
Fundação
Elias Mansour ganha novo
e dinâmico comando
O novo secretário da Fundação Elias Mansour é um cearense de Jaguaribe que percorreu os caminhos trilhados por tantos outros conterrâneos e chegou ao Estado em 1977. Jorge Henrique Bezerra de Queiroz, advogado formado na Universidade Federal do Acre, assume o comando de uma secretaria cujo uma das funções ele conhece bem: promover a cultura.
A área que vai secretariar durante o segundo mandato do governador Viana é velha conhecida do novo secretário. Jorge Henrique fundou o Grupo ADSABA, que estreou montagens importantes como “Galvez, o Imperador do Acre”. Foi um dos diretores técnicos da Fundação Garibaldi Brasil, na gestão de Jorge Viana na prefeitura, além de dirigir a divisão de cultura e desporto da Elias Mansour. Em entrevista ao Página 20 ele conta um pouco de sua trajetória nas artes e fala sobre o cargo.
Como você recebeu a notícia de que assumiria a Fundação Elias Mansour?
Posso dizer que foi uma surpresa, mas, estaria mentindo se disse que isso não passa pela cabeça. Trabalhei com o Antônio Alves nesses quatro anos e participei do trabalho que foi feito na época da prefeitura quando o governador Jorge Viana era prefeito. Então já estou nessa batalha há um tempo e é um trabalho que a gente conhece. Mas uma coisa é pensar nessa possibilidade e outra é ela vir de forma concreta. E quando vem, assusta um pouco...
Na década de 80 houve um boom na cultura acreana, que logo ficou estagnada. Hoje há um resgate cultural promovido pelo governo. Como você vai trabalhar isso?
É verdade, na década de 80 havia uma efervescência cultural muito grande e eu participei dela, trabalhei como ator e produtor de teatro nessa época, conheço a apogeu e o declínio desse momento. Com o governo Jorge Viana houve uma retomada desse processo. Estávamos numa fase ruim nos anos 90, que se estendeu até a entrada dessa equipe de trabalho, e posso dizer o quanto nós avançamos. A casa está arrumada, agora é um novo momento: a parte de ação. O orçamento está longe do ideal mas precisamos ser criativos e a palavra mágica é parceria, com o empresariado, com a iniciativa privada, os artistas.
A Lei de Incentivo à Cultura é um grande avanço. Ela seria um dos instrumentos para incentivar o empresariado?
Não tenha dúvidas. A Lei reforça a coragem e a determinação do governador em investir na cultura. Infelizmente não são todos os estados que têm a lei, um mecanismo que resolve muitos problemas e tem uma capacidade de realização poderosa. Agora é preciso que a gente avance em algumas coisas, principalmente na parte de aprovação dos projetos. Eu quero ouvir as pessoas, chamar alguns empresários, os artistas. O empresário tem que se sentir seguro naquele investimento porque a marca dele está em jogo, ele precisa ser melhor informado.
Fale um pouco sobre o Projeto Usina. Ele faz parte da Fundação?
Nós recebemos autorização para trabalhar um projeto de arte envolvendo a antiga usina de beneficiamento de castanha no Distrito Industrial, que estava abandonado. Pensamos num projeto cuja base seria a formação artística, música, teatro e artes plásticas, junto com uma escola de técnica de comunicação. Além de um espaço diferenciado para apresentações, para exposições de artes. Nossa expectativa é de que seja um local de experimentos onde a arte não encontre barreiras.
E quanto ao Patrimônio Histórico?
Hoje o acreano bate no peito e pode dizer com segurança que o seu patrimônio está sendo preservado. Há um trabalho em desenvolvimento sobre o patrimônio cultural, com um estudo sobre festas e tradições. A política de cultura da Fundação tem que ser galgada nesses pilares, valorizando e permitindo o acesso da juventude e da comunidade em geral a esse patrimônio.