

Rosa exibe o apurado do
dia: um pequeno punhado
de moedas para comprar o alimento do filho
Informalidade mantém famílias
na rua Benjamim Constant
Lutando pela sobrevivência,
mulher vende
vales-transportes para sustentar dois filhos
Seis e quinze da manhã, o relógio desperta indicando que é hora de ir a luta. As sete horas, a vendedora de vale transporte, Rosa Costa Oliveira de 39 anos, sai de sua casa no bairro Cadeia Velha e segue em direção ao terminal urbano, onde monta sua banquinha improvisada. Há anos a rotina é a mesma. A necessidade faz com que a vendedora não tenha o prazer de tomar um bom café da manhã em companhia dos filhos.
“Eu tenho dois filhos para dar de comer, o pai deles não pagam pensão e como não consigo encontrar um bom emprego, eu me viro como posso. Nem sempre as vendas são boas, as vezes não vendo nem 15 vales durante o dia”, explica.
Rosa é natural de Assis Brasil, veio para a capital aos 16 anos com os pais. Como sua família não tinha boas condições financeiras, ela desde cedo teve que trabalhar e por tanto, não podia ir à escola freqüentemente. Uma coisa ela sempre buscou, ser alguém na vida. Infelizmente ela não teve a sorte que muitas pessoas tiveram.
Mas isso não a deixa insatisfeita, ao contrario, como viu que não teve a oportunidade de crescer financeiramente, hoje ela trabalha duro para não ver seus filhos largando a escola mais cedo.
“Eu não permito que meus filhos trabalhem, pois não quero vê-los na mesma situação que eu. Quero que eles se dediquem aos estudos para que sejam alguém na vida. Hoje em dia, sem estudo você consegue nada”, ressalta Rosa.
A vendedora, desde que chegou em Rio Branco, já trabalhou com muitas coisas, mas sempre independente. Seu último serviço antes de ser vendedora ambulante de vale transporte, Rosa, fazia toalhas de crochê. Como viu que não estava dando lucro, decidiu abandonar a agulha e as linhas, para arriscar nas vendas.
Vale Transporte – Rosa consegue os vales com funcionários de empresas. Como não precisam dos vales, eles os vendem por 1,30 real e ela os revende à 1,50 real.
“Não tenho muito lucro, e as vezes preciso pedir ajudar financeira de minha família para pagar as despesas de casa, mas não pretendo deixar de vender agora. Enquanto eu não encontrar algo melhor vou ficar por aqui mesmo”, explica a vendedora.
Novo modelo de organização familiar
Exemplos
como o de Rosa se tornam cada vez mais comuns. Diferente do passado, as famílias
não têm mais a hierarquia em que o pai sai para trabalhar enquanto
a mãe fica em casa cuidando dos filhos. A necessidade de garantir o
bem estar da família, mais especificamente dos filhos, fez com que
o famoso “sexo frágil” saísse de casa para procurar
o seu lugar no mercado competitivo.
Muitas são as pessoas do interior que pensam que na capital as coisas são mais fáceis e abandonam seus lares e suas famílias para virem à capital. Rosa é apenas mais uma de muitas pessoas que saem do interior em busca de melhores condições de vida na capital, mas quando chegam, se deparam com uma realidade bem diferente. O que restam a elas, é apelar de todas as formas até encontrar algo para fazer.
“Hoje em dia eu não tenho mais tempo para ficar em casa com meus filhos e compartilhar um almoço. Eu trabalho se segunda a sexta, nos finais de semana tenho que cuidar da casa, lavar roupa e outros a fazeres. Gostaria de poder sentar com meus filhos em uma tarde para conversamos sobre nós, infelizmente isso não é possível nesse momento de crise”, finaliza.