
Vereador chama novo presidente
da Câmara de “traidor”
e diz que ambiente no partido ficaria insustentável
O vereador do PPS Donald Fernandes disse ontem que se o companheiro de partido Nuno Miranda não for expulso do partido ele e mais alguns vereadores abandonarão a legenda.
Segundo Donald, o episódio da eleição da mesa diretora da Câmara de Vereadores criou uma situação insuportável no partido. “Foi uma traição intolerável de Nuno. Como é que a gente vai conviver com alguém que já nos traiu uma vez? Nunca ninguém confia mais nele”, desabafou.
Para Donald Fernandes, o vereador Nuno Miranda, na ambição de se tornar presidente da Câmara, passou por cima dos companheiros. “Isso é inadmissível numa relação que se pretende de lealdade.”
Segundo o vereador, o novo presidente da Câmara deve ser expulso do PPS, mesmo com os apelos de Marcio Bittar. Na sua opinião, Nuno criou um grande mal-estar interno no partido. “Todos nós ficamos muito surpresos com sua atitude. Particularmente, acho que ele foi manipulado. Para mim, ele está sendo ingênuo e imaturo.”
Donald confidenciou que no partido todos ficaram abalados, com certeza, e acha irreversível a expulsão. “Eu defendo a expulsão dele. Se ele não sair, eu saio”, ameaçou.
O vereador lembrou que tinha por Nuno uma grande amizade e que por isso ficou mais decepcionado ainda. “Ele foi egoísta e agiu com muita vaidade. Senti-me bastante desprivilegiado. A partir de agora a minha relação com ele é de muita desconfiança”, disparou.
“PMDB e PPS estão desmoralizados”
A avaliação que o vereador Donald Fernandes (PPS) faz dos fatos que antecederam a eleição da mesa diretora da Câmara de Vereadores de Rio Branco é de que a grande vitória foi da Frente Popular do Acre.
Na sua opinião, o PMDB e o PPS se desmoralizaram quando não conseguiram manter a unidade e compor de forma coerente pelo menos dentro do partido. “Se não há unidade nem dentro dos partidos, como é que vai haver unidade numa base de sustentação ou na coligação?”.
Donald acredita que os dois partidos tiveram lideranças seduzidas pela Frente Popular e se deixaram levar ingenuamente. “A Frente Popular mostrou que está mais forte e unida. Eles agiram com habilidade, inteligência e sabedoria. Conseguiram atrair para eles tanto dissidentes do PMDB como do PPS. No final quem saiu enfraquecido foram essas duas siglas. Elas foram humilhadas em público”, analisou.
Donald disse ainda que os vereadores Carlos Beiruth (PMDB), Chicão Brígido (BMDB) e Nuno Miranda (PPS) demonstraram muita imaturidade política ao entrarem por esse caminho. “Eles foram manipulados sem saber. Quem ganhou com isso foi a Frente Popular. O PMDB e o PPS só perderam. Fomos desmoralizados publicamente”, lamentou.
PMN pode ficar na presidência da Câmara
Outro problema que aflige o prefeito de Rio Branco Isnard Leite (PPB), nesse período de tentativa de recomposição da base de sustentação de sua administração na Câmara Municipal, é a possibilidade da renúncia de Nuno Miranda (PPS) para assumir a cadeira de Tarcísio Pinheiro (PPS) na Assembléia Legislativa.
É que o deputado estadual Tarcísio Pinheiro aguarda apenas tomar posse em fevereiro para pedir afastamento da casa e viajar para tratamento médico. Como Nuno Miranda é o primeiro-suplente de Tarcísio Pinheiro, terá então que decidir entre ser vereador ou deputado estadual. Os analistas acreditam que a segunda opção é quase certa.
Caso a renúncia de Nuno Miranda se confirme, o cenário na Câmara de Vereadores muda completamente de figura. É que assumiria Pedro Oliveira (PMN), vereador que pertence a um dos principais partidos que compõem a Frente Popular, partido do também presidente da Assembléia Legislativa, Sérgio Petecão (PMN). Em outras palavras, ao se confirmar essa tendência, a Frente Popular consolidaria o seu plano para conquistar o poder no legislativo mirim. Pelo menos essa é a análise do vereador Donald Fernandes (PPS), um dos mais descontentes com os fatos que marcaram a eleição na Câmara.