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Rio Branco - Acre, quinta-feira, 9 de janeiro de 2003
Comerciantes do Bebódromo
temem não ter para onde ir

Pequenos vendedores dizem que não foram avisados
da demolição que começará semana que vem

Quando saiu da colônia sua filha, que já morava na capital, estava grávida e vivendo em melhores condições financeiras que ela, então, há 8 anos, Maria da Conceição Silva, 56, passou a cuidar de um dos boxes do Bebódromo, localizado em frente ao estádio José de Melo. Vive sozinha com o filho Diógenes, de 13 anos, no quilômetro 8 da rodovia AC-40.

Enquanto muitos trabalhadores ainda estão dormindo, ela já está na cozinha da lanchonete preparando o café da manhã e os lanches que serão vendidos no decorrer do dia. E ao seu lado, Diógenes, que é braço direito. A lanchonete de Maria é a única que ainda funciona no local, os demais permissionários abandonaram seus pontos há cerca de uma semana.

Sobre o projeto da prefeitura de transformar o Bebódromo em uma praça ela não conhece detalhes. Ouviu alguém comentar que os bares e lanchonetes seriam destruídos e no local, um bonito espaço público seria construído para atender à população da capital.

“Eu estou esperando eles virem até aqui. Reconheço que o local é deles, e nunca fui maltratada enquanto trabalho no lanche. Mas, eu pago todos os impostos que mandam pra cá, dou meu jeito e pago né, é minha obrigação, e eles ainda não vieram me dizer nada. Todo mundo já abandonou seus lanches, eu não posso fazer isso”, comentou a comerciante.

SUSTENTO - Maria é responsável pelo sustento da casa e de seu filho, diz-se preocupada em deixar o local, mas garante que não vai se opor. “Eles sabem o que é melhor, quero saber apenas pra onde vão me levar, eu não posso ficar sem um ponto pra trabalhar, essa é a minha única renda, minha fonte de sobrevivência. Espero que eles me dêem um local no centro, na verdade o que eu queria era ficar aqui, porque moro muito longe e ficaria mais fácil. Aqui eu tenho meus clientes, consigo sobreviver e pagar as contas de água, luz, telefone e os 90 reais para a prefeitura todos os meses”, disse.

População ganhará novo espaço para lazer

A partir da próxima semana o Bebódromo deve ser isolado por tapunes de madeira pela Semovur e o trabalho da demolição dos bares e construção da praça pública deverá ser concluído em 60 dias. No lugar dos quiosques serão construídos bancos e canteiros para transformar o espaço em um ambiente agradável para a população.

“Será um espaço limpo, bonito, onde pais e filhos poderão se reunir nos finais de semana. O projeto ainda está em fase de conclusão pelos arquitetos, mas até o final da semana esperamos estar com todo o espaço fechado para que as obras tenham início. Todos os permissionários foram notificados e alguns já foram transferidos para locais disponíveis da prefeitura, todos terão espaços para continuarem exercendo seus trabalhos”, disse o secretário de Obras do município, Amarildo Uchoa.

Segundo o assessor da prefeitura, Luiz Carlos Moreira Jorge, o espaço deixou de ser uma área de lazer que beneficiasse a prefeitura, virando um local onde a sujeira, a bebedeira e a violência são constantes.

“A determinação do prefeito em demolir os quiosques e transformar o local em uma praça é um atendimento aos reclames da população, que há muito tempo clama por isso”, comentou Luiz Carlos.


“Acho melhor deixar o lanche, é um espaço público no centro da cidade, precisa ter lanchonetes. Creio que seja necessário, todo mundo quer lanchar. Mas, uma reforma no local é extremamente necessária”, Helena Souza

“Talvez os lanches devam ficar, passa muita gente por aqui, muitos querem lanchar. Aqui é o centro da cidade, uma praça, acho que deve ter lanchonetes sim, mas, não concordo com as bebedeiras que acontecem”, Maria Conceição da Silva

“Com certeza será melhor demolir tudo e construir uma praça no local. A prefeitura fará um bom trabalho se fizer essa obra. Esse local só serve para as bebedeiras, está imundo e o cheiro que esses banheiros exalam é horrível”, Sâmia Gonçalves

“Para mim não faz muita diferença se vão ou não mexer nos quioques. O que importa mais é que ajeitem esses banheiros, que incomodam tanto quem trabalha aqui como quem passa pelo local”, Ogleisson de Oliveira

“A obra vai melhorar bastante o centro da cidade. Concordo com o projeto da prefeitura, até porque não sou da cidade e onde moro foi feito algo parecido, e o resultado foi a melhoria na qualidade de vida da população. Nem o nome do local á agradável”, Silvonei Garcia

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