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Rio Branco - Acre, sábado, 11 de janeiro de 2003
Capital acreana pede socorro ao Estado

É salutar, necessária, quase emergencial a entrada em cena imediata da fundação estadual que dará sustentação e apoio à administração da prefeitura de Rio Branco. A capital acreana, na entrada do Terceiro Milênio e com um futuro brilhante desenhando-se no horizonte graças à economia sustentável, chafurda em problemas estruturais cuja solução é questão de ordem nesse contexto desenvolvimentista.

O primitivismo administrativo que norteia a fórmula azul na eleição de prioridades gerenciais deve ser, momentaneamente, esquecido. Agora a população corre sério risco. Um risco desumano, já que fere o supra-sumo da capacidade humana de organização em sociedade produtiva: a dignidade.

Como plantar alimentos com a lama invadindo os quintais? Como melhorar a educação básica, se a água empoçada de esgotos estourados impedem o acesso? Como ser otimista quanto ao futuro de todos, se o horizonte não passa de um amontoado de capim, esgotos, escuridão e desespero?

Estudos científicos recentes apontaram a causa psicológica do desespero que leva ao suicídio. Não é a ausência de condições de sobrevivência nem as dificuldades enfrentadas na busca por melhor qualidade de vida. Segundo os psicólogos e psiquiatras, o suicídio é causado quando a vida perde a noção estrutural de sentido.

Quando nem a alma nem a psiquê conseguem encontrar uma razão lógica para o sofrimento. Não seria a esse tipo de sofrimento que estaria relegando a prefeitura ao povo rio-branquense? Homens e mulheres bravos, que lutam todos os dias para viver e também dar a vida, mas que, em certas ocasiões, sentem-se impotentes e repentinamente “sem chão” diante de gigantescas montanhas.

É preciso repensar, com urgência, as prioridades administrativas. O poder representativo não foi eleito para apenas promover discussões fúteis.

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