e a previsibilidade

O ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, convocou o ex-secretário de Turismo do Rio Grande do Sul Milton Zuanazzi para trabalhar na reestruturação da Embratur.

Acordo entre PT e PMDB na berlinda

Os presidentes do PSDB, José Aníbal, e do PMDB, Michel Temer, tiveram uma longa conversa no domingo em São Paulo. Os tucanos querem formar um bloco com o PMDB e o PFL para fazer oposição ao governo Lula e lançar candidato à presidência da Câmara.

Ontem, Michel Temer admitiu pela primeira vez que o acordo com o PT pode fazer água. E responsabilizou os petistas pelo possível naufrágio do acerto pelo qual o PT elegeria o presidente da Câmara e o PMDB, o do Senado.

— Nós queremos manter o acordo mas desde que haja confiabilidade absoluta.

A cúpula do PMDB está convencida de que os petistas estão trabalhando em favor da candidatura de José Sarney (PMDB-AP) para a presidência do Senado. E foi informada de que Sarney lançará sua candidatura no plenário, caso se confirme a preferência da bancada pelo líder Renan Calheiros (PMDB-AL).

Se o relacionamento não for institucional e se o PT não respeitar a decisão dos senadores do PMDB, Temer diz que não há motivo para manter o apoio à candidatura de João Paulo Cunha (PT-SP) à presidência da Câmara.

Suframa

O governador Eduardo Braga (AM) não quer saber de discutir nomes para dirigir a Suframa. O presidente Lula e o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, bem que tentaram arrancar-lhe uma indicação. Mas o governador, antes de sugerir qualquer nome, quer que a Suframa recupere sua autonomia e a capacidade de decidir sobre receitas próprias de R$ 180 milhões que foram para o superávit primário.

Cassado

O deputado Pinheiro Landim (PMDB-CE), investigado por envolvimento com traficantes, não vai mais depor na Corregedoria da Câmara amanhã. Justificou sua atitude dizendo que não teve direito de conhecer as acusações feitas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. O corregedor, deputado Barbosa Neto (PMDB-GO), mesmo assim promete entregar seu relatório ainda esta semana. Ele vai pedir a cassação.

A SUSPENSÃO da licitação para obras em rodovias federais, adotada pelo ministro dos Transportes, Anderson Adauto, não agradou a muitos governadores. O de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, foi um dos que ficou irritado por ver adiado o cumprimento de uma de suas promessas de campanha: a duplicação da BR-101 no trecho sul do estado.

O EX-GOVERNADOR Dante de Oliveira e o ex-deputado Domingos Leonelli estão concluindo, em Salvador, a redação de livro que conta a história da campanha das diretas. O livro abrange o período de janeiro de 1983 a abril de 1984 e deve ser lançado no dia 25 de abril, data da votação da emenda no Congresso.

O SENADOR Pedro Simon (RS) decidiu disputar o cargo de líder do PMDB. Seu adversário é o senador Ney Suassuna (PB).

Tereza Cruvinel


cruvinel@bsb.oglobo.com.br
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