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Rio Branco - Acre, domingo, 12 de janeiro de 2003
Distorções na base

Francisco Dandão

Escrevo esta crônica dominical na manhã de sábado e, desta forma, não sei o resultado do jogo entre as seleções de Brasil e Equador pelo campeonato Sul-Americano sub-20, ora sendo realizado no Uruguai, os nossos vizinhos lá da ponta inferior (geograficamente falando) do continente.

Independente, porém, de qual equipe poderá ter vencido o confronto marcado para a parte da tarde, o certo é que nos três primeiros jogos o Brasil sobrou em campo, aplicando duas goleadas (Peru e Bolívia) e ganhando bem dos donos da casa (neste último jogo, sob um temporal diluviano).

O sucesso dos garotos me remete a dois pensamentos. O primeiro, em forma de afirmação: o Brasil continua sendo um celeiro inesgotável de bons valores. O segundo, em forma de indagação: por que tantos desses meninos que despontam como promessas se perdem ao longo do caminho?

Não fosse o país tão pródigo em renovar o seu estoque de craques e teríamos ficado há muito para trás no universo do futebol internacional, tantos os nossos jogadores que são levados para outros países. São tão numerosos que a gente nem chega a saber direito onde eles estão, muito menos a quantidade exata.

Quanto às promessas que se perdem no meio do caminho, um artigo do ex-craque Tostão, o mineiro Eduardo Gonçalves, caso raro de talento nos campos de jogo e das letras, publicado no meio desta semana que passou na Folha de São Paulo, dá algumas pistas para o fenômeno.

De acordo com Tostão, os três fatores que mais contribuem para que muitos garotos não se firmem na profissão são os seguintes: falta de oportunidades, falta de orientação ou falta de preparo emocional para conviver com a fama e o sucesso (“a famosa máscara”, complemento eu).

Fora tudo isso, escreve Tostão, existe uma coisa que pode ser considerada mais grave ainda, abjeta mesmo se devidamente comprovada: “Existem graves denúncias de que somente os meninos ligados a empresários são aproveitados nas categorias de base de alguns clubes”.

Conclusão: se, apesar de todos esses senões, a gente consegue tanto brilho em todos os níveis (falta, ainda, a medalha de ouro olímpica, eu bem sei), imaginem só o que não conseguiríamos sem as distorções. Não ia ter pra ninguém, em tempo ou lugar algum. Ou será que teria?

fdandao@zipmail.com.br
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