
A informalidade é uma das saídas que a criatividade acreana encontrou para sobreviver na cidade grande, depois de uma forte estagnação econômica provocada pela ausência continuada de subsídios financeiros ao promissor e diversificado mercado rural.
Apenas entendendo essa faceta, histórica, na formação da sociedade acreana, será possível formular políticas públicas modernas voltadas à contextualização do mercado informal numa sociedade que precisa dar um salto elevadíssimo de qualidade para atingir o patamar mínimo de industrialização competitiva.
Sendo assim, a metodologia usada hoje, de repressão e punição para casos de desobediência, é tão contrária aos princípios democráticos quanto desrespeitosa aos direitos que esses homens e mulheres têm de sobreviver. A questão, aqui, não é de legislação. Ultrapassa-a. Toca no âmago daquilo que uma sociedade precisa para qualquer ensaio de desenvolvimento: os direitos humanos.
Até porque o mercado formal encontra-se abalado por uma série de razões macroeconômicas, é indispensável criar uma nova metodologia político-social que se relacione com o informal. Aliás, que não apenas se relacione, mas o insira, o contextualize, o formalize. Não é isso o que se almeja? A menos que se perceba, como fizeram governos passados, que a geração pós-seringueira pertence a alguma espécie de casta inferior.
Nesse caso é melhor seguir o exemplo da Índia, onde - por outros motivos, mais religiosos e filosóficos que propriamente políticos - a ruptura brutal do governo com a sociedade e da própria sociedade consigo mesma relega ao país mais populoso do mundo uma pobreza de tons opacos (isto é, onde não se vê, pela conjuntura que a forma, possibilidade de reversão, mesmo no longo prazo).