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Rio Branco - Acre, quinta-feira, 9 de janeiro de 2003
Doentes não atendidos
nos postos sobrecarregam o PS

O aposentado João da Silva Rodrigues, 65 anos, morador do Conjunto Esperança, comeu uma pupunha no domingo à tarde e desde então passou a sentir fortes dores no abdome. As dores eram muito fortes e após tomar todos os chás que as filhas ofereceram, sem causar efeito, ele resolveu procurar o serviço de saúde pública.

Apesar de morar muito próximo ao Posto de Saúde Gentil Perdomo (fica a 300 metros de sua casa, no conjunto Esperança), o senhor João não pensou duas vezes e entrou num ônibus em direção ao Pronto Socorro do Hospital Geral de Clínicas de Rio Branco (que fica a cerca de 10 quilômetros de distância).

Gastou quase uma hora para chegar. Chegou por volta das 9h da manha de terça-feira. Foi atendido na entrada pelo serviço de orientação e, como a demanda é sempre muito grande nesse horário, teve de esperar duas horas para ser atendido. O médico aplicou uma injeção simples, que poderia ter sido aplicada em qualquer posto de saúde da cidade, e o aposentado logo se sentiu melhor.

Depois teve que esperar mais 4 horas na sala de observação, enquanto aguardava os exames de sangue e de urina. Após o resultado, foi constatado que ‘Seu’ João estava com infecção intestinal, problema de fácil solução que não demandaria o seu deslocamento para o Pronto Socorro e sim para uma unidade de saúde em seu bairro. Isso seria o ideal para ele, o paciente, que perderia menos tempo, e para o PS evitaria o problema de superlotação constante.

Atendimentos ambulatoriais perfazem a maioria

O pronto-socorro atende por dia uma média de 85% de pacientes semelhantes. São casos denominados de atendimentos ambulatoriais, próprios para serem encaminhados e acompanhados nas próprias comunidades, através da rede de postos de saúde.

Na última terça-feira, dia 7, os atendimentos ambulatoriais representaram 89% do total. Foram atendidos 609 casos em 24 horas, mas deste total, 545 não eram emergências. Os dados são da estatística que o sistema de informação do hospital, o Hospsub, está realizando sobre o ano de 2002.

Segundo a estatística, no mês de dezembro, 86,3% do total de casos atendidos pelo PS são atendimentos ambulatoriais. Pacientes que procuram o PS com dores de cabeça, dor de dente, disenteria e até gripe. Apenas 13,7% do total de casos atendidos se tratam de urgências e emergências clínicas ou cirúrgicas, que são os verdadeiros casos próprios para serem atendidos pelo PS.

Para a direção do hospital, a estatística prova que a grande procura “desnecessária” pelo PS atrapalha o atendimento e torna impossível desenvolver o melhor trabalho.

De acordo com os diretores, é preciso que o sistema de saúde pública municipal e estadual funcione como um todo de forma descentralizada nos bairros, e que as pessoas se conscientizem que elas podem perder menos tempo se dirigindo em primeiro lugar aos postos de saúde e só então, se for preciso, serem encaminhados ao PS ou outra instituição de saúde adequada.

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