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Rio Branco - Acre, sexta-feira, 17 de janeiro de 2003
Memórias do desagradável

José Cláudio Mota Porfiro *

Conta muito ter personalidade e credibilidade para falar dos acontecimentos louváveis. Conta mais ainda ter moral para levar aos mais jovens o conhecimento de fatos que um dia fizeram a vergonha do nosso povo.

Ademais, é sempre conveniente reavivar na memória dos mais velhos dias por nós vividos em que muitos não tinham tanto prazer em se dizer acreanos.

- Lá está a praça imensa e bela que vai da gameleira à ponte de ferro. É tudo muito bonito de vê. Mas, dia desses, acostei-me a um banco e, de frente para o rio, lembrei do quanto patinamos até ver eleito um garoto pacato e probo que faz, com suas obras, os acreanos voltarem a sentir orgulho da sua acreanidade.

- Vem-me à lembrança, em primeiro lugar, foi terem deixado ruir e quase ser destruída por completo a ponte de ferro. Passaram-se mais de três anos até que a parte que caiu dentro do rio - toneladas de ferro e concreto - foi reerguida (novamente colocada no lugar). Mas foi um período muito triste quando víamos, de passagem, dentro do rio, os restos daquela que tinha sido a maior obra dos acreanos de até então.

- E veio mais vergonha: a ponte baila comigo permitia a passagem apenas de pedestres. Eram dois cabos de aço de boa espessura que ligavam um lado ao outro do rio. Sobre os dois cabos ficavam tábuas por sobre as quais os pobres moradores do segundo distrito eram obrigados a passar em vista da necessidade.

- Mais vergonha foi o incêndio criminoso que deu fim ao prédio da Assembléia Legislativa. Pior: o período de mais de dois anos em que a estrutura do prédio, enegrecida pelas chamas, permaneceu em pé, dava um retrato retocado da lástima em que vivíamos em vista da pobreza de espírito das nossas lideranças.

- E o barranco caía e a miséria das palafitas enfeiavam ainda mais a velha e suja Rio Branco. O Instituto São José, um dos nossos maiores patrimônios, esteve condenado à demolição.

- Derrubaram o Grupo Escolar Presidente Dutra.,

- Ergueram o paliteiro

- O Palácio Rio Branco, no início do Governo da Floresta, estava ruindo em vista do fato de as goteiras serem tantas que tudo apodreceu e o prédio quase foi ao chão.

- O Palácio das Secretarias era tão somente um pulgueiro miserável sempre prestes a matar os funcioná-rios que lá trabalhavam, em vista da falta de assistência.

- A cara do PMDB: a praça, o SAERB, as ruas esburacadas, a polícia que não pode prender bandidos porque os carros não conseguem trafegar nas ruas da periferia onde eles abundam, buracos e bandidos.

* Professor de Português

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