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Rio Branco - Acre, quinta-feira, 9 de janeiro de 2003
O PT com Sarney

São cada vez mais evidentes os sinais de que o PT fez uma opção pela candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP) para a presidência do Senado. O futuro líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), não perde a oportunidade de se derramar em elogios ao aliado de primeira hora de Lula. A tese petista de respeito ao resultado das urnas também favorece o senador Sarney.

O trabalho de cooptação para ampliar a bancada do PMDB, conduzido pelo líder da bancada, Renan Calheiros (AL), tem como objetivo aumentar sua vantagem em relação a Sarney. Se a disputa interna fosse hoje, Renan teria com certeza 12 votos, Sarney, cinco, e três estariam indefinidos. No dia 22, quando o senador Romero Jucá (PSDB-RR) se filiar ao PMDB, Renan terá 13 votos. Mas, como alerta o presidente do PT, José Genoino (SP), no acordo "não pode haver troca-troca, nem inchaço".

Depois de um dia de intensas conversas entre dirigentes do PT e do PMDB, foi mantido o acordo de procedimento pelo qual os partidos que tiverem a maior bancada na Câmara e no Senado elegem os presidentes das Casas. O PT na Câmara e o PMDB no Senado. Os petistas também reafirmaram o respeito à decisão da bancada do PMDB no Senado. Mas o saldo do dia foi a instalação de um clima de desconfiança. Tanto que o presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS), marcou para às 11h de 1 de fevereiro a eleição para a presidência do Senado. Isso significa que seu resultado será conhecido antes do da eleição da Câmara e a tempo de um troco.

A desconfiança também tomou de assalto a outrora unida cúpula do PMDB. Os aliados do senador Renan Calheiros estão desconfiados de que seus correligionários na Câmara não estariam assim tão empenhados em sua eleição. Os petistas tratam de alimentar a versão de que os deputados do PMDB gostariam de um arranjo no qual um deles presidiria a Câmara. E os seguidores de Renan avaliam que há uma corrente predominante na Câmara que aposta na oposição e não estaria interessada em estabelecer qualquer tipo de parceria com o governo do PT. Os negociadores da participação do PMDB no governo ainda não digeriram o comportamento dos petistas. Consideram que os interlocutores do governo tentaram dissimular o fato de terem sido desautorizados por Lula, sugerindo que o PMDB teria feito exigências descabidas para participar do governo. O acordo foi mantido, mas o namoro entre o PT e o PMDB está em crise.

O empresário Fernando Moreira Salles e o sindicalista Luiz Marinho também foram convidados e aceitaram integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

A disputa no PFL

O líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), decidiu tentar ser reconduzido à liderança na Câmara. Mas terá de disputar o cargo com o deputado José Carlos Aleluia (BA), que tem o apoio do senador eleito Antonio Carlos Magalhães (BA). Hoje Inocêncio será recebido por Antonio Carlos, em Salvador. O senador reclama para a Bahia o comando sob o argumento de que ela representa a maior bancada regional do PFL: são 20 em 84 deputados.

Para tentar evitar o confronto, Inocêncio vai propor que seja instituído o rodízio na liderança, permitindo que, a cada ano, um pefelista diferente exerça o cargo e usufrua a visibilidade de ser um dos líderes da oposição ao governo Lula. O rodízio, proposto por Inocêncio, começaria por ele próprio.

O comando do PFL encara a disputa como um embate entre projetos pessoais. Não vê aí mais um episódio da disputa maior pelo controle do PFL entre o grupo de Antonio Carlos e o formado pelo presidente do partido, Jorge Bornhausen (SC), e o senador eleito Marco Maciel (PE).

Lobby corporativo

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, passou o dia desmentindo que pretenda editar medida provisória para adiar a entrada em vigor do novo Código Civil. O lobby dos advogados é violento. Um deles chegou a conversar por telefone com o ministro usando como argumento que um acordo feito entre os líderes dos partidos previa uma carência de dois anos. Mas o acordo não foi incorporado ao texto da lei.

Cooptação

Não serão só PTB e PL. O PPS também vai inchar. O partido elegeu 15 deputados, mas, quando o novo Congresso tomar posse, em fevereiro, sua bancada deverá receber mais dez filiados. Hoje, a executiva do PPS se reúne para aprovar seu plano eleitoral estratégico para as eleições municipais de 2004. Ele prevê o lançamento de candidatos próprios às prefeituras de capitais e das grandes e médias cidades do interior.

O MINISTRO das Relações Exteriores, Celso Amorim, ofereceu ontem formalmente a Embaixada do Brasil em Cuba ao deputado Tilden Santiago (PT-MG). Há três anos, quando era secretário estadual do Meio Ambiente, o petista foi designado pelo governador Itamar Franco cicerone do presidente cubano, Fidel Castro, na visita deste a Minas Gerais.

O CANDIDATO do PT à presidência da Câmara, João Paulo Cunha, recebeu mais de 20 deputados em seu gabinete nos dois últimos dias. O corpo-a-corpo, que não dispensa ligações telefônicas para os estados, segue durante todo o dia de hoje. O petista é candidato único mas está trabalhando como se a eleição fosse disputadíssima.

Tereza Cruvinel


ilimar@bsb.oglobo.com.br
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