
Pequenos vendedores dizem que não
foram avisados
da demolição que começará semana que vem
Quando saiu da colônia sua filha, que já morava na capital, estava grávida e vivendo em melhores condições financeiras que ela, então, há 8 anos, Maria da Conceição Silva, 56, passou a cuidar de um dos boxes do Bebódromo, localizado em frente ao estádio José de Melo. Vive sozinha com o filho Diógenes, de 13 anos, no quilômetro 8 da rodovia AC-40.
Enquanto muitos trabalhadores ainda estão dormindo, ela já está na cozinha da lanchonete preparando o café da manhã e os lanches que serão vendidos no decorrer do dia. E ao seu lado, Diógenes, que é braço direito. A lanchonete de Maria é a única que ainda funciona no local, os demais permissionários abandonaram seus pontos há cerca de uma semana.
Sobre o projeto da prefeitura de transformar o Bebódromo em uma praça ela não conhece detalhes. Ouviu alguém comentar que os bares e lanchonetes seriam destruídos e no local, um bonito espaço público seria construído para atender à população da capital.
“Eu estou esperando eles virem até aqui. Reconheço que o local é deles, e nunca fui maltratada enquanto trabalho no lanche. Mas, eu pago todos os impostos que mandam pra cá, dou meu jeito e pago né, é minha obrigação, e eles ainda não vieram me dizer nada. Todo mundo já abandonou seus lanches, eu não posso fazer isso”, comentou a comerciante.
SUSTENTO - Maria é responsável pelo sustento da casa e de seu filho, diz-se preocupada em deixar o local, mas garante que não vai se opor. “Eles sabem o que é melhor, quero saber apenas pra onde vão me levar, eu não posso ficar sem um ponto pra trabalhar, essa é a minha única renda, minha fonte de sobrevivência. Espero que eles me dêem um local no centro, na verdade o que eu queria era ficar aqui, porque moro muito longe e ficaria mais fácil. Aqui eu tenho meus clientes, consigo sobreviver e pagar as contas de água, luz, telefone e os 90 reais para a prefeitura todos os meses”, disse.
População ganhará novo espaço para lazer
A partir da próxima semana o Bebódromo deve ser isolado por tapunes de madeira pela Semovur e o trabalho da demolição dos bares e construção da praça pública deverá ser concluído em 60 dias. No lugar dos quiosques serão construídos bancos e canteiros para transformar o espaço em um ambiente agradável para a população.
“Será um espaço limpo, bonito, onde pais e filhos poderão se reunir nos finais de semana. O projeto ainda está em fase de conclusão pelos arquitetos, mas até o final da semana esperamos estar com todo o espaço fechado para que as obras tenham início. Todos os permissionários foram notificados e alguns já foram transferidos para locais disponíveis da prefeitura, todos terão espaços para continuarem exercendo seus trabalhos”, disse o secretário de Obras do município, Amarildo Uchoa.
Segundo o assessor da prefeitura, Luiz Carlos Moreira Jorge, o espaço deixou de ser uma área de lazer que beneficiasse a prefeitura, virando um local onde a sujeira, a bebedeira e a violência são constantes.
“A determinação do prefeito em demolir os quiosques e transformar o local em uma praça é um atendimento aos reclames da população, que há muito tempo clama por isso”, comentou Luiz Carlos.
“Acho melhor deixar o lanche, é um espaço público no centro da cidade, precisa ter lanchonetes. Creio que seja necessário, todo mundo quer lanchar. Mas, uma reforma no local é extremamente necessária”, Helena Souza
“Talvez os lanches devam ficar, passa muita gente por aqui, muitos querem lanchar. Aqui é o centro da cidade, uma praça, acho que deve ter lanchonetes sim, mas, não concordo com as bebedeiras que acontecem”, Maria Conceição da Silva
“Com certeza será melhor demolir tudo e construir uma praça no local. A prefeitura fará um bom trabalho se fizer essa obra. Esse local só serve para as bebedeiras, está imundo e o cheiro que esses banheiros exalam é horrível”, Sâmia Gonçalves
“Para mim não faz muita diferença se vão ou não mexer nos quioques. O que importa mais é que ajeitem esses banheiros, que incomodam tanto quem trabalha aqui como quem passa pelo local”, Ogleisson de Oliveira
“A obra vai melhorar bastante o centro da cidade. Concordo com o projeto da prefeitura, até porque não sou da cidade e onde moro foi feito algo parecido, e o resultado foi a melhoria na qualidade de vida da população. Nem o nome do local á agradável”, Silvonei Garcia