
A descoberta de um novo combustível, totalmente natural e com 100% de eficiência na substituição do óleo diesel, abre novas possibilidades para a economia amazônica. Imensa, com baixos índices de desenvolvimento humano e infra-estrutura precária, a região há décadas se queixa da perda de receita com impostos e taxas de frete.
Em algumas cidades da Amazônia, taxas, impostos e tributos chegam a responder por até 65% do preço final das mercadorias e serviços, privados e também públicos. O Acre, localizado no extremo oeste brasileiro, perdendo apenas para Roraima como Estado mais distante dos grandes centros industriais, não é exceção.
Daí porque empresas multinacionais e grandes estatais temem instalar-se no Acre. A estrada para o Pacífico promete reverter essa tendência, mas apenas em médio prazo. Até lá, várias séries de negociações e acertos, nacionais e internacionais, serão necessários.
Um bom exemplo dessa dificuldade é a energia elétrica acreana, uma das mais caras do país por depender de óleo diesel para alimentar as turbinas que geram a eletricidade. O óleo diesel vem de carretas, anexam gastos com peças e manutenções e encarecem o preço no desembarque.
A descoberta do novo combustível a partir do óleo de dendê, nesse contexto, pode significar uma verdadeira revolução, econômica e social. Econômica pela geração de empregos, diretos e indiretos, estimulando a volta ao campo e estufando a alíquota de ICMS em alguns milhões de reais anuais.
E social pela melhoria do padrão de vida dos acreanos, com direito à extinção gradual de - como diria o presidente Lula - fantasmas estruturais que impedem qualquer tentativa de desenvolvimento.